segunda-feira, maio 11, 2020

Post 7497 - CNEC 48/20 - 9/10 - A Corrida




Estava cansado e a ficar para trás quando sentiu aquele impulso.
Sabia do atalho que lhe pouparia um km, só teria de ter cuidado para que não o vissem e para não aparecer muito à frente. A meio, já estaria bem. Assim não chegava em último e não levantaria suspeitas.
Hesitou, quase parou, mas ganhou o diabinho em vez do anjo que lhe soprava haver maior mérito em ser honradamente o último.
Enfiou-se pelo atalho.
Ia reconhecendo as pedras e as árvores mais velhas. O coração aos pulos. Parecia que ouvia o sangue que lhe corria nas veias. Alguns ramos inesperados arranharam-lhe a cara, assim como as silvas as pernas. Tropeçou numa pedra, quase caiu. Ergueu-se, mas não conseguiu evitar logo a seguir um arbusto escondido e estatelou-se no chão.
Sangrava-lhe o joelho. Quando se tentou pôr de pé, uma dor lancinante quase o fez baixar-se de novo. A custo ergueu-se. Devia ter feito uma entorse. Não conseguia apoiar o pé direito no chão. Procurou em redor e teve a sorte de encontrar um ramo mais comprido e grosso que usou para se apoiar como numa bengala para passos curtos. Ainda estava longe, mas tinha de seguir em frente. Ali ninguém o viria procurar e que vergonha se o encontrassem. Não iriam acreditar se dissesse que se tinha perdido. Queria chorar. Pensou, fui castigado. Continuou com os passos coxos a aproximar-se do ponto do trilho da corrida. Quando pensava que talvez conseguisse chegar à pista sem levantar suspeitas ouviu uma voz conhecida:
- Bruno que fazes aqui?
Era o Miguel, seu irmão mais velho. Seguia bem adiantado à frente, devia ter voltado atrás à sua procura.
Trocaram um olhar e ele percebeu.
- Apoia-te a mim. Não contaremos a ninguém.
Nunca mais faria batota nem esqueceria o apoio do irmão.

18 comentários:

  1. Fazia batota nas corridas no Colégio (Educação Física).
    E o professor descobria sempre e obrigava-me a correr o dobro dos outros :)))
    Beijinho, boa semana

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    1. Então não era bem batota porque era muito visível :)
      um beijinho, obrigada e uma boa semana também

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  2. Só fiz batota uma vez tinha seis anos. Minha mãe mandou-me à loja comprar feijão verde e deu-me um escudo assim. Uma moeda de 50 cêntimos, 2 de 20 e uma de 10. Eu perdi a de 50 cêntimos e cheguei a casa com pouquíssimo feijão. A minha mãe perguntou duas ou três vezes porque só trazia aquela quantidade e eu com medo disse que era o que a mulher me tinha dado. Deste o dinheiro todo à ti Urbana? Dei sim senhora. A minha mãe, pegou-me por um braço e com o feijão na mão foi à loja. Claro a mulher disse-lhe que eu só lhe tinha dado 50 cêntimos em moedas. As duas começaram a perguntar o que tinha feito ao resto do dinheiro. Acabei por confessar que o tinha perdido. E levei uma sova, porque tinha mentido, e tinha feito a minha mãe envergonhar-se perante a dona da loja. Ficou-me de emenda.
    Abraço e uma boa semana

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    1. Tão pequenina, acho que com essa idade não conta ainda
      um abraço, obrigada e uma boa semana também

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  3. Olá:- A batota nunca leva ao rumo certo.
    .
    Feliz inicio de semana
    Proteja-se

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    1. Sobretudo quando corre mal :)
      obrigada, feliz início da semana também
      e um beijinho

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  4. Gostei. A batota por vezes leva-nos longe, quero acreditar que essa não é a norma, mas termos um irmão que nos ampare quando tentados erramos, isso é o mais importante.

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  5. Bom ter um irmão assim!
    :)
    Não vou continuar a corrida Gaby...
    20 semanas para mim foram suficientes.
    Talvez para o próximo!
    Avisas-me?

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    1. Que pena!
      Claro que aviso, sim, desde que esteja por aqui e saiba, vou logo a correr avisar-te para ver se no próximo participamos de novo as duas
      um beijinho

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  6. Gostei muito de ler... Além de muito criativo, é um conto edificante...
    Quem nunca na vida fez uma batotazinha? Assim aprendeu que não compensa...

    Boa semana, Gabi. Cuide-se bem...
    Beijinho
    ~~~~

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    1. Obrigada Majo Dutra :)
      uma boa semana também
      e um beijinho

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  7. OLÁ GÁBI
    não sou de fazer batota...
    e se fiz em criança já me esqueci...

    admiro a memória de muitas pessoas que se lembram de quando tinham 5 ou 6 anos
    eu não...

    Parabéns pela imaginação para o conto.

    hoje como Kalinka venho dizer que fiz um post novo,
    no blogue
    ORIENTE VERSUS OCIDENTE
    onde vou mostrando as minhas viagens
    e momentos belos que fui vivendo pelo Oriente!
    Onde - dizem - tudo isto começou...
    é triste, muito triste mesmo, ver como está o Mundo
    com tantas mortes.

    Boa semana, beijo

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    1. Obrigada :) vou ver se a seguir, passo por aí
      um beijinho e uma boa semana também

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  8. Que inspirada...não só escreve como ainda proporciona histórias com moral =D
    Gostei tanto...e li tudo, sem batota xD

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  9. Fazer batota é feio. Mas pior é ser apanhado por tê-la feito.
    Apreciei a tua história mas precisavas mesmo de lhe esfolares um joelho e lhe teres provocado uma entorse? Imagino que se o atalho fosse mais longo o infeliz quebraria um braço e arranjaria um galo na testa ao bater com a cabeça num ramo de árvore, baixo!
    Beijinho (com sorrisos) e 1 abraço ao P.

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    1. :))) fizeste-me rir :) eu não fiz nada, o Bruno é que estava sem sorte!
      um beijinho e um abraço do P.

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