quinta-feira, outubro 15, 2026

terça-feira, outubro 13, 2026

sábado, outubro 10, 2026

sexta-feira, outubro 09, 2026

quinta-feira, outubro 08, 2026

Prémio Nobel Literatura 2026 - Anne Carson

 No site da Bertrand:

Anne Carson (21 de junho de 1950) é uma poeta, ensaísta, tradutora e professora de clássicos canadiana. Carson viveu em Montreal vários anos e lecionou na Universidade McGill, na Universidade de Michigan e na Universidade de Princeton, de 1980 a 1987. Foi bolsista do Guggenheim em 1998 e, em 2000, recebeu uma bolsa da MacArthur. Também ganhou um prémio literário Lannan.Em 1986, Carson publicou o seu primeiro livro, Eros the Bittersweet. Nomeado um dos 100 melhores livros de não-ficção de todos os tempos pela Biblioteca Moderna, o livro traça o conceito de "eros" na Grécia antiga através das suas representações na poesia da época. Carson considera seriamente como os desejos triangulares e miméticos foram representados na poesia de Safo, bem como a relação de Eros com a solidão. Famosamente, Carson analisa o Fragmento 31 de Safo como representando "eros como adiado, desafiado, obstruído, com fome, organizado em torno de uma ausência radiante - para representar eros como falta".

domingo, outubro 04, 2026


 

A Analfabeta de Agota Kristof - Livros 2026 (8)

 A Analfabeta de Agota Kristof 

Relato autobiográfico

A analfabeta, Relato autobiográfico

Digger

 Digger de Alejandro González Iñárritu, com Tom Cruise

Magia à Sedução - Segredos de Família/Practical Magic 2 - Sexta-feira, 25.9.26

 Magia e Sedução - Segredos de Família/Practical Magic 2

baseado no livro de Alice Hoffman, "The book of Magic" de Susanne Bier com Nicole Kidman e Sandra Bullock

Magia e Sedução - Segredos de Família

domingo, setembro 27, 2026

Hoje no Google

 28.º Aniversário da Google

28º Aniversário do Google

segunda-feira, agosto 31, 2026

A Odisseia - Sexta-feira, 21.8.26

 A Odisseia (The Odyssey) de Christopher Nolan

A Odisseia



sexta-feira, agosto 21, 2026

domingo, agosto 16, 2026

Sexta-feira, 14.8.26 - Homem Aranha - Um Novo Dia

 Homem Aranha - Um Novo Dia/ Spider-Man: Brand New Day, de Destin Daniel Cretton, com Tom Holland, Zendaya, Sadie Sink, Jacob Batalon, Jon Bernthal, Tramell Tillman e Mark Ruffalo.

sexta-feira, julho 24, 2026

quarta-feira, junho 17, 2026

sábado, junho 13, 2026

Como o Ar de Ada D´Adamo - Livros 2026 (5)

Como o Ar

 Como o AR de Ada D' Adamo (gostei muito deste livro embora seja triste, pela forma como está escrito e pelo que conta, a escritora e a filha surgem-nos como muito reais e é imensamnte injusto que tenha morrido tão jovem e que a filha tenha por isso ficado sem ela)


No site da Bertrand:

Ada d’Adamo foi uma escritora italiana. Nasceu em Ortona, em 1967, e formou-se na Accademia Nazionale di Danza. Escreveu múltiplos ensaios sobre dança e teatro.
Em 2023, a poucos dias de ver o seu romance nomeado para o Prémio Strega Giovani e para o Prémio Strega, Ada d’Adamo faleceu em Roma, vítima de doença prolongada. Como o Ar foi o vencedor de ambos os galardões.

O destino de Daria, a filha, começa a escrever-se quando um diagnóstico inesperado vem ensombrar o seu nascimento. A vida de Ada, a mãe, sofre um enorme sobressalto quando, quase aos cinquenta anos, descobre que uma doença grave lhe consome o corpo e encurta os dias. Mais do que sentença de morte, o cancro que lhe vai roubando as forças torna-se uma oportunidade para se dirigir à filha e contar-lhe a sua história.
Tudo passa pelos corpos de Ada e Daria: as lutas quotidianas, a raiva, os segredos, mas também as alegrias inesperadas e os momentos de uma ternura infinita. Dilacerantes, as palavras que a mãe oferece à filha atravessam o tempo – passado e presente entrelaçam-se numa dança que parece eterna.
Vencedor do prestigiado Prémio Strega 2023, Como o Ar é um romance de extraordinária força. Relato do inabalável amor entre mãe e filha, é também uma história de coragem em que cada momento é oferecido ao leitor como uma dádiva.

sexta-feira, junho 12, 2026

quarta-feira, junho 10, 2026

sábado, junho 06, 2026

Sexta-feira, 5.6.26

Concerto Candlelight

Vivaldi, Bach, Mozart, Beethoven, Tchaikovsky, Debussy e Ravel


(imagem tirada do Google)

As próximas fotografias são minhas, depois de ter chutado sem querer uma vela quando ia para os nossos lugares e descobri assim que não são velas verdadeiras


(vista da Casa da Música)

quarta-feira, junho 03, 2026

CEC 68/41 - Texto 10º

.

São 22h59.

O telemóvel vibra pela última vez. Não há sirenes, nem trombetas, nem fogo a rasgar o céu. Apenas uma notificação enviada para todos os países, em todas as línguas:

“Às 23h59, o mundo terminará.”

Miguel lê a frase três vezes, como quem espera encontrar um erro ortográfico que salve a humanidade.

Clara lê-a sentada num banco de jardim. Depois olha em volta, desconfiada, mas a noite continua azul-escura e as árvores continuam a derramar folhas sobre os carros.

Há roupa esquecida nos estendais a respirar o vento. Um semáforo permanece vermelho para carros que já não conhecerão amanhã.

A mãe de Miguel telefona.

— Vens cá?

Ele quase responde “amanhã”, mas a palavra morreu primeiro.

Sai para a rua. Há pessoas a correr para algum lado e outras completamente imóveis, como estátuas cansadas. Um grupo canta na praça. Vê casais abraçados como náufragos. Um rapaz rouba flores de um jardim para as oferecer a desconhecidos.

Clara decide caminhar até ao mar. Sempre acreditou que os finais pertencem à água.

O mar aparece enfim diante dela: negro, imenso, respirando devagar. Clara pensa em todas as coisas pequenas que nunca salvou — cartas por enviar, beijos adiados, domingos desperdiçados.

Às 23h32, Miguel chega a casa da mãe. Ela fez arroz-doce.

Comem devagar. Pela primeira vez em anos, conversam sem pressa. Falam do pai, dos verões antigos, da chávena partida que nenhum dos dois deitou fora.

Às 23h58, a eletricidade falha. A cidade mergulha numa escuridão mansa. Miguel segura a mão da mãe. Clara senta-se na areia molhada.

Então, algures, alguém começa a tocar piano. Mais longe, alguém bate palmas.

O mundo inteiro prende a respiração.

E o planeta, condenado e belo, termina como uma canção que não queria acabar — estranhamente menos assustador no fim do que algumas vezes pareceu no princípio. 


CNEC 68/41 - 9º Texto

 

Quando acordou, o quarto estava cheio de neve.

Tomás ficou imóvel debaixo dos cobertores, a olhar para o chão branco, para a secretária branca, para o armário que parecia feito de gelo. Piscou os olhos muitas vezes. Talvez ainda estivesse a sonhar. Na noite anterior adormecera a ouvir chuva bater na janela; agora havia flocos a cair lentamente dentro do quarto, silenciosos como penas.

— Mãe? — chamou, com a voz pequena.

Ninguém respondeu.

Levantou-se devagar. O frio mordia-lhe os pés. Na parede, os desenhos que fizera tinham desaparecido. O sol amarelo, o cão torto, o barco vermelho: tudo coberto por neve espessa. Até as fotografias estavam brancas.

Tomás sentiu um aperto estranho no peito. Correu para a cozinha.

A mãe estava sentada à mesa, de casaco vestido, as mãos em volta de uma chávena vazia. Tinha os olhos cansados.

— Mãe… o que aconteceu?

Ela demorou a responder.

— O teu avô morreu esta noite.

Tomás não compreendeu logo. As palavras ficaram no ar, suspensas, como os flocos que continuavam a cair dentro de casa. O avô tinha prometido levá-lo ao rio no domingo. Tinha prometido ensinar-lhe a assobiar com uma folha de oliveira.

— Não — disse Tomás, abanando a cabeça. — Não pode.

Então percebeu. A neve não estava realmente no quarto. Estava dentro dele.

Sentou-se ao colo da mãe e ficou quieto, a ouvir o silêncio enorme da casa. Lá fora, a chuva continuava a cair, mas Tomás jurava que o mundo inteiro tinha ficado branco naquela manhã.

 

quarta-feira, maio 27, 2026

Só para assinalar o aniversário 27.5.26

 Só mesmo para isso, e assim passar despercebido há quanto tempo iniciei este blogue e como continuo igual

domingo, maio 24, 2026

Sexta-feira, 22.5.26 Mandolarian e Grogu

 Mandolarian & Grogu - Star Wars de Jon Favreau, com Pedro Pascal no papel de Din Djarin; Sigourney Weaver, Jeremy Allen White, Jonny Coyne, Brendan Wayne, Dave Filoni, Steve Blum, Hemky Madera, Paul Sun-Hyung Lee e Matthew Willig.

Star Wars - The Mandalorian and Grogu (IMAX 3D)


quarta-feira, maio 20, 2026

CEC 68º/41º - 8- Texto

 

 

Leonor descobriu que era adoptada por causa de um desenho.

Tinha sete anos e estava sentada no chão da sala, rodeada de lápis partidos e folhas amarrotadas. Na escola tinham pedido uma árvore genealógica. Ela desenhara a mãe com cabelo encaracolado, o pai muito alto e um cão que parecia uma nuvem com patas.

— E eu? — perguntou, franzindo a testa. — Pareço com quem?

A pergunta ficou suspensa no ar como roupa esquecida no estendal.

Nessa noite, os pais chamaram-na para a cozinha. Havia chá a arrefecer nas chávenas e uma chuva miudinha contra os vidros.

— Há crianças que nascem da barriga — disse a mãe devagar. — E outras que nascem no coração.

Leonor ficou séria, porque as frases bonitas lhe pareciam às vezes perigosas.

O pai sorriu.

— Tu demoraste um bocadinho mais a chegar até nós.

Contaram-lhe então sobre viagens longas, papéis intermináveis e o dia em que a viram pela primeira vez: uma bebé furiosa, enrolada numa manta verde, a chorar como quem protestava contra o mundo inteiro.

— E vocês escolheram-me? — perguntou.

— Não — respondeu a mãe. — Foi mais estranho do que isso. Quando te pegámos ao colo, sentimos que já eras nossa antes mesmo de te conhecermos.

Leonor pensou um pouco. Depois correu até ao quarto e voltou com o desenho da árvore genealógica.

Pegou num lápis vermelho e desenhou raízes enormes debaixo das figuras.

— Assim fica melhor — disse.

Nessa noite, adormeceu tranquila. Pela primeira vez, percebeu que pertencer a uma família não tinha a ver com ser parecida. Tinha a ver com o lugar onde o coração descansava sem medo.

 

quarta-feira, maio 13, 2026

CNEC 68 - 41 - 7º Texto

 

 

Despediu-se dela numa estação pequena, onde os comboios passavam como animais cansados e deixavam no ar um cheiro metálico de distância. Não houve promessas. Apenas aquele abraço demorado de quem tenta decorar o corpo do outro antes da ausência.

— Volto antes do verão — disse ele.

Ela sorriu como sorri quem já conhece o peso das mentiras involuntárias.

Durante semanas, viveram de chamadas breves e fotografias desfocadas enviadas ao fim da noite. Depois veio o silêncio. Primeiro discreto, quase tímido. Mais tarde, absoluto.

Ela começou a procurá-lo nos lugares improváveis: nos cafés onde costumavam sentar‑se, nas músicas antigas do carro, nas janelas iluminadas dos prédios ao entardecer. Mas havia pessoas que desapareciam devagar, como barcos afastando-se da costa até se confundirem com o nevoeiro.

Meses depois, no último dia de agosto, ela voltou sozinha ao litoral.

A praia estava quase vazia. O vento dobrava os chapéus esquecidos na areia e o mar tinha aquela cor escura das coisas que escondem segredos.

Caminhou junto à água até avistar um homem sentado perto das rochas, de costas para ela.

Sabia que não era ele, mas o coração começou a bater com uma lentidão estranha, como se tivesse medo da verdade.

Lembrou as palavras duras ali trocadas quando ele anunciou a partida.

Então reparou nas marcas antigas na areia endurecida, nas algas presas entre as pedras, no silêncio pesado daquele lugar. E compreendeu, com uma clareza dolorosa, que não fora na estação que o perdera.

Há despedidas que acontecem muito antes das pessoas partirem.

No meio da praia, sem testemunhas além das ondas, foi onde tudo aconteceu.

 

sábado, maio 09, 2026

Sienna Spiro - Die On This Hill

 


CNEC 68/41 - 6º Tema - Mulher acorda de repente o marido a meio da noite

 

Marta acordou o marido aos abanões.

— Bruno! Bruno, acorda!

Ele abriu um olho apenas.

— O prédio está a arder?

— Pior.

Isso acordou-o imediatamente.

— Pior que um incêndio?

Ela apontou para o corredor com ar dramático.

— Está alguém cá em casa.

Bruno suspirou. Com quinze anos de casamento, aprendera que “alguém cá em casa” podia significar um ladrão… ou um gato na varanda a olhar de forma suspeita.

Levantou-se da cama e procurou algo que pudesse servir de arma. Encontrou um guarda-chuva.

— Vais combatê-lo à chuva? — murmurou ela.

— É psicológico. — e avançou corredor fora em cuecas e meias.

A casa estava silenciosa.

Então ouviu-se um som vindo da cozinha.

Tin. Tin. Clac.

Bruno gelou.

— Estás a ouvir? — sussurrou Marta atrás dele.

— Estou.

Outro barulho.

Clac.

Ele respirou fundo e entrou na cozinha preparado para enfrentar o criminoso.

Acendeu a luz.

Silêncio.

Depois olhou para baixo.

O aspirador robô atravessava calmamente o chão, enrolado numa fita de presente vermelha que arrastava atrás de si como uma cauda.

Marta piscou os olhos.

— O que é que ele está a fazer acordado?

Bruno passou a mão pelo rosto.

— Acho que programaste a limpeza automática.

— Às três da manhã?!

O aspirador bateu contra uma cadeira, fez um bip agressivo e mudou de direção como um animal ofendido.

Bruno começou a rir. Primeiro baixinho. Depois sem conseguir parar.

Marta tentou manter a dignidade durante três segundos antes de se rir também.

Nesse instante, o aspirador avançou diretamente contra os pés de Bruno, que deu um salto tão exagerado que caiu sentado no chão.

O aparelho continuou o seu percurso triunfal pela cozinha.

Marta limpou as lágrimas do riso.

— Sabes uma coisa?

— O quê?

— Se um dia formos assassinados por eletrodomésticos, vai ser merecido.

domingo, maio 03, 2026

sexta-feira, maio 01, 2026

quarta-feira, abril 29, 2026

CEC - 68/41 - 5º Texto - Relógio esquecido à entrada da Igreja

 

 

O relógio ficou esquecido no degrau de pedra à entrada da igreja, como um pequeno erro num dia que devia ser perfeito. Antigo, de bolso, com a corrente solta e o vidro marcado pelo tempo, tinha parado às 10:11 — a hora em que tudo deixou de ser o que era suposto.

Dizem que foi o noivo quem o deixou cair. Ou talvez o tenha largado sem perceber, quando o murmúrio começou a crescer dentro da igreja, como vento antes da tempestade.

A noiva entrou vestida de negro.

Não de branco, como mandava a tradição, mas de negro profundo, como se levasse o luto de algo que ainda ninguém entendia. O tecido arrastava-se pelo chão em silêncio, e cada passo parecia apagar uma expectativa. Não havia flores no cabelo. Não havia sorriso. Apenas uma calma estranha, quase luminosa.

O relógio parou nesse instante.

Ninguém soube o que aconteceu depois com clareza. Uns dizem que ela chegou ao altar e nada disse. Outros juram que sorriu — um sorriso breve, indecifrável — antes de se virar e sair, deixando tudo suspenso no ar, como uma frase interrompida.

O noivo não a seguiu.

Ficou imóvel, como o relógio.

Desde então, o objeto permanece ali, à entrada, como um vestígio desse momento que ninguém consegue terminar de contar. Durante o dia, é só um relógio esquecido. Mas à noite, quando a igreja respira o silêncio, há quem diga que ele ainda guarda aquele instante.

Se alguém o abrir, talvez veja um véu escuro a atravessar a luz.

Ou talvez sinta apenas isto: nem todos os começos pedem branco.

E há promessas que só existem quando não se cumprem.

 

domingo, abril 26, 2026

Se ele estivesse comigo de Laura Nowlin - Livros 2026 (4)

 Se ele estivesse comigo de Laura Nowlin (previsivel e um dos piores fins - continuei a ler para confirmar/esperar que o fim fosse diferente)

Se Ele Estivesse Comigo