quinta-feira, agosto 05, 2021

Post 8160 - CNEC 55-27 - 10/10 Um teste

 Dois anos juntos, nem sequer poderia ser a crise dos três anos.

Tinham namorado muito tempo, à volta de cinco anos, mas foi numa altura em que viviam com os seus pais e estavam a estudar em faculdades de cidades diferentes. Viam‑se ao fim-de-semana, e nem todos, e nas férias.

Começaram a trabalhar, ele arranjou um apartamento e juntaram-se. Primeiro, foram felizes. De certeza que sim. Achava que sim. Teria sido ela a pressionar mais por aquele passo? Mas ele não se opusera.

Talvez fossem os problemas, o gerir do dia-a-dia, as contas para pagar.

As coisas entre eles não estavam bem. Ela via a forma como outros casais se davam, mesmo quando a paixão passava havia algo que os unia.

Quando saiam com outros era quando ela se sentia mais sozinha. Não via entre os dois cumplicidade, por qualquer coisa discutiam. Ele parecia mais animado e feliz a conversar com amigos, o homem por quem se apaixonara. Mal voltavam a ser só os dois ele mudava, ficava mais calado e sério.

Às vezes parecia-lhe que ele nem a via. Foi ao pensar nisso que lhe surgiu a ideia. Seria uma espécie de teste. Mudaria algo em si sem avisar, algo drástico e manifesto e veria depois se ele reparava. Esperava que sim, mesmo que fosse para a criticar pela mudança. Nos velhos tempos ele dizia-lhe muitas vezes de como gostava do cabelo dela, comprido e forte. Foi ao Cabeleireiro e cortou-o. Bem curto, esticado e com madeixas claras. Um choque quando se viu ao espelho. Depois até gostou. Parecia mais nova.

Nessa noite tiveram um jantar calmo.

Ele olhou para ela, mas não a viu.

         Enquanto fazia a mala percebeu que não fora ele a chumbar o teste, mas ela que o passara. E foi-se embora. 

terça-feira, agosto 03, 2021

Post 8158 (post em construção)

 

Pescada cozida, com batata, cenoura e bróculos, manteiga ou azeite
Pescada e salmão grelhados com pimento vermelho e abacaxi, batata, cenoura e bróculos cozidos
Tomate picado, alho e cebola, beringelas, sal, óregãos, queijo e azeite no forno
Empadão de carne, tomate cereja

segunda-feira, agosto 02, 2021

Post 8157 - CNEC 56/28 - 2/10 - O Esquilo vermelho

Onde está o esquilo? É o que investigadora da Universidade de Aveiro tenta  descobrir | LOCAL LISBOA | PÚBLICO

 O Esquilo vermelho (imagem do Google)


O esquilo-vermelho extinguiu-se em Portugal no século XVI, mas desde a década de 1980 que se tem expandido novamente por processos naturais e em projectos de reintrodução.

Vivendo no interior do Pais, no meio rural, seria de esperar que pelo menos tivesse visto um.

Soube do desafio já não sei bem como, se saiu no jornal local ou alguém me falou dele. Só tínhamos de encontrar um e conseguir fotografá-lo. Aquele que conseguisse a melhor fotografia iria receber um prémio.

Na Vila ficaram todos animados. Encheram-se os caminhos com homens, mulheres e crianças, munidos de telemóveis e máquinas fotográficas.

Também eu resolvi tentar. Esperava que por sorte um se me atravessasse pela frente, mas nem avistei fosse o que fosse.

Soube que já havia resultados. Vi algumas das fotografias a grande distância onde pouco ou nada se distinguia.

Mais insistentemente procurei-o. Sempre em vão.

Senti-me então tentado, qual ideia tenebrosa, mas irresistível a prosseguir para o impensável.

Procurei o Teddy e encontrei-o. Desprezado pela minha neta mais nova, repousava numa caixa no sótão. Com uma gola de pele antiga da minha mulher cosi-lhe uma cauda e tingi-o de vermelho. Levei-o para longe e montei a cena. Coloquei-o junto a uma árvore, meio coberto por ramos e ervas. Afastei-me para o fotografar, e foi então, que ao seu lado, inacreditavelmente, a poucos passos, vi que aparecera um real. A alegria foi de tal ordem que não vi mais nada. Tê-lo-ei fotografado talvez dez vezes antes que fugisse. Corri para a vila e em casa fui ver as fotografias para escolher a melhor.

Infelizmente tinha-me esquecido do Teddy. Em todas as fotografias, bem mais visível que o real, lá aparecia ele, e se aumentava a fotografia para que se visse o esquilo, percebia-se que o Teddy era um peluche…

domingo, agosto 01, 2021

Post 8156 - Desafio dos Pássaros 03 - Tema 7

 Um negacionista, um padre e o Gustavo Santos entram num bar... 

Não se conhecem, mas o Gustavo Santos não resiste a exibir-se, oferecendo-se para lhes dar um autógrafo. Como não sabiam quem ele era, vê-se obrigado a apresentar-se num pequeno discurso de quinze minutos.

Gustavo Santos tenta convertê-los ao seu modo de pensar, sublinhando o que têm em comum.

O Negacionista revela-se muito negativo, e não quer sequer ouvi-lo.

O Padre está a passar por uma pequena crise de fé. De início fingiu que tinha ido ao Bar à procura de um fiel a passar por um mau momento. Acaba por assumir que é ele que anda a beber demais. O Gustava Santos aponta-lhe o exemplo do Padre que pratica exercício físico e vai à televisão, de que agora não me lembro o nome.

Enquanto a noite passa e vão emborcando uns finos ficam os três convencidos que têm algo em comum.

Na manhã seguinte já não se lembram bem do que seria e sobre se realmente se terão encontrado...

Post 8155 - 1 de Agosto de 2021

 Breve saída em dia de frio e chuva. Saí equipada, notei as ruas mais vazias e algumas pessoas surpreendidas pelo tempo, de mangas curtas, pernas descobertas, e sem guarda-chuva (nota positiva - chuva lavou carrinho que estava a precisar depois de ataque de pombas e/ou gaivotas)

sábado, julho 31, 2021

Post 8154

Em férias até meados de Agosto... 

sexta-feira, julho 30, 2021

Post 8153 - Divulgação - livros

 Colecção Mil Folhas de regresso:

 A Gorda de Isabel Figueiredo

Os interessantes de Meg Wolitzer

Némesis de Philip Roth

O Pianista de Hotel de Rodrigo Guedes de Carvalho

Correcções de Jonathan Franzen

Um Cavalo entra num bar de David Grossman

Sputnik, meu amor de Haruki Murakami

Pequena Abelha de Chris Cleave

O último acto em Lisboa de Robert Wilson

Versículos Satânicos de Salman Rushdie

O Planalto e a Estepe de Pepetela

Perguntem a Sarah Gross de João Pinto Coelho


quarta-feira, julho 28, 2021

Post 8151 - CNEC 55/27 - 9/10 - Festa

Eramos poucos e por isso a sua presença foi logo notada. Como uma nuvem a tapar o sol e a temperatura a descer subitamente.

A festa era no jardim, buffet de salgados e churrasco,

Seria da empresa de catering? Fora eu que recebera os funcionários e conhecia-os.

Quando a vi agarrar um croquete e sentar-se perto da piscina, deduzi que não o seria.

Olhámos uns para os outros com a mesma interrogação. Quem a trouxera? Era convidada de algum de nós? Mesmo parecendo-me pouco provável admiti que o meu cunhado Jaime pudesse ter trazido uma nova namorada. Ela não parecia encaixar nessa categoria Roupa escura, rosto fechado, mesmo enquanto comia o croquete, embrulhada em silêncio. E o Jaime também estava perplexo.

Escolheram-me a mim para “falar com ela”.

Mas o que é que eu lhe digo?

Primeiro vou beber mais um gin para pensar nisto.

Enquanto o bebia, olhei disfarçadamente na sua direcção. Estava bem vestida. Entretanto agarrara mais um croquete e reposicionara-se perto do grelhador. Não parecia nada incomodada por não nos conhecer. Ter-se-ia enganado na casa? Arranjei mais um gin. Se calhar ela devia estar a ir para uma festa ao lado. Olhei à volta, tentei ouvir música, ou vozes, algo que indicasse que um dos nossos vizinhos também festejava.

Mais um gin e fui ao seu encontro. Pesava-me a cabeça. Talvez tivesse exagerado nos gins.

Ia para falar quando ela tomou a iniciativa:

- Quando começam com o churrasco?

Balbuciei: “você errada festa”, mas posso ter omitido alguns dos sons que compunham as palavras, nem eu percebi bem o que dizia.

- Ela acenou e começou a grelhar a carne.

Saiu-se muito bem e adiámos confrontá-la.

Desapareceu como chegara. Nunca chegámos a saber quem era.

Ficámos com alguma esperança que voltasse para o esclarecer num novo churrasco.


segunda-feira, julho 26, 2021

Post 8149 - CNEC 56/28 - 1/10 Férias

 

- No anúncio parecia um bocadinho grande, mas antes grande que pequena, certo?

- Ouve bem, é a última vez que tratas do alojamento!

Em quase todas as viagens de férias havia discussões. Naquele ano o pai deixou para a mãe arranjar a casa. Disse que não tinha tempo, mas queria era vingar-se do ano passado. Fora ele a tratar tudo. Fomos para a casa de uns familiares de um conhecido. Caro e horrível, queixou-a a mãe o tempo todo. O pior foi que eles, uma família inteira, se mudaram para uns arrumos atrás. Dali era impossível não ouvirem as reclamações e discussões. O chuveiro estava furado, a banca entupida. Para cúmulo o meu irmão mais novo estragou a cortina da entrada. Era uma cortina com contas coloridas e ele passou o tempo todo a entrar e a sair, empurrando e puxando a cortina até que a desgraçada não aguentou. Ficou bem cara a brincadeira – palavras da nossa mãe, que teve de a pagar como se fosse nova.

Naquele ano era pois a mãe que escolhia onde íamos ficar.

Parecia ter acertado quando chegámos. À nossa frente uma casa enorme, praticamente um prédio e o rés-do-chão seria todo para nós. Lá dentro uma sala enorme, com televisão, dois quartos compridos com camas estreitas, cozinha equipada embora pequena.

Até que nos apercebemos da carrinha vermelha estacionada à frente.

Por cima de nós ficava o quartel dos bombeiros!

Foi o melhor verão de sempre. Eu e o meu irmão acostumámo-nos logo ao troar da campainha que fazia vibrar as paredes. Os nossos pais, estranhamente, não.

E de noite ainda era mais emocionante.

Uma vez em que iam abastecer, deixaram-nos ir na carrinha. A nossa mãe levou um grande susto.

Infelizmente, os nossos pais puseram-se depois de acordo em não voltarmos nunca mais… 

sábado, julho 24, 2021

quinta-feira, julho 22, 2021

Post 8144 - CNEC 55/27 - 8/10 Despedida

 Chegou finalmente a hora de nos despedirmos.

Não vou ter saudades de ti. Vou procurar esquecer todos os maus momentos. Sei que será difícil, que talvez voltem para me assombrar, mas mesmo assim vou tentar.

É também por isso que decidi escrever este texto ou carta. Para me libertar, como um sinal do que quero deixar para trás. Todavia penso queimá-la assim que a acabar de escrever. Guardá-la não faria sentido. E haverá força no fogo e significado no fumo.

Nem todos os dias foram de gelo e tempestade, dor e raiva. Terão existido alguns instantes de alegria ou felicidade. Esses, mesmo raros, não quero perdê-los.

Lembrá-los faz-me sentir grata. Falar deles, escrever sobre eles, assusta-me, porque ao contrário dos outros me parecem tão frágeis e preciosos. Sei que às vezes até as memórias podem mudar, consoante a luz que no futuro as ilumina e interpreta. Não quero que esses mudem, mas que continuem a brilhar e a confortar-me se precisar, quando precisar.

Que mudem antes os maus, se reduzam à maior insignificância.

E pensando no futuro, vai ser diferente, vou ser diferente.

Não repetirei os mesmos erros.

Não postergarei nunca mais, especialmente os textos para o campeonato de escrita criativa. Nunca mais deixarei nada para o último momento! Iniciarei a escrita assim que receber o email com o tema!

Portanto adeus ano velho. Quase, quase, vão soar as doze badaladas, como que o mundo para na espera, a rua vazia de carros e gente, já escuto a primeira, e num ápice és passado.

terça-feira, julho 20, 2021

Post 8142 - Livros 2021 (18) A Noiva Errada de Mary Simses

 A Noiva Errada de Mary Simses

(bem escrito, mas demasiado previsível)

segunda-feira, julho 19, 2021

Post 8141 - Divulgação, Novo Campeonato de Escrita Criativa

 Vai começar mais um, que será o 56º (ainda me faltam três temas para terminar o 55º)

Ver mais AQUI

domingo, julho 18, 2021

sábado, julho 17, 2021

Post 8139

 Na série O Alienista

When I am dead, my dearest

When I am dead, my dearest,
Sing no sad songs for me;
Plant thou no roses at my head,
Nor shady cypress tree:
Be the green grass above me
With showers and dewdrops wet;
And if thou wilt, remember,
And if thou wilt, forget.

I shall not see the shadows,
I shall not feel the rain;
I shall not hear the nightingale
Sing on, as if in pain:
And dreaming through the twilight
That doth not rise nor set,
Haply I may remember,
And haply may forget.

sexta-feira, julho 16, 2021

Post - Desafio dos Pássaros 03 - Tema 6 ou 5

        Seria mesmo ele?

Parecia o Bill Gates. Mas porque estaria ele ali numa estação de serviço, à noite, numa auto-estrada para o Porto?

Estava com dois outros homens e tinham-se sentado uma mesa do canto. Um deles fora buscar café para os três, trouxera também uma nata, mas nenhum deles a comera, olhavam para ela meio de lado.

Além deles e de mim, não havia mais clientes. Ainda assim não pareceram suspeitar que em vinte mesas livres, fosse escolher a que ficava mesmo ao lado deles.

Tentei escutar o que diziam. Falavam em inglês. Recorri ao que aprendi na escola para ir traduzindo.

- A Xana Toc Toc alinha? Perguntou um deles.

- Ainda não falei com ela, mas de certeza vai alinhar e com ela vamos ganhar os miúdos, respondeu o outro.

Ouvi então a voz do Bill Gates tal como soava na televisão:

- Vamos substituir todas estas natas pelas que são feitas com fungos. Afirmou assertivo.

E continuou: Depois passaremos para os frangos e hambúrgueres. Os fungos são nutritivos e não gastam recursos da Terra como outros alimentos.

Os outros dois acenaram em concordância. O primeiro, o que estava mais perto de mim, disse baixo, tão baixo que se calhar só ele e eu ouvimos, “só é pena não saberem ao mesmo”.

- E o café? Perguntou o primeiro, do desabafo sentido.

- E a coca-cola? Perguntou o segundo. O desabafo e comentários lembraram-me os polichinelos.

- Lá chegaremos! Concluiu o Bill Gates.

Os três levantaram-se e saíram em direcção ao carro elétrico estacionado ao pé da entrada.

Reparei que um deles parecia ter a boca cheia, mas que o disfarçava.

Na mesa, o pratinho vazio acusava a falta da nata.

 

quarta-feira, julho 14, 2021

Post 8136

Um post por dia por causa do "Movimento um post por dia até ao fim do Covid"

Ver AQUI 


terça-feira, julho 13, 2021

Post 8135

 (tentar fazer pelo menos um post por dia até que o Covid passe não é fácil...)

segunda-feira, julho 12, 2021

Post 8134 - CNEC 55/27 - 7/10 - Para sempre

 (post em construção)


Adivinharam-se, antes de conhecerem-se.

Por amor cruzaram mares, travaram guerras,

até ficarem juntos para sempre.


domingo, julho 11, 2021

Post 8133

 E já fui vacinada.

Um pouco preocupada com as notícias na televisão e o relatado por alguns colegas  sobre haver quem esperou quatro ou cinco horas, apresentei-me na hora marcada e em poucos minutos já estava a ir para a sala de espera por meia hora, com dois livros (a maior parte das pessoas por lá entretinha-se com os telemóveis).

Por enquanto, apenas uma leve dor no braço, sentida sobretudo quando o levanto e nada mais.

sexta-feira, julho 09, 2021

quinta-feira, julho 08, 2021

Post 8130 - CNEC 55/27 - 6/10 - Um erro no nome ou no endereço

 Um erro no nome ou no endereço

 

 

Estava perturbada quando a escreveu. Fê-lo à mão. Riscou algumas palavras, entrelinhou uma outra, sublinhou a parte que lhe parecia mais importante. Ao olhar para o papel lembrou-se dos rascunhos do tempo de escola, mas não podia passá-la a limpo. Se o fizesse ainda perdia a coragem e não a mandava.

Fora boa aluna na escola. Cuidava bem dos livros, enchia os cadernos com uma letra redonda, substituía os pontos do “i” por corações. Onde estava aquela menina que acreditava em histórias cor-de-rosa e finais felizes?

Via-a nas fotografias e nas recordações, mas não lembrava do que sentia quando era ela, tornara-se tão irreal como as personagens dos livros de romance que já não lia.

 

Não assinou e não escreveu o seu nome no envelope. Deixou o lugar do remetente em branco.

Se a lessem, quando a lessem, corrigiu-se mentalmente, saberiam que era dela, saberiam de quem falava.

Lembrou-se de algumas frases: “ajudem-me”, sublinhou essa palavra, e a seguir numa letra mais pequena escrevera “ele ainda me mata”.

Esperou que alguém viesse. Entretanto esforçava-se para fazer tudo como ele queria, na casa e na cama. Já sabia que se ele bebia, não lhe ia servir de nada. Queria tornar-se invisível, confundir-se com os móveis. A esperança da resposta às vezes até lhe doía. Lembrava-a que podia ser diferente.

Esperou e ninguém vinha.

Não percebia porquê. Vira o nome da Associação na televisão. Ali na terra não podia recorrer à guarda. Os colegas dele nunca a escutariam.

Tentou lembrar-se do que escrevera, se escrevera mal o nome, se escrevera mal o endereço para onde iria?

Ouviu barulho. Ele vinha mais cedo para casa?

A porta abriu-se. Na mão dele a carta.

 

quarta-feira, julho 07, 2021

Post 8129 - Como é que para o dia de hoje não há um doodle no Google?

 Hoje é o Dia Mundial do:


CHOCOLATE!

Dia Mundial do Chocolate


Há promoções na Hussel e na Arcádia