Concerto Candlelight
Vivaldi, Bach, Mozart, Beethoven, Tchaikovsky, Debussy e Ravel
"Quem tropeça é sempre alguém que se distrai a olhar para as estrelas" Vladimir Nabokov (nome do blogue veio do livro para crianças de Virgínia de Castro e Almeida)
Concerto Candlelight
Vivaldi, Bach, Mozart, Beethoven, Tchaikovsky, Debussy e Ravel
.
São 22h59.
O telemóvel
vibra pela última vez. Não há sirenes, nem trombetas, nem fogo a rasgar o céu.
Apenas uma notificação enviada para todos os países, em todas as línguas:
“Às 23h59, o
mundo terminará.”
Miguel lê a
frase três vezes, como quem espera encontrar um erro ortográfico que salve a
humanidade.
Clara lê-a
sentada num banco de jardim. Depois
olha em volta, desconfiada, mas a noite continua azul-escura e as árvores
continuam a derramar folhas sobre os carros.
Há roupa
esquecida nos estendais a respirar o vento. Um semáforo permanece vermelho para
carros que já não conhecerão amanhã.
A mãe de
Miguel telefona.
— Vens cá?
Ele quase
responde “amanhã”, mas a palavra morreu primeiro.
Sai para a
rua. Há pessoas a correr para algum lado e outras completamente imóveis, como
estátuas cansadas. Um grupo canta na praça. Vê casais abraçados como náufragos.
Um rapaz rouba flores de um jardim para as oferecer a desconhecidos.
Clara decide
caminhar até ao mar. Sempre acreditou que os finais pertencem à água.
O mar aparece enfim diante dela: negro,
imenso, respirando devagar. Clara pensa em todas as coisas pequenas que nunca
salvou — cartas por enviar, beijos adiados, domingos desperdiçados.
Às 23h32,
Miguel chega a casa da mãe. Ela fez arroz-doce.
Comem
devagar. Pela primeira vez em anos, conversam sem pressa. Falam do pai, dos
verões antigos, da chávena partida que nenhum dos dois deitou fora.
Às 23h58, a
eletricidade falha. A cidade mergulha numa escuridão mansa. Miguel segura a mão
da mãe. Clara senta-se na areia molhada.
Então,
algures, alguém começa a tocar piano. Mais longe, alguém bate palmas.
O mundo
inteiro prende a respiração.
E o planeta, condenado e belo, termina como uma canção que não queria acabar — estranhamente menos assustador no fim do que algumas vezes pareceu no princípio.
Quando acordou, o quarto estava cheio de
neve.
Tomás ficou imóvel debaixo dos cobertores, a
olhar para o chão branco, para a secretária branca, para o armário que parecia
feito de gelo. Piscou os olhos muitas vezes. Talvez ainda estivesse a sonhar.
Na noite anterior adormecera a ouvir chuva bater na janela; agora havia flocos
a cair lentamente dentro do quarto, silenciosos como penas.
— Mãe? — chamou, com a voz pequena.
Ninguém respondeu.
Levantou-se devagar. O frio mordia-lhe os
pés. Na parede, os desenhos que fizera tinham desaparecido. O sol amarelo, o
cão torto, o barco vermelho: tudo coberto por neve espessa. Até as fotografias
estavam brancas.
Tomás sentiu um aperto estranho no peito.
Correu para a cozinha.
A mãe estava sentada à mesa, de casaco vestido,
as mãos em volta de uma chávena vazia. Tinha os olhos cansados.
— Mãe… o que aconteceu?
Ela demorou a responder.
— O teu avô morreu esta noite.
Tomás não compreendeu logo. As palavras
ficaram no ar, suspensas, como os flocos que continuavam a cair dentro de casa.
O avô tinha prometido levá-lo ao rio no domingo. Tinha prometido ensinar-lhe a
assobiar com uma folha de oliveira.
— Não — disse Tomás, abanando a cabeça. — Não
pode.
Então percebeu. A neve não estava realmente
no quarto. Estava dentro dele.
Sentou-se ao colo da mãe e ficou quieto, a
ouvir o silêncio enorme da casa. Lá fora, a chuva continuava a cair, mas Tomás
jurava que o mundo inteiro tinha ficado branco naquela manhã.
Só mesmo para isso, e assim passar despercebido há quanto tempo iniciei este blogue e como continuo igual
Mandolarian & Grogu - Star Wars de Jon Favreau, com Pedro Pascal no papel de Din Djarin; Sigourney Weaver, Jeremy Allen White, Jonny Coyne, Brendan Wayne, Dave Filoni, Steve Blum, Hemky Madera, Paul Sun-Hyung Lee e Matthew Willig.
Leonor descobriu que era adoptada por causa de um desenho.
Tinha sete anos e estava sentada no chão da sala, rodeada de lápis partidos
e folhas amarrotadas. Na escola tinham pedido uma árvore genealógica. Ela
desenhara a mãe com cabelo encaracolado, o pai muito alto e um cão que parecia
uma nuvem com patas.
— E eu? — perguntou, franzindo a testa. — Pareço com quem?
A pergunta ficou suspensa no ar como roupa esquecida no estendal.
Nessa noite, os pais chamaram-na para a cozinha. Havia chá a arrefecer nas
chávenas e uma chuva miudinha contra os vidros.
— Há crianças que nascem da barriga — disse a mãe devagar. — E outras que
nascem no coração.
Leonor ficou séria, porque as frases bonitas lhe pareciam às vezes
perigosas.
O pai sorriu.
— Tu demoraste um bocadinho mais a chegar até nós.
Contaram-lhe então sobre viagens longas, papéis intermináveis e o dia em que
a viram pela primeira vez: uma bebé furiosa, enrolada numa manta verde, a
chorar como quem protestava contra o mundo inteiro.
— E vocês escolheram-me? — perguntou.
— Não — respondeu a mãe. — Foi mais estranho do que isso. Quando te pegámos
ao colo, sentimos que já eras nossa antes mesmo de te conhecermos.
Leonor pensou um pouco. Depois correu até ao quarto e voltou com o desenho
da árvore genealógica.
Pegou num lápis vermelho e desenhou raízes enormes debaixo das figuras.
— Assim fica melhor — disse.
Nessa noite, adormeceu tranquila. Pela primeira vez, percebeu que pertencer
a uma família não tinha a ver com ser parecida. Tinha a ver com o lugar onde o
coração descansava sem medo.
Despediu-se
dela numa estação pequena, onde os comboios passavam como animais cansados e
deixavam no ar um cheiro metálico de distância. Não houve promessas. Apenas
aquele abraço demorado de quem tenta decorar o corpo do outro antes da ausência.
— Volto
antes do verão — disse ele.
Ela sorriu
como sorri quem já conhece o peso das mentiras involuntárias.
Durante
semanas, viveram de chamadas breves e fotografias desfocadas enviadas ao fim da
noite. Depois veio o silêncio. Primeiro discreto, quase tímido. Mais tarde,
absoluto.
Ela começou
a procurá-lo nos lugares improváveis: nos cafés onde costumavam sentar‑se, nas
músicas antigas do carro, nas janelas iluminadas dos prédios ao entardecer. Mas
havia pessoas que desapareciam devagar, como barcos afastando-se da costa até
se confundirem com o nevoeiro.
Meses
depois, no último dia de agosto, ela voltou sozinha ao litoral.
A praia
estava quase vazia. O vento dobrava os chapéus esquecidos na areia e o mar
tinha aquela cor escura das coisas que escondem segredos.
Caminhou
junto à água até avistar um homem sentado perto das rochas, de costas para ela.
Sabia que
não era ele, mas o coração começou a bater com uma lentidão estranha, como se
tivesse medo da verdade.
Lembrou as
palavras duras ali trocadas quando ele anunciou a partida.
Então
reparou nas marcas antigas na areia endurecida, nas algas presas entre as pedras,
no silêncio pesado daquele lugar. E compreendeu, com uma clareza dolorosa, que
não fora na estação que o perdera.
Há
despedidas que acontecem muito antes das pessoas partirem.
No meio da
praia, sem testemunhas além das ondas, foi onde tudo aconteceu.
Marta acordou o marido aos abanões.
— Bruno! Bruno, acorda!
Ele abriu um olho apenas.
— O prédio está a arder?
— Pior.
Isso acordou-o imediatamente.
— Pior que um incêndio?
Ela apontou para o corredor com ar dramático.
— Está alguém cá em casa.
Bruno suspirou. Com quinze anos de casamento, aprendera que “alguém cá em
casa” podia significar um ladrão… ou um gato na varanda a olhar de forma
suspeita.
Levantou-se
da cama e procurou algo que pudesse servir de arma. Encontrou um guarda-chuva.
— Vais combatê-lo
à chuva? — murmurou ela.
— É psicológico. — e avançou corredor fora em cuecas e meias.
A casa estava silenciosa.
Então ouviu-se um som vindo da cozinha.
Tin. Tin. Clac.
Bruno gelou.
— Estás a ouvir? — sussurrou Marta atrás dele.
— Estou.
Outro barulho.
Clac.
Ele respirou fundo e entrou na cozinha preparado para enfrentar o criminoso.
Acendeu a luz.
Silêncio.
Depois olhou para baixo.
O aspirador robô atravessava calmamente o chão, enrolado numa fita de
presente vermelha que arrastava atrás de si como uma cauda.
Marta piscou os olhos.
— O que é que ele está a fazer acordado?
Bruno passou a mão pelo rosto.
— Acho que programaste a limpeza automática.
— Às três da manhã?!
O aspirador bateu contra uma cadeira, fez um bip agressivo e mudou de
direção como um animal ofendido.
Bruno começou a rir. Primeiro baixinho. Depois sem conseguir parar.
Marta tentou manter a dignidade durante três segundos antes de se rir
também.
Nesse instante, o aspirador avançou diretamente contra os pés de Bruno, que
deu um salto tão exagerado que caiu sentado no chão.
O aparelho continuou o seu percurso triunfal pela cozinha.
Marta limpou as lágrimas do riso.
— Sabes uma coisa?
— O quê?
— Se um dia formos assassinados por eletrodomésticos, vai ser merecido.
O relógio
ficou esquecido no degrau de pedra à entrada da igreja, como um pequeno erro
num dia que devia ser perfeito. Antigo, de bolso, com a corrente solta e o
vidro marcado pelo tempo, tinha parado às 10:11 — a hora em que tudo deixou de
ser o que era suposto.
Dizem que
foi o noivo quem o deixou cair. Ou talvez o tenha largado sem perceber, quando
o murmúrio começou a crescer dentro da igreja, como vento antes da tempestade.
A noiva
entrou vestida de negro.
Não de
branco, como mandava a tradição, mas de negro profundo, como se levasse o luto
de algo que ainda ninguém entendia. O tecido arrastava-se pelo chão em
silêncio, e cada passo parecia apagar uma expectativa. Não havia flores no
cabelo. Não havia sorriso. Apenas uma calma estranha, quase luminosa.
O relógio
parou nesse instante.
Ninguém
soube o que aconteceu depois com clareza. Uns dizem que ela chegou ao altar e
nada disse. Outros juram que sorriu — um sorriso breve, indecifrável — antes de
se virar e sair, deixando tudo suspenso no ar, como uma frase interrompida.
O noivo não
a seguiu.
Ficou
imóvel, como o relógio.
Desde então,
o objeto permanece ali, à entrada, como um vestígio desse momento que ninguém
consegue terminar de contar. Durante o dia, é só um relógio esquecido. Mas à
noite, quando a igreja respira o silêncio, há quem diga que ele ainda guarda
aquele instante.
Se alguém o
abrir, talvez veja um véu escuro a atravessar a luz.
Ou talvez
sinta apenas isto: nem todos os começos pedem branco.
E há
promessas que só existem quando não se cumprem.
Se ele estivesse comigo de Laura Nowlin (previsivel e um dos piores fins - continuei a ler para confirmar/esperar que o fim fosse diferente)
O carro avançava lentamente pela estrada deserta,
como se hesitasse a cada metro percorrido. De um lado, campos secos e do outro,
uma linha interminável de árvores retorcidas.
À medida que a noite caía, a estrada tornava-se
ainda mais estreita, como se quisesse engolir o carro. Os faróis iluminavam
apenas alguns metros à frente, revelando curvas inesperadas e sombras que
pareciam mover-se por conta própria.
Foi então que o rádio começou a chiar sem motivo e
uma voz atravessou a estática, baixa e irregular, como se falasse de muito
longe.
“Se estás a ouvir isto, não pares.”
Ele franziu o sobrolho, ajustou o volume. A estrada permanecia vazia.
Pensou em desligar, mas a voz voltou.
“Já passaste por mim.”
Um arrepio subiu-lhe pela nuca. Olhou pelo retrovisor. Nada. Apenas o rasto
escuro da estrada e a poeira suspensa, como um eco físico do movimento.
Continuou a conduzir.
Os quilómetros repetiam-se, indistintos, até que viu algo à frente: um
carro parado na berma. Aproximou-se devagar. Era igual ao seu. Mesma cor, mesmo
modelo.
Parou, contra o aviso da voz.
O motor desligou-se com um suspiro. Saiu, o silêncio caiu pesado à sua
volta. Aproximou-se do outro carro. A porta estava entreaberta.
“Não devias ter parado.”
A voz agora vinha de trás dele.
Virou-se depressa, mas não havia ninguém. Só o seu carro… com o motor
novamente ligado.
E alguém lá dentro.
A figura ao volante tinha o seu rosto, imóvel, olhando em frente como quem
espera um sinal. O rádio crepitava.
Ele recuou, o coração descompassado, sem saber qual dos dois era o erro.
Então, o carro — o seu carro — arrancou sozinho, desaparecendo pela estrada
como se nunca tivesse hesitado.
Ficou ali, ao lado da cópia silenciosa, com a sensação inquietante de que a
viagem continuava.
Só que sem ele.
A casa veio na herança dos tios
avós.
Era velha, mas sólida.
Hesitaram só um pouco, até optarem
por deixar o pequeno apartamento arrendado na cidade. A casa ficava mais longe,
mas compensava a distância com o espaço. A mudança foi rápida e só depois de
instalados é que começaram a descobrir todos os cantos.
Na cave havia um quarto fechado.
Aparentava estar assim há anos, talvez mesmo décadas.
Não havia chave, apenas histórias.
De vizinhos e parente mais velhos ouviram que o quarto guardava riquezas
esquecidas, segredos de família ou até algo perigoso demais para ser revelado.
Com o passar dos anos, o mistério tinha crescido mais do que a própria casa.
Quando finalmente decidiram
arrombá-la, o silêncio que antecedeu o estalo da madeira foi quase solene. A
poeira levantou-se no ar enquanto a porta cedia lentamente.
Todos prenderam a respiração,
preparados para encontrar qualquer coisa — exceto o que realmente estava lá
dentro.
O quarto estava vazio.
Nenhum móvel, nenhum baú, nenhum
vestígio de algo extraordinário. Apenas paredes nuas, marcadas pelo tempo. No
chão, nada além de um leve desenho no pó, como se alguém tivesse caminhado ali
há muito tempo.
A decepção espalhou-se primeiro,
seguida de confusão. Como podia um espaço tão guardado não conter nada? Mas, à
medida que o silêncio voltava, uma sensação diferente surgiu — algo quase
inquietante.
Talvez o segredo nunca tenha sido o
que estava dentro do quarto, mas o próprio ato de mantê-lo fechado. O vazio
parecia carregar um peso invisível, como se todas as expectativas, medos e
histórias criadas ao longo dos anos ainda habitassem aquele espaço.
E, naquele instante, perceberam: o
quarto não estava vazio.
Estava cheio de tudo aquilo que
nunca chegou a existir.
Chegou antes
da hora marcada pelo silêncio.
— Não havia trânsito — disse, como se a cidade tivesse aberto caminho para a
ver partir mais depressa.
(Pousou as
chaves. O som é pequeno, mas ficou a ecoar na mesa, como se algo tivesse sido
decidido ali.)
Olhou à
volta (mas não para mim)
(O relógio
não marca o tempo — fere-o, segundo a segundo. Eu endireito a chávena só para
tocar em alguma coisa que não doa.)
— Queres
café?
— Se já estiver feito.
— Está.
(Mas nada está pronto. Nem o café, nem nós.)
— A casa está…
diferente.
— Mudei pouca coisa.
— Nota-se — disse, olhando para tudo menos para onde fomos deixados.
— E tu?
— O que tem?
— Estás… bem?
— Estou.
(Mentimos
com a delicadeza de quem já treinou.)
— Recebeste
a minha mensagem?
— Recebi.
— E?
— Li.
(Os meus
dedos percorrem a chávena como se fosse possível ler o futuro na porcelana.
Sentes isso, eu sei. Desvias o olhar.)
— Pensei que
talvez…
— Não.
(A palavra
cai inteira, sem piedade.)
— Certo.
(Um carro
passa lá fora — leva consigo tudo o que não fomos capazes de dizer.)
— Ficas
muito tempo?
— Não.
— Tens para onde ir?
— Tenho.
(Aceno. Um
gesto mínimo, quase invisível — como tudo o que ainda nos resta.)
— Ainda
funciona?
— O quê?
— Aquilo… que éramos.
(Olho-te,
finalmente. E nesse instante, tudo volta — intacto e inútil.)
— Nunca
deixou de funcionar.
(Sorris, mas
falta-te metade — a parte que ficou comigo, talvez.)
— Então
porquê—
— O café vai arrefecer.
(O silêncio
regressa. Mais denso. Mais honesto.)
— Eu posso
aquecer.
— Eu sei.
(Pego na
chávena. Não bebo. Não há calor que resolva isto.)
(O relógio continua a insistir naquilo que já
acabou.)
— Bem…
— Pois.
Não voltou a
pegar nas chaves.
— Adeus.
— Até logo.
(Nenhum de
nós acredita.)
(E as
palavras, essas, mentem por nós — com uma suavidade que quase parece verdade.)
1º Texto
Foram dias estranhos com céus
cinzentos escondendo sinais.
Primeiro ano na faculdade e longe
de casa.
Pais ocupados com os seus
trabalhos, confiando que seria igual ao irmão e logo teria um diploma.
Havia uma amiga, ou conhecida? Não
tinham muito em comum. Marta, era esse o seu nome, queria deixar para trás a
pessoa que fora no liceu, não lhe dava jeito nenhum que ela aparecesse a
lembrar que as duas eram o inverso de populares, e se escondiam no fundo da
sala e nas sombras do recreio. Marta mudara. Tanto que não eram mais as duas em
nada.
Foi-lhe concedida a graça ou
castigo da invisibilidade. Passava entre colegas e professores, e ninguém a
via. Ouvia alguns em conversas e risos que não entendia.
Não participava nas aulas práticas,
quase faltou às frequências e as notas nem lhe permitiam ir às orais. Mas disse
aos pais que estava tudo bem, que como contavam, passaria de ano. Os dias iam
passando e se nada sucedesse, iram saber que chumbava sem fazer nem uma
cadeira.
Leu numa revista que o benuron podia
matar. Um sinal também de que era o caminho certo.
Achou que seria mais fácil com
álcool, embora não estivesse habituada a beber.
Faltava a mensagem, a mensagem que
seria a última.
Tremia-lhe a caneta entre os dedos
enquanto olhava para a folha em branco. Não sabia o que dizer.
Acabou por escrever apenas
Desculpem.
Engoliu os comprimidos, todos da
caixa, com o vinho.
Pouco depois sentiu-se tão mal que
achou que morria.
Vomitou.
E para cima da carta que ficou
destruída.
Ainda pensou que a última mensagem acabar
assim teria algum significado.
Mas por sorte nos dias que se
seguiram, no resto da sua vida, deixou de ver sinais nos céus cinzentos.
Projeto Hail Mary
Ryan Gosling é Ryland Grace, um professor que tem por missão salvar o mundo, da ameaça dos "astrophage" com a ajuda de Rocky, de Erin. Baseado no livro de Andy Weir, realizado por Phil Lord e Christopher Miller, com Sandra Huller, Milana Vayntrub, Isla McRae e Bastian Antonio Fuentes
Doce Perdão de Lori Nelson Spielman