"Quem tropeça é sempre alguém que se distrai a olhar para as estrelas" Vladimir Nabokov (nome do blogue veio do livro para crianças de Virgínia de Castro e Almeida)
sábado, novembro 25, 2017
quinta-feira, novembro 23, 2017
Post 6465 - Desafio 1/10 Vida
As mãos, estranhamente
tremiam.
Olhou para elas,
brancas, com as articulações dos dedos salientes, transpareciam as veias azuis,
evidenciavam-se os pontos castanhos nelas semeados.
Orgulhara-se da sua
força e da sua delicadeza.
No trabalho conseguia operar
todas as máquinas que o exigiam. Tinham-no até referido no seu discurso da
despedida.
Houve uma altura em que
com apenas uma das mãos segurara o seu filho, bebé recém-nascido. Continuara
depois a ser capaz de o erguer do chão numa brincadeira só dos dois, utilizando
de seguida as duas mãos para o colocar às cavalitas.
O filho crescera e
entre eles tinha-se instalado uma reserva pesada.
Fora capaz com elas de
acariciar tão levemente o rosto da mulher, que apenas os dois o viam. Com um
toque assim se despediu, a frieza da face dela a dizer-lhe que a partir dali só
ele o sabia.
Olhava pouco para si
próprio sobretudo desde que deixara de fazer a barba. No pequeno espelho da
casa de banho, embaciado pelo vapor da água e pelo tempo, mal se via.
Reconhecia o seu reflexo, mas não tinha notado como mudara.
Naquela segunda-feira
fora às compras como costumava fazer todas as semanas.
Voltara apenas com dois
sacos plásticos, pouco cheios.
Custou-lhe mais do que
se lembrava subir os dois lances de escadas. Atribuiu-o ao tabaco, mau hábito que
ainda não deixara, e ao frio.
Pousou os sacos junto à
porta, enquanto procurava a chave no bolso do casaco.
E foi então que o
notou, aquele tremor bem visível. Com dificuldade encontrou a chave e enfiou-a
na fechadura.
Envelhecera.
Pela primeira vez
pensou na idade que tinha e em como o veriam aqueles com quem se cruzava.
Talvez devesse marcar
uma consulta no Centro de Saúde. E talvez devesse ligar ao filho.
Post 6464 - A minha Vida dava um filme - Manuela da Conceição Andrade Coelho Beltran Pepe
A
minha vida quando muito poderia dar um mini-conto bem chato, por isso, irei
buscar inspiração para a minha vida dava um filme, à vida da minha avó materna,
Manuela da Conceição Andrade Coelho.
Nasceu
em Lisboa, a 17 de Junho de 1899, signo gémeos do Zodíaco, serpente no
Horóscopo Chinês. A sua mãe Luísa Barnabé era filha de um juiz, ficou à
espera da filha sem ser casada e foi expulsa de casa pelo pai Juiz. A mãe dela
e os irmãos visitavam-na às escondidas.
Sustentou-se
a si e à filha como costureira. Desde manhã cedo até ao final do dia usava
espartilho. Vestia também sob a saia, uma outra azul escondida por ser
monárquica.
O
pai da minha avó, Joaquim Guilherme Andrade Coelho, professor de francês,
perfilhou a filha, assim como tinha perfilhado uma filha mais velha, Laura
Flávia e perfilhou depois o filho Vítor que teve com uma outra senhora. Não era
adepto do casamento e só no final da vida é que casou com a mãe do último
filho.
A
minha avó teve uma educação esmerada, fez a 4ª classe, aprendeu francês e
a tocar piano, sabia cozinhar, coser, cerzir, tricotar e bordar (ensinou-nos
ponto baixo, alto e de arroz, ponto de cruz e pé de flor) e morou com a
sua mãe até aos dezassete anos, depois teve de ir morar para casa do pai, onde
também residia a mãe deste.
Quando
foi morar com o pai ele estranhou os "mimos" com que a mãe a tinha
criado, frustrado com o facto dela não comer atirou-lhe com um prato (mas não
lhe acertou).
A
minha bisavó, sua mãe, morreu aos quarenta anos, penso que do coração, quando a
minha avó tinha dezoito anos e ela fechou-se no quarto a chorar e sem comer
durante dias.
Na
casa do pai, a minha avó ia com a criada às compras e a minha trisavó, sua avó,
reclamava depois que ao contrário dela, não sabia ser bem servida no Talho,
tendo‑lhe retorquido a minha avó que isso sucedia porque o homem do Talho
gostava dela. Foi uma tragédia, "caiu o Carmo e a Trindade" a minha
trisavó gritou e queixou-se ao filho, que ela era viúva desde jovem e nunca
mais tinha olhado sequer para homem nenhum.
A
minha avó era muito bonita, tinha o cabelo muito escuro, olhos cinzentos e uma
pele muito branca (a sua mãe Luísa Barnabé tinha o cabelo louro escuro e olhos
azuis).
O
meu bisavó, seu pai, dava-lhe pouco dinheiro para os seus alfinetes. Ela queria
comprar um chapéu e ele dizia-lhe que usasse mantilha, que as senhoras de bem
andavam com mantilha, aí ela arranjou emprego numa loja de roupa para senhoras,
passava chapéus como modelo e conseguiu dinheiro para o chapéu.
Teve
um primeiro noivo que era um rapaz rico e de boas famílias e morreu com uma
pneumonia.
Ficou
depois noiva de um rapaz que era oficial da marinha e tinha uns bigodes
compridos.
Estava
a fazer compras para o enxoval quando conheceu o meu avô, Eugénio Beltran Pepe.
O
meu avô nasceu em Serpa, era o mais velho de vários irmãos. O seu pai, foi
guarda fiscal e ganhava pouco, por isso com onze anos o meu avô foi trabalhar
para uma loja em Castro Verde, até que a família se mudou para Algés e começou
a trabalhar em Lisboa.
Era
uma pessoa muito especial, tinha muitos amigos a quem era capaz de dar a camisa
que vestia. Nas fotografias vejo-o como um ar simpático, bonito e para o louro.
Devia ser um sedutor para ter conseguido arrebatar a minha avó e fazer com que
deixasse o noivo número dois.
Casaram
e tiveram um primeiro filho, Manuel, que morreu ao nascer. Depois tiveram uma
menina de olhos azuis a quem chamaram Luísa.
Uma
das irmãs mais novas do meu avô, Valentina, contraiu tuberculose - era
jovem, bonita e gostava de cantar imitando cantores de ópera - e morreu com
vinte e poucos anos. Antes de morrer infelizmente contagiou a sobrinha que teve
meningite tuberculose. A minha avó tinha uns óculos especiais de protecção para
estar com a filha quando se tentou salvá-la com radiação ultra-violeta. Não foi
suficiente e a Luisinha morreu quando ainda não tinha dois anos de idade.
Depois
tiveram a minha mãe, Eugénia que cresceu saudável, andou no colégio alemão e
tinha tranças louras. O seu cabelo foi escurecendo e chocou as tias ao cortá-lo
curto. Um dia conheceu o meu pai, transmontano a trabalhar então em Lisboa.
Casaram e foram viver para o Norte. Tiveram três filhas que nasceram todas em
Lisboa.
O
meu avô morreu quando eu tinha seis meses. Pelo que me contaram, os meus avós
eram diferentes mas completavam-se, gostaram sempre um do outro e eram muito
amigos.
Eu
conhecia-a como minha avó, a vestir-se de escuro, com um carrapito,
linda (de manhã penteava o cabelo comprido de prata e arranjava o carrapito).
Contava-nos histórias, fazia-nos cafuné para que dormíssemos a sesta, dava-nos
chi-corações - não havia nenhum abraço como o dela.
Íamos
esperá-la à estação de S. Bento ou íamos ter com ela a Lisboa. A sua casa
ficava na Avenida Duque de Ávila - um andar arrendado, o 1º esquerdo do nº86 (o
prédio já não existe - naquele prédio os vizinhos eram amigos) com um corredor
comprido cheio de coisas misteriosas para descobrirmos, como o cavalinho de pau
guardado na despensa, a casa de banho com chão de losangos pretos e brancos e
tina com pés, o quarto com a janela para uma rua estreita e escura, a sala com
uma pele de leão e o piano.
A
certa altura passou a ficar connosco mas sempre com saudades de Lisboa, dos
seus amigos e da sua casa. E estava connosco quando morreu do coração.
.
(em criança, com a sua mãe Luísa Barnabé)
(com a filha Luisinha)
Texto na Colectânea Corda Bamba II
Texto na Colectânea Corda Bamba II
Na Corda Bamba
Se olharmos com atenção
para a vida de qualquer pessoa, veremos que viver é andar na corda bamba e será
a forma como enfrentamos as dificuldades que nos define.
Maria Eugénia Coelho
Beltran Pepe Lopes nasceu a 27 de Outubro de 1932.
Os seus pais, Eugénio
Beltran Pepe e Manuela da Conceição Andrade Coelho, tinham tido antes dois
filhos, Manuel e Luísa. O primeiro morreu à nascença – imagino a parteira a
baptizá-lo à pressa - a segunda, quando ainda não tinha dois anos, de meningite
tuberculosa. Morreram antes do seu nascimento, e cresceu como filha única.
Faltou-lhe nos momentos difíceis o apoio que poderia ter encontrado nos irmãos,
mas teve um primo, cerca de um ano mais novo, com o mesmo nome, Eugénio, que
era como um irmão. Ensinou-a a nadar bruços e ela aprendeu tão bem que até
nadou no mar alto.
Começou a andar com a
ajuda da cadelinha Miss, agarrando-se a ela para os primeiros passos. Depois
dela morrer, sendo ainda criança, recordava-a com saudade “a minha Miss que Deus
tem” e quem a ouvia, sem ter conhecido a Miss, pensava que falava de uma
pessoa, uma ama ou preceptora (teve depois ainda pequena, o Jolie - já o Come-se-há
em Meleças adoptou o seu pai - e em adulta, quando morámos em Gondomar, o Fiel
e o Wolf, e no Porto, o Tuiqui – não quis ter mais nenhum pelo desgosto em os
perder).
Em criança a sua mãe
gostava de manter a casa – o 2º andar de um prédio na Duque d’Ávila impecável.
Um dia levou um susto porque lhe vieram dizer que a filha de cinco ou seis que
deveria estar na marquise, estava a brincar no pátio. Depois de ter observado
um menino mais velho a fazê-lo, tinha arranjado forma de chegar lá, descendo
pelo exterior, talvez agarrando-se às saliências que encontrou na parede.
Quando era pequenina, a
mãe gostava de a mascarar no Carnaval. Ela gostou da fantasia de ratinho por
ser quente, já não tanto da do traje regional, de minhota ou saloia, por com
elas ter frio.
O pai levava-a para
passear e trazia-lhe para provar comidas descritas em livros (do Emílio Salgari
e outros) como água de coco. Ultrapassou doenças graves como a difteria, sem os
remédios actuais. Para a ajudar na convalescença o seu pai arranjou a Vivenda
Geninha em Meleças.
Morava em Lisboa com os
seus pais e entrou para o Colégio Alemão logo na infantil (sonhava em alemão).
Nessa altura era loura e nos retratos aparece com tranças compridas. Os colegas
brincaram com o seu primeiro apelido, imitando um coelho. Para a reconciliar
com o seu nome, a mãe Manuela levou-o ao avô Joaquim Guilherme Andrade Coelho
que lhe contou sobre homens ilustres que tinham o mesmo apelido.
Quando no colégio
aprendeu equitação. Eram crianças e gostavam de uma égua mansinha. Uma vez o
professor destinou-lhe um cavalo temido que tinha vindo do exército. Talvez por
nesse dia estar aborrecido com alguma coisa, o professor deu uma palmada no
cavalo que partiu a galope. Ela conseguiu manter-se sobre o cavalo, sem cair.
Quando ia a casa dos
colegas com ambos ou um dos progenitores de nacionalidade alemã, gostava de
como eram práticas – sem os naperons e bibelots das casas portuguesas, e de
beber cacau quente.
Durante o período da
Segunda Guerra Mundial irmãos dos seus colegas combateram e morreram na guerra -
os pais de um deles, professores no Colégio, quando o filho mais velho morreu,
não vestiram luto porque o filho tinha morrido pela pátria.
Em Lisboa seguiam-se as
instruções para pintar os vidros de azul e colocar protecções para que no caso
de um bombardeamento os vidros não se partissem e entrassem para o interior das
casas, ferindo os seus ocupantes.
Houve racionamento com
senhas. A minha avó tentou fazer pão, mas o resultado não foi muito feliz,
saíram uns pãezinhos meio insonsos e apesar do meu avô ter dito que a culpa era
do forno, não voltou a tentar.
Surgiram novos penteados
femininos, “à refugiada”, cabelo preso, em rabo de cavalo ou numa banana, ou
curto, penteado pela própria, sem ir ao Cabeleireiro.
Viam-se muito
estrangeiros, sobretudo artistas que tinham fugido e queriam ir para os Estados
Unidos.
No final da guerra o
Colégio Alemão fechou e a minha mãe passou a ter aulas com uma professora
contratada que a influenciou a escolher ciências. Via as colegas que seguiram
línguas com dificuldades no alemão que ela ultrapassava com facilidade. Acabou
por não ir para a Faculdade.
Cortou o cabelo que
escurecera curto. Sabia vestir-se bem, parecia uma artista de cinema.
Sem precisar acompanhou a
dieta de uma amiga de leite e bananas que queria emagrecer para o casamento (e
conseguiu).
Conheceu o meu pai,
médico veterinário, por ele ter arranjado um quarto perto. Queixou-se da vez em
que no Eléctrico ele veio o caminho todo voltado para trás a olhar para ela.
Passou a rondar o prédio onde ela morava, perguntando-lhe por gestos para a
janela se o aceitava. Passou pelo crivo dos futuros sogros.
Também o pai dele veio de
Trás-os-Montes conhecê-la. Aparentemente gostou dela, mas queria que o filho
casasse com uma prima da mesma terra. Marcaram o casamento e pouco antes chegou
um telegrama anunciando que o pai estava a morrer. O noivo largou tudo para ir ter
com ele e descobrir que afinal estava bem. Isso sucedeu duas vezes. O Padre
anunciou que com aquelas desmarcações já não os casava. A minha mãe também
aborrecida com o sucedido foi para casa de uns primos no Algarve, onde o meu
pai foi procurá-la. Conseguiu convencê-la a dar-lhe mais uma oportunidade e
casaram pelo civil. A mãe da noiva que antes até simpatizava com o noivo não
quis ir, mas o meu avô foi assistir.
O meu pai concorreu e foi
colocado em Paços de Ferreira. Foram morar para lá os dois, numa altura em que
ali as mulheres não iam a cafés ou usavam calças em vez de saias, não havia
televisão e estava longe da família e dos amigos. Terá sido aí que começou a
desenvolver uma depressão.
Ao final de cinco anos
conseguiram ter uma filha, um bebé lindo e especial, a minha irmã mais velha, Isabel,
logo adorada como primeira neta dos dois lados da família. Seguiram-se mais
duas filhas. Antes do nascimento da terceira, morreu o seu pai, e para ajudar a
mãe a recuperar pediu-lhe para a ajudar a tomar conta da neta mais nova (o que
ela fez assim como das outras até ter de nos deixar cerca de oito anos depois).
Esteve ao lado do marido,
nos problemas do seu trabalho e de família, na doença e cirurgias, ajudou-o a
voltar à vida.
Desde criança em que foi
operada ao apêndice sendo a anestesia com éter (foi para a mesa de operações
nos braços do pai) passou por várias cirurgias, ao peito, ao útero, ao braço
que partiu numa queda, a úlcera no duodeno, sofreu da tiróide, da vesícula, de
osteoporose, de divertículos, sempre com coragem para querer levantar-se no dia
seguinte.
Dona-de-casa, cozinheira,
costureira, enfermeira, explicadora, professora, cabeleireira, manicura,
conselheira.
Melhor mãe do mundo,
centro do universo, companheira nos bons e maus momentos, a proteger e a torcer
pelas filhas.
Foi apanhada em casa, de
surpresa, pela morte, em 5 de Outubro de 2017, antes do seu aniversário.
Foi com espírito de
aventura, amor e coragem que enfrentou a corda bamba da vida.
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segunda-feira, novembro 20, 2017
Post 6457 - Desafio de Escrita 10/10 - Apetece-me dizer-te/ Amigo invisível
Apetece-me
dizer-te que me vou embora, ser eu a dizê-lo, agora que sei que chegou a hora.
Olho
para ti em silêncio. Antes queria que nos meus olhos lesses a súplica para te
lembrares de mim. Agora penso que não deveria ter esperado nada.
Fomos
companheiros nos bons e maus momentos. Era comigo que desabafavas as penas e os
medos. Era a mim que abraçavas quando estavas feliz.
Embora
também nessa altura me escondesses.
Pensei
primeiro que o fizesses para me proteger ou nos proteger. Os outros não
saberiam compreender a nossa amizade, disseste-me uma vez, e fixei esse teu
desabafo.
Mais
tarde comecei a desconfiar que talvez fosses tu que te envergonhavas de mim, de
nós.
Pouco
a pouco distanciavas-te. Não me procuravas como antes. Deixámos de nos divertir
juntos, deixaste de me contar o que se passava contigo quando não estávamos
juntos, o que te preocupava, ou sentias.
Só
de vez em quando me concedias alguns minutos, mas agias de forma diferente,
desligado e desinteressado, descrente e apressado.
Os
dias cresceram para semanas e estas para meses sem que me procurasses.
Percebi
que também tu deixaste de me ver. Cresceste e deixaste-me para trás. Ter‑te-ás
esquecido de mim?
Apetece-me
dizer-te que não serei mais teu amigo, mas apercebi-me que não me vais ouvir,
como também já não me vês.
Continuo
a acreditar que a amizade é eterna e os verdadeiros amigos nunca o deixam de o
ser.
Por
isso, mesmo que porque também tu já me vês, tenha ficado ainda mais invisível,
vou continuar teu amigo e ficarei à espera que um dia possas voltar a ver‑me.
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quinta-feira, novembro 16, 2017
terça-feira, novembro 14, 2017
Post 6454
And Death Shall Have No Dominion - Poem by Dylan Thomas
And death shall have no dominion.
Dead man naked they shall be one
With the man in the wind and the west moon;
When their bones are picked clean and the clean bones gone,
They shall have stars at elbow and foot;
Though they go mad they shall be sane,
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.
And death shall have no dominion.
Under the windings of the sea
They lying long shall not die windily;
Twisting on racks when sinews give way,
Strapped to a wheel, yet they shall not break;
Faith in their hands shall snap in two,
And the unicorn evils run them through;
Split all ends up they shan't crack;
And death shall have no dominion.
And death shall have no dominion.
No more may gulls cry at their ears
Or waves break loud on the seashores;
Where blew a flower may a flower no more
Lift its head to the blows of the rain;
Though they be mad and dead as nails,
Heads of the characters hammer through daisies;
Break in the sun till the sun breaks down,
And death shall have no dominion.
Dead man naked they shall be one
With the man in the wind and the west moon;
When their bones are picked clean and the clean bones gone,
They shall have stars at elbow and foot;
Though they go mad they shall be sane,
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.
And death shall have no dominion.
Under the windings of the sea
They lying long shall not die windily;
Twisting on racks when sinews give way,
Strapped to a wheel, yet they shall not break;
Faith in their hands shall snap in two,
And the unicorn evils run them through;
Split all ends up they shan't crack;
And death shall have no dominion.
And death shall have no dominion.
No more may gulls cry at their ears
Or waves break loud on the seashores;
Where blew a flower may a flower no more
Lift its head to the blows of the rain;
Though they be mad and dead as nails,
Heads of the characters hammer through daisies;
Break in the sun till the sun breaks down,
And death shall have no dominion.
Post 6453 - Desafio de Escrita - 9/10
Entrou
no café, olhou à sua volta e voltou a sair.
Tentou
agir normalmente. Não seria para cancelar, e talvez se resolvesse aguardando
alguns minutos.
Esfregou
as mãos frias, tentando aquecê-las e percebeu que estava a transpirar. Suor
gelado parecia cobrir todo o seu corpo. Estava enjoado e não tinha dormido nada
ou quase nada naquela noite. Atravessou para o outro lado da rua e puxou de um
cigarro. Decorreram os poucos minutos que tinha previsto, e o agente policial
saiu do café, com ar vagaroso retomou a ronda.
Aguardou
que ele virasse a esquina e deixasse de ser visível, como se tivesse sido
devorado pelo nevoeiro que tinha descido sobre eles, antes do anoitecer.
Deitou
o cigarro para o chão ainda em meio e calcou-o. Era hora de agir.
Tentando
andar normalmente, dirigiu-se de novo para o seu objectivo.
Entrou.
Lá dentro, apenas o dono limpava o balcão e um casal num canto mastigava um
lanche triste, sem falarem, nem se olharem.
Avançou
decidido e puxou da pistola: “abra a caixa e passe para cá o dinheiro” dirigiu
ao dono. Falou em voz baixa, mas mesmo assim o casal ouviu-o. Não pareceram
alarmados, mas apenas curiosos.
O
dono olhou-o: “Aqui não há nada para ti”. Levantou a arma para que fosse mais
visível, sem qualquer reacção, ou pelo menos sem a que pretendia. O homem à sua
frente continuava sem parecer assustado e sim aborrecido. Todavia, dirigiu-se
para a caixa e abriu a gaveta: “Serve-te”. Pelo barulho já o adivinhava, mas
confirmou-o com o olhar, estava vazia. Ainda pensou se seria de dirigir‑se ao
casal mas decidiu ir embora. Quando saia, ainda ouviu o homem à mesa perguntar:
“Vamos atrás dele?” e a resposta lacónica “Não vale a pena”.
Ficou
a pensar nessa frase. Falhara também ali.
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