segunda-feira, dezembro 11, 2017

Post 6478 Sexta-feira, 8.12.17

A Montanha entre nós (The Mountain Between Us) de Hany Abu-Assad com Idris Elba, Kate Winslet, Beau Bridges, baseado no livro com o mesmo título de Charles Martin

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Post 6477 - Porto, Dezembro 2017

Na Praça Velásquez duas senhoras de idade encontram um senhor também de idade e perguntam-lhe como é que ele anda. Depois riem-se os três da resposta: "com as pernas".

Post 6476 (enquanto tento escrever o texto para próximo desafio de escrita)

Presságio
 O AMOR, quando se revela,
 Não se sabe revelar.
 Sabe bem olhar p'ra ela,
 Mas não lhe sabe falar.

 Quem quer dizer o que sente
 Não sabe o que há de dizer.
 Fala: parece que mente...
 Cala: parece esquecer...

 Ah, mas se ela adivinhasse,
 Se pudesse ouvir o olhar,
 E se um olhar lhe bastasse
 P'ra saber que a estão a amar!

 Mas quem sente muito, cala;
 Quem quer dizer quanto sente
 Fica sem alma nem fala,
 Fica só, inteiramente!

 Mas se isto puder contar-lhe
 O que não lhe ouso contar,
 Já não terei que falar-lhe
 Porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa

Todas as cartas de amor...
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos

Quando Eu não te Tinha
Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima ...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor —
Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou. 
Só me arrependo de outrora te não ter amado.
Alberto Caeiro

O Amor É uma Companhia
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro

Não Sei se é Amor que Tens, ou Amor que Finges
Não sei se é amor que tens, ou amor que finges,
O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.
            Já que o não sou por tempo,
            Seja eu jovem por erro.
Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso.
Porém, se o dão, falso que seja, a dádiva
            É verdadeira. Aceito,
            Cerro olhos: é bastante.
            Que mais quero?

Ricardo Reis

Post sem número - Apresentação do Livro Lugares e Palavras de Natal, volume VI no Café Progresso








Chegámos um pouco atrasados, a apresentação é no segundo andar e de lá ouve-se um solo de saxofone, "can´t help falling in love with you" e logo depois "somewhere over the rainbow" (acho, na altura reconheci as músicas, agora já não tenho a certeza se seriam estas ou se estou a trocá-las).
Após a música, escutei alguns autores, e estava lá a mais nova de sempre, com dez anos idade, pude trazer os exemplares que tinha reservado e encontrei uma amiga de Serralves e da blogosfera - tem o blogue Mariana ou http://olamariana.blogspot.pt/
Já cá fora dois senhores comentam o letreiro que anuncia o agora renovado Café Progresso como o mais antigo do Porto, um deles diz que esteve naquele que era publicitado como o mais antigo de Londres, mas também não o era.



Noite de Natal
Quando tinha dez anos, no primeiro período, tive como trabalho para casa uma composição sobre o Natal.
Queria escrever uma redacção que fosse original e não sei se pedi ajuda à minha mãe ou se apenas lhe falei nisso e ela ofereceu-se para me ajudar (a minha mãe, minha e das minhas irmãs, é a melhor mãe do mundo).
Lembro só em parte o que escrevi. Lembro-me que a minha professora de português gostou do texto, e ficou com a ideia que eu sabia escrever, que pude confirmar depois com outras composições em testes sem ajuda.
Este Natal vai ser o primeiro sem a minha mãe e queria ser capaz de reconstruir esse texto, o que vou tentar fazer, também porque em cada dia e especialmente nesta época, seria bom sentirmos como presentes todos aqueles de quem gostamos.

Estávamos na época do Natal.
Diminuíam as horas com luz do sol, parecendo que os dias ficavam mais pequenos, mas a noite era iluminada na cidade pelas luzes nas ruas e lojas.
A alegria de muitos aquecia e afastava o frio que crescia enquanto se aproximava o Inverno.
Notava-se uma pressa animada nas compras de prendas e nas viagens que juntavam famílias e amigos na celebração.

Na casa deles, havia uma árvore de Natal, comida e prendas.
Parecia tudo igual a anos anteriores, mas sabiam que era diferente.
Seria o primeiro Natal que passariam apenas os dois, pai e filho.
Sem falarem sobre isso, esforçavam-se os dois por esconder a tristeza, porque não queriam entristecer o outro, como se fosse possível esquecerem a falta que estava sempre presente.
Mas na noite de Natal, não foi mais possível fingir que estavam bem. Nenhuma prenda foi capaz de alegrar o filho que a custo não chorava.
O pai resolver então falar com ele.
Levou-o até à janela.
Lá fora estava uma noite linda que deixava ver as estrelas.
O pai pediu-lhe para escolher a estrela mais brilhante.
Perguntou-lhe depois se era capaz de a ver durante o dia.
O filho respondeu-lhe, como já sabia, do alto dos seus oito anos, que não. Durante o dia, vê-se o sol, não se vêem outras estrelas, mesmo aquela mais brilhante.
Contou-lhe então o pai que a mãe era como aquela estrela. Estava sempre ali, mesmo que ele não a conseguisse ver, estaria olhando para ele, olhando por ele.
O filho pôde refugiar-se no abraço do pai, lembrar e falar da mãe com ele.
Chorar e dividir a tristeza fez com que não se sentissem sozinhos.
E na casa deles foi também Natal.

domingo, dezembro 10, 2017

Post 6475

E atrás da Ana vem aí o Bruno...

Post 6474 - Como "vai ser engraçado"?

Na Televisão:

"Tempestade Ana, aviso vermelho em oito distritos
Prevê-se que o período crítico da tempestade seja a noite e  a próxima madrugada"

"Grande parte de nós não vamos sentir porque estaremos em casa ou mesmo a dormir e depois amanhã quando acordarmos vai ser engraçado porque vamos ter muito mais frio, as temperaturas mínimas, sobretudo nas regiões Norte e Centro vão descer na ordem dos 4 a 6 graus."

sexta-feira, dezembro 08, 2017

Post 6473 - Porto, Novembro 2017




Post 6472 - Sexta-feira, 24.11.17, Quinta-feira, 30.11.17

Liga da Justiça de Zack Snyder, com Ben Affleck, Henry Cavill, Gal Gadot
Um crime no Expresso do Oriente de Kenneth Branagh

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quinta-feira, dezembro 07, 2017

Post 6471 - Desafio de Escrita 3/10



Os Anjos têm olhos azuis


Chegou o grande dia.
Caramba o tempo passou mesmo a correr.
No dia anterior foi para os copos com os amigos, e fora as piadas parvas, portaram-se todos nos conformes, também pudera, o grupo incluía os dois irmãos dela.
Naquela manhã acordou sozinho pelas dez horas (ela tinha ficado em casa dos pais), tomou duche, vestiu o terno, engoliu o pequeno-almoço, consolou a mãe pelo telefone, repetiu-lhe mais uma vez que não o ia perder, que ia continuar a passar lá por casa ao Domingo, ou melhor, iam. Nada daquilo fazia sentido, afinal ele e a Paula já viviam juntos há dois anos. Seria praticamente o mesmo. Pelo menos era o que esperava e com o que estava a contar
Antes tinha tido namoros mais ou menos sérios, mas com ela foi diferente desde o começo. Gostou dela assim que a viu. Chamaram-lhe a atenção os seus olhos azuis e o ar doce, angelical. Começaram a conversar, ela riu-se das piadas dele. Tudo a fluir rápida e facilmente.
Tinham já saído várias vezes, partilhado confidências e intimidades, quando ele lhe elogiou os olhos e ela lhe contou o seu segredo. A cor dos olhos vinha das lentes de contacto. Soube o quanto gostava dela porque não se importou.
A sua relação apenas estremeceu um pouco quando começaram a viver juntos. Alguns dos hábitos dela, ou antes, as exigências dela para que mudasse ele os seus hábitos, tinham levado a discussões, mas no final conseguiam sempre fazer as pazes e rir-se do sucedido.
Só esperava que o casamento não mudasse nada, um pouco arrependido de se ter declarado, mas só um pouco. Afinal ia casar-se com o seu anjo de olhos azuis que na realidade eram castanhos.

Post 6470 Desafio de Escrita 2/10 Pai



Não foi quando a mulher começou a adormecer no meio das conversas.
Nem quando lhe deu a notícia, a boa notícia
Tinha deixado a vida acontecer. Casou com a sua namorada da escola. Os mesmos amigos e familiares que perguntavam antes quando era o casamento, passaram a perguntar quando vinha um filho. Essa era a vontade da Emília. Estava feliz quando lhe anunciou.
Acompanhou-a nas consultas, viu o filme das ecografias, sombras a preto e branco, o bater de outro coração mais apressado.
Enquanto a barriga lhe crescia, respondeu-lhe que sim, que sentia os pontapés.
Esforçou-se por ser solidário quando ela não encontrava posição na cama.
Quando chegou o dia marcado, já sabiam que tinha de ser por cesariana. Estava preocupado, mas foi tudo bastante rápido, sem complicações.
Enquanto ela recuperava da anestesia, trouxeram o bebé, vermelho e enrugado.
Saíram do Hospital com ele a segurar o cesto, enquanto a amparava até ao carro.
Também ele passou então a adormecer no meio de conversas porque deixaram de conseguir dormir mais que três ou quatro horas seguidas.
Mudou fraldas, deu o biberão e o banho.
Quase de um dia para o outro, começou notar as diferenças. Via como ele crescia. Passou a segurar a cabeça, a sentar-se. Reconhecia-o. Sorria. Logo depois dos primeiros passos, queria correr para vir ter com ele.
Deu por si a acordar de manhã, a vir para casa no final do dia, e o primeiro que queria ver, passou a ser ele.
Não foi quando soube, não foi quando ele nasceu ou quando o trouxeram para a casa.
Mas, sem se aperceber, descobriu-se pai.
Entretanto tratou de o inscrever como sócio do seu clube futebol e de arranjar as t‑shirts a condizer “father” e “son”. Brevemente, em dois ou três anos, passariam a ir juntos à bola.



segunda-feira, dezembro 04, 2017

Post 6469 - Hoje no Google

Celebrando 50 anos de Kids Coding

50 Anos de Kids Coding
(programação para crianças)

sábado, novembro 25, 2017

Post 6468 Sábado, 25.11.17 - Apresentação de livro na Rua Costa Cabral e MarketPlace - Casual Style no Marquês, Porto

Apresentação do Livro Daqueles Além Marão de Manuel Amaro Mendonça
Na Casa Regional dos Transmontanos e Alto Durienses no Porto (estive só no início e não trouxe o livro, ficará quiçá para outra vez)


quinta-feira, novembro 23, 2017

Post 6467 - Porto, 22.11.17










Post 6466 - Terça-feira, 21.11.2017


Post 6465 - Desafio 1/10 Vida

As mãos, estranhamente tremiam.
Olhou para elas, brancas, com as articulações dos dedos salientes, transpareciam as veias azuis, evidenciavam-se os pontos castanhos nelas semeados.
Orgulhara-se da sua força e da sua delicadeza.
No trabalho conseguia operar todas as máquinas que o exigiam. Tinham-no até referido no seu discurso da despedida.
Houve uma altura em que com apenas uma das mãos segurara o seu filho, bebé recém-nascido. Continuara depois a ser capaz de o erguer do chão numa brincadeira só dos dois, utilizando de seguida as duas mãos para o colocar às cavalitas.
O filho crescera e entre eles tinha-se instalado uma reserva pesada.
Fora capaz com elas de acariciar tão levemente o rosto da mulher, que apenas os dois o viam. Com um toque assim se despediu, a frieza da face dela a dizer-lhe que a partir dali só ele o sabia.
Olhava pouco para si próprio sobretudo desde que deixara de fazer a barba. No pequeno espelho da casa de banho, embaciado pelo vapor da água e pelo tempo, mal se via. Reconhecia o seu reflexo, mas não tinha notado como mudara.
Naquela segunda-feira fora às compras como costumava fazer todas as semanas.
Voltara apenas com dois sacos plásticos, pouco cheios.
Custou-lhe mais do que se lembrava subir os dois lances de escadas. Atribuiu-o ao tabaco, mau hábito que ainda não deixara, e ao frio.
Pousou os sacos junto à porta, enquanto procurava a chave no bolso do casaco.
E foi então que o notou, aquele tremor bem visível. Com dificuldade encontrou a chave e enfiou-a na fechadura.
Envelhecera.
Pela primeira vez pensou na idade que tinha e em como o veriam aqueles com quem se cruzava.
Talvez devesse marcar uma consulta no Centro de Saúde. E talvez devesse ligar ao filho.

Post 6464 - A minha Vida dava um filme

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A minha vida quando muito poderia dar um mini-conto bem chato, por isso, irei buscar inspiração para a minha vida dava um filme, à vida da minha avó materna, Manuela da Conceição Andrade Coelho.

Nasceu em Lisboa, a 17 de Junho de 1899, signo gémeos do Zodíaco, serpente no Horóscopo Chinês.  A sua mãe Luísa Barnabé era filha de um juiz, ficou à espera da filha sem ser casada e foi expulsa de casa pelo pai Juiz. A mãe dela e os irmãos visitavam-na às escondidas.
Sustentou-se a si e à filha como costureira. Desde manhã cedo até ao final do dia usava espartilho. Vestia também sob a saia, uma outra  azul escondida por ser monárquica.
O pai da minha avó, Joaquim Guilherme Andrade Coelho, professor de francês, perfilhou a filha, assim como tinha perfilhado uma filha mais velha, Laura Flávia e perfilhou depois o filho Vítor que teve com uma outra senhora. Não era adepto do casamento e só no final da vida é que casou com a mãe do último filho.
A minha avó teve uma educação esmerada, fez a 4ª classe, aprendeu  francês e a tocar piano, sabia cozinhar, coser, cerzir, tricotar e bordar (ensinou-nos ponto baixo, alto e de arroz, ponto de cruz e pé de flor) e morou com a sua mãe até aos dezassete anos, depois teve de ir morar para casa do pai, onde também residia a mãe deste.
Quando foi morar com o pai ele estranhou os "mimos" com que a mãe a tinha criado, frustrado com o facto dela não comer atirou-lhe com um prato (mas não lhe acertou).
A minha bisavó, sua mãe, morreu aos quarenta anos, penso que do coração, quando a minha avó tinha dezoito anos e ela fechou-se no quarto a chorar e sem comer durante dias.
Na casa do pai, a minha avó ia com a criada às compras e a minha trisavó, sua avó, reclamava depois que ao contrário dela, não sabia ser bem servida no Talho, tendo‑lhe retorquido a minha avó que isso sucedia porque o homem do Talho gostava dela. Foi uma tragédia, "caiu o Carmo e a Trindade" a minha trisavó gritou e queixou-se ao filho, que ela era viúva desde jovem e nunca mais tinha olhado sequer para homem nenhum.
A minha avó era muito bonita, tinha o cabelo muito escuro, olhos cinzentos e uma pele muito branca (a sua mãe Luísa Barnabé tinha o cabelo louro escuro e olhos azuis).
O meu bisavó, seu pai, dava-lhe pouco dinheiro para os seus alfinetes. Ela queria comprar um chapéu e ele dizia-lhe que usasse mantilha, que as senhoras de bem andavam com mantilha, aí ela arranjou emprego numa loja de roupa para senhoras, passava chapéus como modelo e conseguiu dinheiro para o chapéu.
Teve um primeiro noivo que era um rapaz rico e de boas famílias e morreu com uma pneumonia.
Ficou depois noiva de um rapaz que era oficial da marinha e tinha uns bigodes compridos.
Estava a fazer compras para o enxoval quando conheceu o meu avô, Eugénio Beltran Pepe.
O meu avô nasceu em Serpa, era o mais velho de vários irmãos. O seu pai, foi guarda fiscal e ganhava pouco, por isso com onze anos o meu avô foi trabalhar para uma loja em Castro Verde, até que a família se mudou para Algés e começou a trabalhar em Lisboa.
Era uma pessoa muito especial, tinha muitos amigos a quem era capaz de dar a camisa que vestia. Nas fotografias vejo-o como um ar simpático, bonito e para o louro. Devia ser um sedutor para ter conseguido arrebatar a minha avó e fazer com que deixasse o noivo número dois.
Casaram e tiveram um primeiro filho, Manuel, que morreu ao nascer. Depois tiveram uma menina de olhos azuis a quem chamaram Luísa. 
Uma das irmãs mais novas do meu avô, Valentina, contraiu  tuberculose - era jovem, bonita e gostava de cantar imitando cantores de ópera - e morreu com vinte e poucos anos. Antes de morrer infelizmente contagiou a sobrinha que teve meningite tuberculose. A minha avó tinha uns óculos especiais de protecção para estar com a filha quando se tentou salvá-la com radiação ultra-violeta. Não foi suficiente e a Luisinha morreu quando ainda não tinha dois anos de idade.
Depois tiveram a minha mãe, Eugénia que cresceu saudável, andou no colégio alemão e tinha tranças louras. O seu cabelo foi escurecendo e chocou as tias ao cortá-lo curto. Um dia conheceu o meu pai, transmontano a trabalhar então em Lisboa. Casaram e foram viver para o Norte. Tiveram três filhas que nasceram todas em Lisboa.
O meu avô morreu quando eu tinha seis meses. Pelo que me contaram, os meus avós eram diferentes mas completavam-se, gostaram sempre um do outro e eram muito amigos. 
Eu conhecia-a como  minha avó,  a vestir-se de escuro, com um carrapito, linda (de manhã penteava o cabelo comprido de prata e arranjava o carrapito). Contava-nos histórias, fazia-nos cafuné para que dormíssemos a sesta, dava-nos chi-corações - não havia nenhum abraço como o dela.
Íamos esperá-la à estação de S. Bento ou íamos ter com ela a Lisboa. A sua casa ficava na Avenida Duque de Ávila - um andar arrendado, o 1º esquerdo do nº86 (o prédio já não existe - naquele prédio os vizinhos eram amigos) com um corredor comprido cheio de coisas misteriosas para descobrirmos, como o cavalinho de pau guardado na despensa, a casa de banho com chão de losangos pretos e brancos e tina com pés, o quarto com a janela para uma rua estreita e escura, a sala com uma pele de leão e o piano. 
A certa altura passou a ficar connosco mas sempre com saudades de Lisboa, dos seus amigos e da sua casa. E estava connosco quando morreu do coração.
.


 (em criança, com a sua mãe Luísa Barnabé)
(com a filha Luisinha)

Post sem título



"Há coisas que não queremos que aconteçam, mas temos de aceitar, coisas que não queremos saber, mas temos de ouvir e pessoas sem as quais não podemos viver, mas temos de deixar partir."
Autor Desconhecido
(como?)

segunda-feira, novembro 20, 2017

Post 6462 - Pela blogosfera

Desafio a decorrer no blogue Coisas da Fonte:


ou em

Post 6461 - Porto, Novembro, 2017

 



 

Post 6460 - Apresentação/Lançamento do Livro Lugares e Palavras de Natal

Lançamento do livro Lugares e Palavras de Natal:
- Em Alenquer, no dia 3/12, às 15 horas, no Museu João Mário, Travessa de São Benedito, nº3;
- No Porto, no dia 9/12, às 17 horas, no Café Progresso - Rua Actor João Guedes, na Praça De Carlos Alberto;