Quando lhe deram a Bety,
primeiro não acreditou que pudesse ser mesmo para ela. Era a coisinha mais
linda, rosa e quente. Deu-lhe de comer, aconchegou-a. A Bety passou a segui-la
por todo o lado. Ensinou-a a ficar, sentar-se, deitar-se.
Os pais riam-se, “mas
pensas que é um cão?” A Bety era muito mais que um cão, era a sua melhor amiga.
Confiava-lhe os seus problemas. Ela sentia quando estava triste e ouvia-a.
Quando estava alegre, brincavam as duas. Podia ser uma porquinha, mas só de
nome, era tão limpa quanto ela, gostava de tomar banho.
Às vezes na quinta
passavam perto da família da Bety, ela não os conhecia, também não a
reconheciam. Estavam confinados, cheiravam mal.
Começou a preocupar-se
quando viu como a Bety crescia. Parecia-se com os seus primos e tios no
chiqueiro, se não fosse pelos olhos que a compreendiam. Os pais já não riam
quando as viam juntas, era com um ar severo que lhe diziam “essa porca não é um
cão!”. A própria Bety apercebera-se frieza dos pais, parecia andar com medo. Já
não cabia nos sítios por onde antes passava e se calhava derrubar alguma coisa,
assumia ela a culpa, preferia que os pais se zangassem com ela. Chegou uma
noite, na lua minguante, em que acordou sem saber porquê e foi buscar água.
Passou pelo quarto dos pais e calhou ouvi‑los falar. O pai disse “um destes
dias tenho que matar a porca”, e respondeu-lhe a mãe “aproveita quando a miúda
não estiver em casa, assim custa-lhe menos e logo lhe passa”. Voltou para a
cama em pânico. Tinha de salvar a Bety, tinham de fugir
E fugiram as duas.
Andaram perdidas quase um
dia.
No regresso a mãe aliviada
decidiu: ninguém mata a Bety.
Bety viveu com eles até morrer.
Não como coelho nem cabrito.
ResponderEliminarPorque, como a Bety, os criei.
E apareceram no meio da mesa.
NUNCA MAIS!!!
Beijinho
Um conto encantador e recuei até aos meus 5/6 anos com uma cabritinha bebé que me deram e morreu de velha porque os meus pais nunca puseram a ideia de a abater. Cresceu com dois cães que tínhamos e ladrava como eles algo nunca visto.
ResponderEliminarBeijos e um bom dia
Bom dia Gabi.
ResponderEliminarUm conto que é uma ternura.
Muito bonita a amizade que se manifesta e cresce quando o carinho e o respeito acontece.
Beijinhos (1 abraço ao Paulo)
Gostei da ternura inserta no conto. Os meus pais criavam coelhos e depois matavam-nos para serem cozinhados. Eu como de tudo sem restrições de nada que seja comestível.
ResponderEliminar.
Cumprimentos poéticos
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Pensamentos e Devaneios Poéticos
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Belo conto!
ResponderEliminarPor enquanto só como carne de frango e de peru...talvez acabe por deixar de comer carne.
Abraço
Que maravilha de conto.
ResponderEliminarGostei tanto tanto.
A Bety,, teve muita sorte.
brisas doces **