O emprego absorvia-o durante o dia e levava trabalho para casa. Habituou-se a que fosse a Ema, a ocupar-se do Martim
Não
se apercebeu que se as discussões diminuíam porque se distanciavam, mas mais do
que um choque, foi só algo levemente inesperado a decisão dela de se
divorciarem. Aceitou-o.
Facilitou
tudo, que ela ficasse com a casa, a guarda, e ele teria direito a
fins-de-semana alternados e a dias nas férias, mas o trabalho prendia-o.
Haveria
tempo no futuro, quando fosse promovido, quando a sua posição na empresa fosse
mais forte, quando passasse a crise, quando evitassem a insolvência da
sociedade, que no fim não conseguiram impedir.
A
Ema aceitou que suspendesse o pagamento da prestação de alimentos até arranjar
novo emprego.
Pusera
algum dinheiro de lado, podia aguentar uns meses.
E
tinha tempo.
Pensou
em aproveitar para estar com o filho, o Martin, que ia completar naquele mês
cinco anos.
Descobriu
que não ia ser fácil.
Não
apenas não fazia ideia do que poderia interessar qualquer criança, como não
sabia do que é o que seu filho gostava.
Levou-o
ao Jardim Zoológico. Não achou graça aos macacos, não se assustou com os leões.
A mãe e o Vítor já o tinham levado ali, muitas vezes.
Comprou-lhe
um balão em forma de girafa e ele é que teve de segurar no balão.
Ao
vê-lo aborrecido, resolveu abrir o jogo, perguntar-lhe o que gostaria que
fizessem. Ele queria jogar bola com o pai. Nunca tivera jeito para futebóis,
mas alinhou. Inventaram uma baliza, o Martim marcou um golo e quis que o pai se
empenhasse na defesa, “a sério”. Queria fazê-lo, mas escorregou na relva, caiu
para cima da girafa que rebentou com estrondo. Preocupado virou-se para o
filho. Viu-o a rir. E riram os dois juntos.
Vá lá, Quantas vezes se vai adiando o tempo que quando se dá por isso, os filhos já são adultos. Este ainda só tinha 5 anos.
ResponderEliminarAbraço e saúde
Gostei muito de ler!
ResponderEliminarBeijocas