quarta-feira, março 23, 2022

CNEC 59/31 - 6/10 - Um balão

 O emprego absorvia-o durante o dia e levava trabalho para casa. Habituou-se a que fosse a Ema, a ocupar-se do Martim

Não se apercebeu que se as discussões diminuíam porque se distanciavam, mas mais do que um choque, foi só algo levemente inesperado a decisão dela de se divorciarem. Aceitou-o.

Facilitou tudo, que ela ficasse com a casa, a guarda, e ele teria direito a fins-de-semana alternados e a dias nas férias, mas o trabalho prendia-o.

Haveria tempo no futuro, quando fosse promovido, quando a sua posição na empresa fosse mais forte, quando passasse a crise, quando evitassem a insolvência da sociedade, que no fim não conseguiram impedir.

A Ema aceitou que suspendesse o pagamento da prestação de alimentos até arranjar novo emprego.

Pusera algum dinheiro de lado, podia aguentar uns meses.

E tinha tempo.

Pensou em aproveitar para estar com o filho, o Martin, que ia completar naquele mês cinco anos.

Descobriu que não ia ser fácil.

Não apenas não fazia ideia do que poderia interessar qualquer criança, como não sabia do que é o que seu filho gostava.

Levou-o ao Jardim Zoológico. Não achou graça aos macacos, não se assustou com os leões. A mãe e o Vítor já o tinham levado ali, muitas vezes.

Comprou-lhe um balão em forma de girafa e ele é que teve de segurar no balão.

Ao vê-lo aborrecido, resolveu abrir o jogo, perguntar-lhe o que gostaria que fizessem. Ele queria jogar bola com o pai. Nunca tivera jeito para futebóis, mas alinhou. Inventaram uma baliza, o Martim marcou um golo e quis que o pai se empenhasse na defesa, “a sério”. Queria fazê-lo, mas escorregou na relva, caiu para cima da girafa que rebentou com estrondo. Preocupado virou-se para o filho. Viu-o a rir. E riram os dois juntos.

2 comentários:

  1. Vá lá, Quantas vezes se vai adiando o tempo que quando se dá por isso, os filhos já são adultos. Este ainda só tinha 5 anos.
    Abraço e saúde

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