sexta-feira, março 18, 2022

CNEC 59/31 - 5/10 Um pesadelo

           Nada estava a correr bem para Luís.

Quando ouvido, negou tudo, mas a prova era esmagadora.

Não apenas o tinham visto a entrar no Banco, armado, sem disfarce, como a caixa que o atendera e o outro funcionário que acionara o alarme, tinham sido peremptórios no reconhecimento.

Para piorar havia gravações. Passaram o filme na sala de audiências do tribunal.

Incrédulo viu-se a entrar na agência bancária, tal como tinham dito as testemunhas, a erguer o revolver e a dirigir-se ao balcão. Conseguia até ver como o rosto da mulher ficara lívido. Ela nem conseguia falar, limitava-se a estender na sua direcção umas notas que estava a contar, que ele, com toda a calma, recebeu e guardou na carteira, como num levantamento normal. Guardou também o revólver no bolso das calças, e a arma deixou de ser vista, escondida pelo kispo que usava. Fixou o olhar no casaco. Não se lembrava dele. Será que também o teria tirado a alguém?

Viu-se a sair do Banco com toda a calma. Reconheceu-se na imagem, o tom do cabelo, o corte, a forma de andar. Já na rua, a imagem menos nítida, havia um individuo que o ia cumprimentar – a segunda testemunha, o Pedro Silva, com quem trabalhara há alguns anos – mas ele evitava-o de forma ostensiva, além de ladrão, mal-educado. Afastava-se em passos largos e deixava de ser visto.

Tinham-no detido no dia seguinte, na sua casa. Fora o Pedro Silva a entrega-lo, sem dúvida.

Era a primeira vez que via aquelas filmagens e não se lembrava de nada!

Teria bebido, estaria louco?

Sem dúvida ia ser condenado.

Antes da leitura da Sentença, atraído pelo barulho do alvoroço no tribunal olhou e viu que dois agentes entravam a empurrar um homem, e este era igual a si!

O seu sósia desconhecido salvou-o.

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