Abriu a garrafa e encheu
os dois copos. Levou-os até à mesa onde Dawn esperava. Sentou-se à sua frente,
empurrou o segundo copo para o lado dela e bebeu do seu, enquanto a olhava.
Pensara primeiro que ela estava igual. Agora via as marcas do tempo no cabelo
mais ralo, nas rugas finas que lhe contornavam os olhos e a boca. Ela também
envelhecera.
Quando ela lhe aparecera
há pouco, não dissera nada. Abriu-lhe a porta, ela entrou e sentou-se.
Sem a interpelar foi
buscar as bebidas.
Houve uma altura em que a
iria inundar em perguntas, para onde fora, porque não voltara, com quem
estivera, porque partira, porque nem sequer se despedira dele, será que ele não
lhe importava?
Agora apenas lhe ocorria
vagamente interpela-la sobre porque voltara.
Sem pressa foi ela a
romper o silêncio que começara a pesar nele.
- Porque me deixaste ir?
Típico. Ela não mudara.
Virara tudo para o culpar a ele. Desta vez não ia resultar. Não lhe iria
responder
- Porque não me
procuraste?
Não se conteve:
- Foste tu que decidiste
partir!
Ela não lhe respondeu e
ele continuou:
- Porque voltaste?
Num tom de voz muito
baixo, quase um murmúrio que mesmo assim escutou, ela respondeu-lhe “preciso de
ti”.
Essas três palavras quase
imperceptíveis abalaram-no mais do que qualquer grito.
Não ia ignorá-la ou
rejeitá-la. Como lhe abrira a porta e a deixara entrar, mesmo tendo passado
tanto tempo, e tendo-a detestado e maldito na sua ausência, em cada um dos dias,
meses e anos que tinham passado, abrira-lhe a porta, deixara-a entrar, assim
que a vira. Sabia que sempre o faria.
De novo a sua vida seria como
uma montanha russa.
Com intensidade, voltava
a sentir-se vivo.
Ambos envelheceram e ambos precisavam um do outro o que é muito complicado. Gostei!
ResponderEliminarBeijos e um bom fim de semana