Estavam casados há quase dez anos.
Dez longos anos.
Não se davam mal, mas não havia paixão. Gastaram-na ou
desperdiçaram-na por a darem como certa.
Os dias sucediam-se iguais. Sabia do que ela gostava,
desde pratos de comida a programas na televisão. Sabia o que ela desaprovava,
as palavras que usava para o expressar. Do lado dela seria o mesmo. Também o
conhecia de cor.
Perto do seu aniversário começou a reparar na vizinha.
Encontravam-se no elevador, ela sempre sorridente, a desejar-lhe um bom dia, a
perguntar-lhe como estava. Parecia realmente interessada na resposta. Quando
ela lhe pediu ajuda para mudar uma lâmpada não podia recusar. O que se seguiu, surpreendeu-o. Ela desabotoara
o vestido, viu-lhe os seios redondos e sentiu-os quando ela o enlaçou. Não
pensou, apenas sentiu.
Simultaneamente vivo e culpado.
Continuou a ver a Eva. Primeiro tudo corria bem,
excepto a culpa. Pouco a pouco, à medida que se repetiam os encontros,
começaram a irritá-lo as suas queixas do marido. Ela suspeitava que ele a
traía. Não o disse, mas pensou para si próprio, não fazemos nós o mesmo?
A culpa fez com que reparasse mais na mulher. Queria
compensá-la, queria que ela o perdoasse ou compreendesse. A sua Lilite era
honesta, fiel, muito melhor que a Eva.
Chegou o dia do aniversário e decidiu fazer-lhe uma
surpresa, comprou flores e veio mais cedo para casa.
Subiu pelas escadas para ter a certeza que não ia
encontrar a Eva. Ia abrir a porta que dava acesso ao patamar quando ouviu
vozes. Escutou. Era a Lilite e o vizinho. Será que ele desconfiara da traição e
fora falar com ela?
O coração aos pulos, preparava-se para o negar, quando
percebeu que se beijavam.
Traidor e traído, manteve-se escondido.
Depois, deu-lhe na mesma as flores e pediu-lhe o
divórcio.
Um magnífico relato de tantas vivências iguais com casais e o melhor foi mesmo o divórcio. Mas ainda há quem viva apenas e tão só de aparências.
ResponderEliminarGostei bastante!
Beijos e um bom dia
Chumbo trocado não dói....kkkk
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