segunda-feira, agosto 09, 2021

Post 8165 - CNEC 56-28 - 3/10 - O primeiro caso

 

Fora o seu primeiro caso nos Homicídios da Polícia Judiciária.

Ema Pinto-Lebre sofrera o traumatismo craniano no escritório, um espaço aberto onde na altura estavam mais dez pessoas. Levada para o Hospital com sinais de vida, morrera ao chegar. Vira-a na Morgue. O cabelo louro na nuca com o sangue negro. O Médico-legista falara sobre o ferimento. Fora causado por um objecto metálico, retangular, 7 por 10 cm, ainda não encontrado.

Os depoimentos não coincidiam. Estavam todos muito ocupados. A maior parte só se apercebera depois que algo acontecera. Ema jazia no chão, a sua secretária ligava para o INEM. Dois que estavam mais longe afirmaram tê-la visto a escorregar e a cair para trás, mas nada no chão batia certo com a lesão apresentada.

 O pior era que não faltavam suspeitos com motivos. Estava a divorciar-se e despedira o próprio marido. Naquele dia ele estivera lá para receber um último cheque e tinham discutido. No entanto, já teria saído. Os subordinados pareciam aliviados com o seu desaparecimento. Os colegas e superiores referiram primeiro que ela vivia para o trabalho, admitiram depois que ela seria capaz de vender a própria mãe para ficar por cima.

Era uma pessoa competitiva, egoísta, tratava mal todos os que não lhe interessavam e os outros receavam o momento em que ela os pudesse ver como antagonistas porque os apunhalaria sem piedade.

Seria possível que os dez subordinados e colegas estivessem juntos no seu homicídio?

Foi ao local uma última vez, antes da limpeza. Olhou com atenção para a sua secretária, um pesa-papéis, um furador, o computador e o Iphone. Faltaria algo?

Pensou nos últimos momentos antes da sua morte, a urgência nos actos do Paramédico e Médico.

Alargou a busca e encontrou-o. Atrás de uma secretária a cinco metros, escondia‑se contrito, o agrafador homicida.

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