Um homem está escondido debaixo da cama quando ouve o ressonar alto do marido que dorme por cima.
Gelado e assustado hesita – saio ou não saio? deveria esperar pela
manhã?
Resolve
arriscar e desliza para fora, pelo lado onde está a sua amante que também
aproveita para, pé ante pé, se levantar e o seguir, ele de gatas, ela de pé
atrás dele, conseguem sair do quarto e encostar a porta.
No meio da confusão ela tinha escondido a
roupa dele no armário, ficou despido em cuecas. Tudo tinha sucedido em
segundos. Envolvidos na paixão do seu segundo encontro não escutaram que a
porta da rua se abria. Tiveram a sorte do marido chamar por ela: “Eva! Onde
estás? Mas já te foste deitar?” Em verdadeiro terror ouviram os seus passos em
direcção às escadas. Ela segredou-lhe “esconde-te!” Mas onde? A cama era alta,
enfiou-se por baixo e ela puxou a colcha para aquele lado para melhor o
esconder.
Ouviu o marido entrar e a voz da Eva meio
trémula: “não me estava a sentir bem, vim deitar-me, mas voltaste mais cedo?”
Ele respondeu-lhe chateado: “com isto do
Covid, ficou sem efeito o torneio de cartas e fecharam o Café, parece que por
lá ficaram todos doentes, o dono e os funcionários”.
- Que pena querido, sei como estavas ansioso
por participar.
- Olha, vou-te fazer companhia e também vou
para a cama.
Deitaram-se os dois em silêncio e passado
pouco tempo, que a ele lhe pareceu uma eternidade, começou o ressonar alto, que
felizmente era dele e não da Eva.
Mas e agora? Não ia para a rua em cuecas! Eva lembrou-se da roupa do marido que estava para lavar e serviu-lhe, a roupa e a situação, para não se fiar mais em torneios, sobretudo em tempos de Covid.
Que soberbo conto e com um final surpreendente:)))
ResponderEliminarBeijos e um bom dia
Interessante este texto.
ResponderEliminarArthur Claro
http://www.arthur-claro.blogspot.com