quarta-feira, março 30, 2022

CNEC 59/31 - 7/10 - Um homem escondido debaixo da cama

           Um homem está escondido debaixo da cama quando ouve o ressonar alto do marido que dorme por cima.

Gelado e assustado hesita – saio ou não saio? deveria esperar pela manhã?

 Resolve arriscar e desliza para fora, pelo lado onde está a sua amante que também aproveita para, pé ante pé, se levantar e o seguir, ele de gatas, ela de pé atrás dele, conseguem sair do quarto e encostar a porta.

No meio da confusão ela tinha escondido a roupa dele no armário, ficou despido em cuecas. Tudo tinha sucedido em segundos. Envolvidos na paixão do seu segundo encontro não escutaram que a porta da rua se abria. Tiveram a sorte do marido chamar por ela: “Eva! Onde estás? Mas já te foste deitar?” Em verdadeiro terror ouviram os seus passos em direcção às escadas. Ela segredou-lhe “esconde-te!” Mas onde? A cama era alta, enfiou-se por baixo e ela puxou a colcha para aquele lado para melhor o esconder.

Ouviu o marido entrar e a voz da Eva meio trémula: “não me estava a sentir bem, vim deitar-me, mas voltaste mais cedo?”

Ele respondeu-lhe chateado: “com isto do Covid, ficou sem efeito o torneio de cartas e fecharam o Café, parece que por lá ficaram todos doentes, o dono e os funcionários”.

- Que pena querido, sei como estavas ansioso por participar.

- Olha, vou-te fazer companhia e também vou para a cama.

Deitaram-se os dois em silêncio e passado pouco tempo, que a ele lhe pareceu uma eternidade, começou o ressonar alto, que felizmente era dele e não da Eva.

Mas e agora? Não ia para a rua em cuecas! Eva lembrou-se da roupa do marido que estava para lavar e serviu-lhe, a roupa e a situação, para não se fiar mais em torneios, sobretudo em tempos de Covid.

 

2 comentários:

  1. Que soberbo conto e com um final surpreendente:)))
    Beijos e um bom dia

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  2. Interessante este texto.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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