Lento a falar, um
bocadinho para o forte e óculos. Pelo trabalho do pai várias vezes tivemos de
mudar de cidade e de escola. Parecia quase que sempre que ele arranjava um
amigo voltava a ser necessário mudarmos. Para piorar, este ano não ia estar na
mesma escola que ele, não o poderia proteger ou encontrar-me sequer com ele no
recreio. Se ao menos os outros o vissem como eu. Uma alma boa, nunca guardava
rancor, nunca culpava os outros, tinha sempre esperança que seria diferente no
dia seguinte.
Foi para nova escolinha
com entusiasmo. Deixei-o lá e segui para a minha. No regresso tinha a mochila
rasgada. Contou aos pais que caíra. Talvez por estarem tão preocupados com os
problemas do dia-a-dia, acreditaram ou fizeram por isso. Eu tinha mais tempo ou
podia estar mais atenta. Reparei como pouco a pouco a luz nele se apagava. Ele
nem sabia inventar que estava doente para não ir à escola. Eu tinha onze e ele
sete anos. Também não sabia bem como ajudar. Lembrei-me que poderia conquistar
os colegas com prendas. Arranjei-lhe uma caixa de gomas A caixa tinha-a feito
eu em trabalhos manuais. Comprei as gomas doces e coloridas, morangos, bananas
e ursinhos na Mercearia.
Na manhã seguinte estava
eu mais entusiasmada que ele, com a ideia que iria resultar.
À tarde quando passei
pela escola ele tinha a roupa rasgada, mas saiu com dois colegas. Não estava
sozinho e aqueles dois olhavam para ele como respeito.
Em casa perguntei-lhe o
que se passara.
- “O Zé (um dos que o perseguia) ia pisar a tua
caixa.”
- E?
- Empurrei-o. Caiu e
fugiu.”
O meu irmão continuou a
ser uma alma boa, mas passou também a defender as caixas de gomas e voltou a
gostar da escola.
Não era meu irmão, era colega na escola primária.
ResponderEliminarEstava doente e dizia que "era muito grave".
Ganhei um carro com comando a pilhas numa rifa.
E dei-lho a ele.
Felizmente melhorou.
Mas não terá sido por causa da minha oferta.
Foi há mais de cinquenta anos.
Beijinho
Passei o mesmo na "antiga" quarta classe com um coleguinha acabado de chegar da "metrópole" e que era tão mal tratado por dois de uma outra turma. Sabia quem eram e um dia fiz-lhes uma espera "longe dos portões da escola devido ao regime" e fiz o que nem quero contar e levei-os ao portão puxando um de cada lado e disse: estes só querem bater nos mais fracos. Foram ao diretor e mudaram do dia para a noite.
ResponderEliminarEnfim e já cá com a minha filha mais nova por volta dos seus 6/7 anos uma colega e um colega só lhe davam carolos e resolvi tudo dando um carolo a cada um perante os pais de ambos. Admirados e quase irados só lhes disse: passem pf a vossa mão pela cabeça dela e depois podem ir fazer queixa.
Passaram-se anos e não é que o rapaz é colega do meu meu genro? Ele reconheceu-me numa festinha do meu neto...e minha nossa disse-me que a lição que lhe dei valeu muito a pena. Agora tem dois filhos e um deles é traquina como o pai:)))
Beijocas e um bom dia