terça-feira, agosto 24, 2021

CNEC 56/28 - 5/10 Carta de amor a si mesmo

 

 

Penso que nunca me menti.

Conheço os meus defeitos e faltas, e os pecados de que não falo.

Invento ocupações e histórias para me ocupar e acolher. Guardo em gavetas o que é doloroso ter presente. Espero não esquecer nunca as boas memórias, mas também não as lembro sempre. Talvez para que não se gastem e percam ou recear que se alterem.

Defino-me por comparação com os outros, aquilo em que me distingo por ser mais ou menos.

Sei o que gosto e não gosto em mim. O que quero manter e o que quero mudar.

A curiosidade e o espírito de contradição, por um lado, e por outro lado, as explosões, quais nuvens negras que gostaria que antes se dissipassem sem trovões.

Sou também os meus sonhos, além das recordações, e o que faço e sinto, o medo, a raiva, a paixão e o amor.

Penso no amor como um sentimento em relação a um outro. Como senti-lo e escrevê-lo para mim, se não sou outro, mas eu?

Conheço-me. Posso gostar de mim, sobretudo quando estou bem comigo mesma, sem culpa, nem raiva, em paz.

Amo outros. Gosto de partes de mim. Tento mudar as de que não gosto e posso querer e desejar-me estar em paz.

 

Sem comentários:

Enviar um comentário