Penso que nunca me menti.
Conheço os meus defeitos e faltas, e os pecados de que
não falo.
Invento ocupações e histórias para me ocupar e acolher.
Guardo em gavetas o que é doloroso ter presente. Espero não esquecer nunca as
boas memórias, mas também não as lembro sempre. Talvez para que não se gastem e
percam ou recear que se alterem.
Defino-me por comparação com os outros, aquilo em que
me distingo por ser mais ou menos.
Sei o que gosto e não gosto em mim. O que quero manter
e o que quero mudar.
A curiosidade e o espírito de contradição, por um
lado, e por outro lado, as explosões, quais nuvens negras que gostaria que antes
se dissipassem sem trovões.
Sou também os meus sonhos, além das recordações, e o
que faço e sinto, o medo, a raiva, a paixão e o amor.
Penso no amor como um sentimento em relação a um
outro. Como senti-lo e escrevê-lo para mim, se não sou outro, mas eu?
Conheço-me. Posso gostar de mim, sobretudo quando
estou bem comigo mesma, sem culpa, nem raiva, em paz.
Amo outros. Gosto de partes de mim. Tento mudar as de
que não gosto e posso querer e desejar-me estar em paz.
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