quinta-feira, dezembro 08, 2016

Post 5921 - 7/10

Chegou à hora marcada pela primeira vez naquele ano. Cansados no final de dia de trabalho e animados com a proximidade do Natal, ninguém estranhou. Não repararam que a camionete era mais verde por fora, mais limpa por dentro e o condutor, um gorducho barbudo desconhecido.
Lá dentro, pouco a pouco, foram todos adormecendo. Já não viram que não seguia o caminho habitual. Trocou as ruas iluminadas do centro da cidade por caminhos sombrios, desvendados apenas pela parca luz dos faróis.
O seu sono durou o tempo da viagem, escondeu a grande distância percorrida, e quando pararam, despertaram num mundo diferente.
O estranho barbudo riu-se: “Ho, Ho, Ho, vamos ao trabalho!”
Lá fora, outras camionetas chegavam e despejavam os passageiros no centro da fábrica. Ali as cores eram mais intensas e vibrantes, e cheirava a bolos saídos do forno
Era preciso acabar os brinquedos, empacotá-los e ordená-los, seguindo os desejos das cartas escritas ou meramente sonhadas.
Eram vários os condutores gorduchos e as suas barbas branqueavam quando envergavam fatos vermelhos e se dirigiam para os trenós, já com as renas atreladas.
Tudo pronto antes da meia-noite, regressaram às camionetes, mais cansados e animados.
De novo adormeceram, esqueceram o sucedido e o tempo recuou enquanto voltavam para a cidade. Foram saindo nas suas paragens com a vaga sensação de não recordarem algo importante.
José chegou a casa e lembrou-se mais uma vez que se esquecera de comprar a boneca que a filha queria. Fá-lo-ia no dia seguinte, pensou quando ela veio a correr ter consigo e a sentou no seu colo, meia de lado para poder beijar a mulher. E eis que a filha descobriu no seu bolso a prenda desejada. Ouviu-a rir, e sem perceber como era possível, viu-a com a boneca que cheirava a bolos acabados de cozer.


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