sexta-feira, março 03, 2017

Post 6075 - "Como se morre de velhice" de Cecília Meireles

Cecília Meireles:

Como se morre de velhice
ou de acidente ou de doença,
morro, Senhor, de indiferença.

Da indiferença deste mundo
onde o que se sente e se pensa
não tem eco, na ausência imensa.

Na ausência, areia movediça
onde se escreve igual sentença
para o que é vencido e o que vença.

Salva-me, Senhor, do horizonte
sem estímulo ou recompensa
onde o amor equivale à ofensa.

De boca amarga e de alma triste
sinto a minha própria presença
num céu de loucura suspensa.

(Já não se morre de velhice
nem de acidente nem de doença,
mas, Senhor, só de indiferença.)


Ver: aqui

13 comentários:

  1. Magnífico e actual poema!

    Obrigada pela partilha.

    Beijinhos.

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    1. De nada, Mona Lisa, não o conhecia e gostei muito
      um beijinho

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  2. Conhecia o poema da poetisa brasileira, que é tão actual.

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    1. Eu não o conhecia Ematejoca (sou mais de ler prosa) gostei muito e estou a procurar ler mais poesia dela
      um beijinho

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  3. Uma excelente escolha, um poema lindo
    Beijinhos
    MAria

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    1. Não o conhecia e gostei muito quando o li
      um beijinho

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  4. A indiferença fica o grande mal neste mundo
    Abraço

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    1. Pois Alfacinha também me parece que o é
      um abraço

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  5. Junto aqui o meu lamento pela nossa querida Teté!!!!

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    1. eu soube ontem pela Afrodite, Graça
      um beijinho

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  6. Um poema lindíssimo, e que nos dá bastante sobre o que pensar...
    Bjs
    Ana

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