“oh não, um vírus outra
vez!”
Já
não me lembro muito bem de como foi o anterior, mas tenho quase a certeza
absoluta que não foi tão alarmante como este está a ser.
Sinto
a pairar sobre nós uma nuvem cinzenta cada vez maior e mais escura.
Primeiro
estava na China e pareceu quase um filme, até pela rapidez anunciada e
concretizada na construção de um Hospital.
Depois
foi-se aproximando, Itália, Espanha, e chegou cá.
Invadiu
os telejornais, os jornais, as revistas e as conversas. Discute-se sobre a
linha de apoio, planos de contingência, hospitais esgotados, quarentenas
voluntárias, enquanto crescem os casos confirmados – para já serão nove, e os
casos suspeitos não validados.
Cancelam-se
voos e viagens eventos são adiados.
Fala-se
sobre a prevenção – ouvi dizer que beber muita água e chá de erva doce ajuda,
mas ainda não fui comprar o chá. É importante lavar as mãos, desinfectar tudo
com lixivia. Evitar espaços fechados com muitas pessoas, cumprimentos e
proximidade, e tossir para os cotovelos. Ligar para a linha de apoio se
tivermos febre alta, tosse e/ou dificuldade respiratória.
Sinto-me
já ligeira e hipocondriacamente resfriada.
Com
a minha sorte se apanho isto, será já quando não há quartos livres, ainda terei
de ir para uma tenda improvisada, sem livros, e poderei passar a seguir para
outro plano mais quente. O que não queria era contagiar ninguém.
Por
isso espero que descubram depressa um remédio e uma vacina.