"Quem tropeça é sempre alguém que se distrai a olhar para as estrelas" Vladimir Nabokov (nome do blogue veio do livro para crianças de Virgínia de Castro e Almeida)
quinta-feira, outubro 31, 2019
Post 7243 - CNEC 4/10 Parados no Elevador
Pensei para mim, onde é
que eu vi este senhor, sei que é Engenheiro. Gentilmente deixou-me entrar
primeiro e ao menino, talvez seu filho.
Carreguei no 6º, ele no
7º e o menino começou a carregar nos botões todos!
Ele interpelou a criança:
- Atenção meu rapaz,
assim ainda paramos em todos os andares!
O menino continuou e ele
não se conteve:
- Srª Drª não seria
melhor impedir o seu filho…
- Como meu filho? Pensei
que fosse seu? Lembrei-me de onde o conhecia, há anos fora sua advogada no
processo de divórcio e ele não tinha filhos.
- “Não é seu?” Virou-se
para a criança: “Ó miúdo mas queres parar com isso?”
Nessa altura sentimos
todos uma valente sacudidela, a luz apagou, voltou a ligar e ficámos parados
- Pronto, fizeste-a
bonita e eu estou com pressa!
O menino encostou-se a um
canto do elevador a olhar para o chão.
O Sr. Engenheiro aliviou o
nó da gravata, tirou o casaco: “Não me estou a sentir nada bem…
A criança começou a
fungar
Resolvi tocar no botão no
alarme…Ouviu-se uma voz distante:
- O que é que se passa?
- Estamos parados no
elevador – respondemos os dois ao mesmo tempo, eu e o Sr. Engenheiro
- “Experimentem carregar
no botão do 1º Andar”. O Sr Engenheiro fê-lo de imediato, e nada.
A voz fez-ouvir: “E
então?”
- “Nada, continuamos
parados”, respondi eu. O Sr. Engenheiro empalidecia e não respondeu.
- Já vamos enviar ajuda.
O já vamos prolongou-se
por meia hora. Entretanto tentei entreter o Sr. Engenheiro e o miúdo até para
que o primeiro não assassinasse o segundo ou não caísse para o lado, e o miúdo
parasse de fungar.
Falar sobre o tempo não
ajudou.
De repente, nova
sacudidela. A porta abriu-se e saímos todos apressados.
quarta-feira, outubro 30, 2019
Post 7239 - Colectânea Lugares e Palavras de Natal
O meu texto (enviado no último dia, de novo procrastinei :( ) foi seleecionado para a Colectânea
Natal no Mundo ao contrário
Ainda não está muito frio, mas as árvores
já estão despidas de folhas.
Há sítios em que neva, mas em outros
locais há calor.
O Mundo ao contrário.
Tanto quanto o estado do tempo nos vários
países, o passado e o presente.
O que fazer se no presente há ausências
tão dolorosas e imensas que nos fazem desejar partir,
E mesmo quando parece que o depois é o
nada, querer ainda assim partir para que deixe de doer.
Como se para curar a enxaqueca se cortasse
a cabeça.
Não posso ter de volta comigo a quem quero
e de quem sinto a falta, então deixo também de viver.
Sei de momentos felizes nos Natais
passados. Posso também lembrar outros distintos. Mas no presente é nas
recordações que encontro o calor de alguns abraços.
Sentir no vento, afagos,
Na chuva, toques dos dedos, não frios, mas
frescos.
Posso não ver quem caminha ao meu lado.
Pressentir que é
temporário, que está perto, quem parece insuportavelmente inalcançável.
Pé ante pé, talvez a adormecer, sentir que
está ali presente
Um momento assim seria Natal.
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domingo, outubro 27, 2019
Post 7238 - Filmes no cinema e na televisão
Anjo Perdido (Angel of Mine) de Kim Farrant (com Naomi Rapace, Yvonne Strahovski, Luke Evans)

Paradise Hills de Alice Waddington, com Eiza González, Emma ROberts, Danielle Macdonald, Milla Jovovich
Agora Estamos Sozinhos (I Think We're Alone Now) de Reed Morano, com Peter Dinklage, Elle Fanning, Charlotte Gainsburg

"Num futuro não muito distante, algo deixou o planeta devastado. Durante muito tempo Del (Peter Dinklage) julga-se o último representante da Humanidade. Habituado à solidão, ele quase se sente feliz com a tranquilidade dos dias. Até que, inesperadamente, o seu caminho se cruza com Grace (Elle Fanning). A partir desse momento toda a existência de Del, até aí tão calma e silenciosa, se altera..."
sexta-feira, outubro 25, 2019
Post 7237 - Desafio dos Pássaros 7 - Máscara de compota
A Constança precisava duma máscara capilar e veio ter comigo
porque sabia que eu andava a vender qualquer coisa.
Eu disse-lhe: “Constança, o meu patrão só quer que eu venda
compota de abóbora com amêndoa.
E ela respondeu-me: “Está bem”.
Foi o inicio de uma bela amizade porque clientes assim não
são fáceis de encontrar.
Ela perguntou-me o que achava de ela usar a compota de
abóbora com amêndoa como mascara capilar.
Lembrei-me da coca-cola que era para ser um xarope, e
disse-lhe para ir em frente.”
E ela foi.
Não resultou assim muito bem, o cabelo ficou um bocado pegajoso,
mas pelo menos cheirava muito bem a abóbora e a amêndoa.
Como agora somos amigas e já era hora, fomos almoçar juntas.
Não sei bem porquê mas apeteceu-nos às duas sopa de abóbora e tarte de amêndoa.
Contei-lhe do Desafio dos Pássaros e ela ficou muito
interessada, as duas vamos agora aguardar para ler o que foi escrito pelos
desafiados…
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Post 7236 - Desafio de Escrita 3/10 - O Mercedes amarelo
Abri a persiana e
procurei-o.
Tinha reparado nele, a primeira vez, por acaso. Como a rua do meu lado
estava cheia, fui estacionar o carro do outro lado e à frente. Pelo espelho
retrovisor vi então aquele mercedes antigo, amarelo e bem conservado, com o
emblema à frente orgulhosamente destacado.
Interroguei-me sobre a quem pertenceria. Naquela rua de prédios novos, a
maior parte dos vizinhos, se não todos, eram relativamente jovens, com pequenos
carros utilitários e preocupados com a hipoteca das casas. Não via nenhum deles
a comprar aquele carro, em vez dum Fiat ou dum Opel, que por ali abundavam.
Talvez em segunda mão. Ou uma herança.
Decidi nessa altura, quase subconscientemente, que ficaria atento, para
descobrir a quem pertencia. No entanto, os dias iam passando e o carro continuava
parado. À frente do prédio, via-o pela janela. Até que uma certa noite,
apercebi-me que traçando o paralelo com a fachada do prédio à frente, estava um
pouco mais de um metro à frente do sítio da noite anterior. Durante a noite
alguém devia estar a sair com o Mercedes. Regressava depois para o estacionar
no mesmo sítio ou próximo.
Nessa noite decidi deitar-me mais tarde e bebi um café.
Até à uma da manhã, nada. Apesar do café, comecei a sentir sono. Por uns
segundos, ou assim me pareceu, fechei os olhos. Foi então que escutei o barulho
do motor. Voei até à janela: uma mulher lindíssima estava ao volante…estremeci
e percebi que adormecera, mas ouvia de verdade o motor. Levantei-me e fui até à
janela.
Era o Mercedes, e estava a chegar. O
condutor saiu do carro. Era um homem careca e baixinho.
Reconheci-o. Era o empreiteiro, pai do vizinho do quarto andar. Nada
parecido com a deusa do meu sonho.
Alguns mistérios não devem ser desvendados…
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sexta-feira, outubro 18, 2019
Post 7234 - Desafio dos Pássaros 6 - O Amor, uma cabana e um frigorífico
A nossa primeira viagem
não foi bem o que estava à espera.
O Paulo vendeu-me tudo
como um sonho, os dois e uma choupana, no meio da natureza…que mais poderíamos
desejar?
Eu que andava meio
desconfiada que ele queria desviar os nossos subsídios de férias para o
televisor de ecrã panorâmico de não sei quantas polegadas, “assim vejo a bola
em casa, fofa”, e “está em promoção, é uma oportunidade única”, até fiquei
aliviada. Afinal sempre íamos ter férias. Burra. Mas que férias?!
Seguimos para lá no jipe
do avô dele, que não estava lá muito bem e não durou muito depois, o jipe,
claro.
Não havia dúvidas que
ficava no meio da natureza. Tão no meio que nunca mais chegávamos, era só árvores
e caminhos de terra e lama.
No final da tarde
avistámos a choupana, que não chegaria sequer ao patamar de uma cabana. Se não
fosse tão tarde e não estivesse tão cansada teria dito para darmos meia-volta e
desistirmos de ali ficar. Assim resolvi dar-lhe uma oportunidade. Entrámos e não
tinha electricidade, mas tinha um frigorífico. Pensei que funcionasse com bateria,
mas não, era mesmo para funcionar ligado a uma tomada que não existia. Assim
servia de armário para conservas. Mas para ser positiva estava tanto frio ali
que não precisávamos de frigorifico, bastaria colocar o que quiséssemos gelado
lá fora, na janela ou encostado à porta. E o Paulo não conseguiu ligar a
lareira. Disse que a madeira e os fósforos estavam húmidos. Deveríamos tê-los
guardado no frigorífico.
Comemos as sandes que tínhamos
levado e fomos dormir. Durante a noite, a escuridão pesava e não vi estrelas no céu. Assim que consegui
adormecer acordei em sobressalto. Alguém andava aos empurrões à porta. Não
fomos abrir para descobrirmos quem era e fizemos bem, porque de manhã algo
deixara marcas de garras na porta, talvez um urso.
Pelo menos com tanto frio
dormimos bem agarradinhos.
Nos anos seguintes passei
eu a tratar das férias e lá para casa arranjei um frigorífico parecido. Tinha
muita arrumação.
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Post 7233 - Desafio de Escrita 2/10 - Hora de ponta no Elevador
Foi por pouco!
Tive de correr mas cheguei
ao pé do elevador quando a porta começava a fechar‑se. Premi o botão e voltou a
abrir-se.
À minha frente seis
rostos fechados e enfadados. Pareceu-me até que uma senhora tinha estado a
carregar no botão para fechar muito assertivamente e não queria larga-lo.
- “Com licença, com
licença.” Consegui enfiar-me no meio deles.
Estavam já marcados os
andares 5, 6 e 7. Quando marquei o 4, cresceu o mal-estar à minha volta. Alguém
disse, “andamos a parar em todos os apeadeiros”. Aquelas pessoas não estavam
nada felizes. A minha sorte em apanhar o elevador fora um grande contratempo
para eles.
O pior foi quando, depois
de se fechar a porta, e o elevador começar vagarosamente a mover-se, nos apercebemos
que descia…
Alguém o chamara, aparentemente
do Andar 2, onde voltou a parar.
A porta abriu-se muito
lentamente. Uma senhora olhou para nós. Tentei suavizar o ambiente dirigindo-lhe
um pequeno sorriso, enquanto tentava recuar para abrir espaço para ela. A
senhora que não pareceu ver-me, nem aos demais, enfiou um braço com sacos de
compras pela porta dentro e gritou para alguém que não víamos:
- Está aqui o elevador!
A mesma voz atrás de mim
que comentara a paragem em todos os apeadeiros fez‑se ouvir “não cabe mais
ninguém!” no preciso momento em que surgiu um senhor e duas jovens, talvez o
marido e as filhas, uma delas extraordinariamente bonita…o que terá contribuído
para que finalmente alguns recuassem e pudessem entrar todos. Afinal ainda
cabia mais alguém, e logo quatro.
Como sardinhas em lata
mas protegidos assim de qualquer oscilação inesperada constatámos que finalmente
subíamos.
Depois, não foi fácil
chegar à porta para sair no meu andar, mas lá consegui e assim cheguei a horas
à minha consulta.
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domingo, outubro 13, 2019
sábado, outubro 12, 2019
Post 7231 . Receita- frango corado
- Pedaços de frango a cozer com sal, três grãos de pimenta, uma folha de louro e um cravinho que depois irá para frigideira com pedaços de alho e manteiga e podemos temperar com sal de mesa;
sexta-feira, outubro 11, 2019
Post 7229 Sobre os Desafios de Escrita
Por um lado é muito interessante poder ler como os outros desafiados pegam nos temas e o que fazem com eles, mas por outro lado, pode ser esmagador quando me parece que o fazem tão melhor.
E tenho de me lembrar também de: Não postergar!
E tenho de me lembrar também de: Não postergar!
Post 7228 - Desafio de Escrita dos Pássaros - A fila
E eu que não gosto de
filas. Nunca pensei que no “Depois” também houvesse uma fila…e uma fila que não
anda!
À minha frente um senhor
encasacado e com ar infeliz não parece aborrecido com o atraso, desconfio que
saberá para onde vai e a ideia não o seduz. O Inferno será demasiado quente ou demasiado
gelado.
E à nossa frente dez
freiras pacientes, que às vezes até cantam hinos. Quando se preparam para
iniciar nova cantoria, peço desculpa e resolvo descobrir porque é que a fila
não anda. Vou-me desculpando à medida que avanço. Mais encasacados infelizes e
freiras pacientes e a liderar a nossa fila um homem com um bigode pequeno que
creio reconhecer…mas, não pode ser! Afinal não deveria ter morrido antes mesmo
de eu nascer? Será um clone dele? Não, parece que é o verdadeiro. Conseguiu
permanecer escondido, mas foi descoberto e teve de se juntar à fila. Há duas
portas, mas não o querem aceitar. À frente de cada porta, um senhor barbudo e
de vestido, e um encasacado vermelhusco com chifres. Dirijo-me a eles: “Meus senhores, a fila tem de andar!” Olham‑me
com severidade. Com esta iniciativa ainda vou é estragar as minhas hipóteses de
encontrar guarida na primeira porta.
- “Se é mesmo ele, se há
um depois, se há um sentido para o que sofremos e um reencontro, talvez seja
possível o perdão. Eu não sou ninguém para perdoar, mas talvez possam perguntar
aos que ele matou e estão lá dentro?”
As duas figuras escutaram
o que eu disse. Retiram-se e fecham as portas, mas só por segundos. Quando
regressam, dizem que lhe vão permitir a entrada e como os demais ele poderá
escolher. Hitler não hesita e escolhe a Porta do Inferno.
Eu regresso ao meu lugar
na fila, penso na escolha que ele fez e na que espero poder fazer quando chegar
a minha vez.
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Post 7226 - Livros 2019 (95) O Comboio da Noite de Martin Amis
Sinopse no Site da Quetzal"Mike Hoolihan, uma mulher polícia de uma cidade americana, depara-se com a morte suspeita da jovem Jennifer Rockwell. Mike conhecera-a: era muito bela, inteligente, amorável, gregária, uma criatura extraordi-nariamente adorada por toda a comunidade. Encontrá- -la morta em casa, com um tiro na cabeça, foi um choque tremendo, e maior ainda foi a perplexidade quando todos os indícios apontaram para o suicídio. Até mesmo o facto suspeito de terem sido disparados não um mas três tiros pôde ser rapidamente explicado.
Quando Mike se preparava para dar o caso por encerrado, o pai de Jennifer, antigo polícia e chefe de Mike, pede que esta olhe para o caso uma segunda vez. Tom Rockwell fora o amigo que a ajudara a reabilitar-se de um hábito alcoólico quase fatal - e não iria descansar enquanto não encontrasse uma explicação satisfatória. Porém, à medida que Mike vai investigando e sabendo mais sobre Jennifer Rockwell, a possibilidade de encontrar uma motivação linear vai-se tornando cada vez mais remota, e a verdade por trás daquela morte voluntária é cada vez mais perturbadora.
Ao invés dos livros que o precederam (e que, no geral, fomentam o distanciamento crítico do leitor), este romance de Martin Amis promove a proximidade e a empatia com a sua narradora e protagonista, faz com que o leitor sinta e sofra com ela, enquanto a narrativa segue a receita clássica de uma boa história americana de detetives."
Criticas da Imprensa também no site da Quetazl
«Pela primeira vez [Martin Amis] criou heroínas que se definem não pela roupa interior ou pelo tamanho do peito,
«Pela primeira vez [Martin Amis] criou heroínas que se definem não pela roupa interior ou pelo tamanho do peito,
mas pelo seu trabalho, relações e desapontamentos humanos.»
The Guardian
«O Comboio da Noite é, no seu âmago, um trabalho de sombrio romantismo. Jennifer Rockwell, alma do Mundo,
The Guardian
«O Comboio da Noite é, no seu âmago, um trabalho de sombrio romantismo. Jennifer Rockwell, alma do Mundo,
já não consegue contemplar o Mundo. Mike, o sal da Terra, acaba por entender porquê. Como é que ela lidará
com esta informação? A morte é o derradeiro brutamontes na obra de Martin Amis.»
The New York Times
«A ficção de Amis pega num curioso paradoxo da vida contemporânea: quanto mais sabemos – através da
The New York Times
«A ficção de Amis pega num curioso paradoxo da vida contemporânea: quanto mais sabemos – através da
ciência moderna ou pela televisão (duas das obsessões de Amis) – sobre outros universos e outras pessoas,
e que há mais coisas “lá fora”, mais do que alguma vez soubemos, mais nos sentimos aprisionados nas
nossas vidas.»
London Review of Book
London Review of Book
E sobre o Autor
Martin Amis é um dos autores de língua inglesa mais importantes e controversos da atualidade. Nasceu no País de Gales e é filho do escritor Kingsley Amis. A matéria-prima dos seus romances radica no absurdo da condição pós-moderna e nos excessos do capitalismo tardio das sociedades ocidentais; e o seu inconfundível estilo é compulsivo, terrivelmente vivo. Saul Bellow, Vladimir Nabokov e James Joyce são as suas grandes referências literárias. Por seu turno, influenciou uma nova geração de romancistas, como Will Self ou Zadie Smith.
Martin Amis é um dos autores de língua inglesa mais importantes e controversos da atualidade. Nasceu no País de Gales e é filho do escritor Kingsley Amis. A matéria-prima dos seus romances radica no absurdo da condição pós-moderna e nos excessos do capitalismo tardio das sociedades ocidentais; e o seu inconfundível estilo é compulsivo, terrivelmente vivo. Saul Bellow, Vladimir Nabokov e James Joyce são as suas grandes referências literárias. Por seu turno, influenciou uma nova geração de romancistas, como Will Self ou Zadie Smith.
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Post 7225 - Desafio de Escrita 1/10 - Audiência de julgmaento
A audiência teve início poucos minutos após a hora marcada. O tribunal
antigo escapara à última Reforma Judicial, na sua sala imponente, apesar da
mobília gasta, da bandeira ao fundo descolorida e dos vidros da janela meio
rachados, continuavam a realizar-se julgamentos.
Na sala esperava pacientemente o Sr. Lopes, administrativo reformado,
vinha para lá passar as tardes. Já o conheciam e cumprimentavam na secretaria,
avisavam-no das marcações de julgamentos crime, os seus preferidos. Como o
daquela tarde.
Quando o Juiz entrou, levantaram-se todos. O arguido era um homem novo,
motorista de pesados. Acusado de violência doméstica, quis falar. Negou tudo,
excepto a relação de alguns anos com a ofendida. Mas não foi ela que o deixou,
ele é que a mandou embora, quis evidenciar. De resto, era tudo mentira. Ele nem
estava cá na altura, mas na França.
Entrou depois a ofendida. Queria acabar com o processo, mas não podia, é
um crime público, não podia desistir da queixa. Não queria falar, mas os factos
descritos na acusação teriam alegadamente ocorrido depois da separação. Tinha
de prestar depoimento. Esperava-se que confirmasse o que constava da acusação,
construída com base na participação e nas suas declarações. Ela queria falar do
antes, de quando estavam juntos, mas ele era acusado do que se passara depois.
Perguntou o juiz: “Então ele ligava-lhe, ia procura-la a sua casa e no
seu local de trabalho?” Ela responde que “sim, que a mãe dele fazia isso…”
- A mãe dele?
- Sim, a mãe dele. Tomou as dores do filho e perseguia-a, insultava-a.
Mas e o arguido?” Insistiu o Juiz?
- Ele não fez nada, a mãe dele é que a perseguia, não aceitou que
terminassem, culpava-a e
Interrompeu-a o Juiz, “mas foi a mãe dele?”
- Sim, a mãe dele…
O arguido foi absolvido.
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segunda-feira, outubro 07, 2019
domingo, outubro 06, 2019
Post 7133 - Livros 2019 (93) A Rapariga Sem Nome de Leslie Wolfe
A Rapariga Sem Nome de Leslie Wolfe
No Site da Bertrand:
"Sinopse
Os olhos azuis vidrados, o belo rosto, inerte, coberto de cintilantes grãos de areia. Os lábios entreabertos, como que para libertar um último suspiro. Quem é a bela rapariga encontrada ao amanhecer numa praia deserta? Qual é o seu segredo?A agente especial Tess Winnett, do FBI, procura incessantemente respostas. A cada passo, a cada nova descoberta, desvenda factos perturbadores que conduzem à mesma conclusão: aquela não foi a única vítima. O assassino que procuram já matou antes.
Escondendo também um terrível segredo, a agente Tess Winnett enfrenta os seus receios mais profundos, numa emocionante corrida para apanhar o assassino, que se prepara para acabar com outra vida. Descobri-lo-á a tempo? Será capaz de o deter? A que preço?
AS REGRAS DO JOGO MUDARAM.
TAL COMO A DEFINIÇÃO DE SERIAL KILLER.
TODOS DESEJAMOS TER ALGUÉM. MAS ESTAREMOS DISPOSTOS A MORRER POR ISSO?
A agente especial Tess Winnett é apaixonada, ousada, forte e temperamental. Não hesita em arriscar a vida, numa busca incessante por toda a verdade e por um seria killer cruel que anda a tirar vidas sem piedade. Inteligente, desenvolta e teimosa, Tess levará os leitores numa memorável e aterradora investigação neste empolgante e apaixonante thriller.
Leslie Wolfe é uma escritora norte-americana cujos livros se tornaram bestsellers e cujo trabalho tem sido elogiado pelos leitores e pela crítica, desfrutando de um sucesso e reconhecimento crescentes, com solicitações diversas, incluindo da indústria cinematográfica de Hollywood.
Os romances de Leslie quebram o molde dos thrillers tradicionais, surpreendendo pela notável compreensão da natureza humana e pela forma notável como retratam os ambientes, as situações e as personagens. Fascinada por tecnologia e psicologia, Leslie aproveita a sua vasta experiência e pesquisa nessas áreas a fim de fortalecer e adicionar ingredientes extra aos seus livros.
Leslie Wolfe mora na Florida com o marido, «o Wolfe», e o seu cão. Algumas das suas citações favoritas são: «Um objetivo sem um plano é apenas um desejo», de Antoine de Saint-Exupéry, e «a imaginação é mais importante do que o conhecimento», de Albert Einstein."
Os romances de Leslie quebram o molde dos thrillers tradicionais, surpreendendo pela notável compreensão da natureza humana e pela forma notável como retratam os ambientes, as situações e as personagens. Fascinada por tecnologia e psicologia, Leslie aproveita a sua vasta experiência e pesquisa nessas áreas a fim de fortalecer e adicionar ingredientes extra aos seus livros.
Leslie Wolfe mora na Florida com o marido, «o Wolfe», e o seu cão. Algumas das suas citações favoritas são: «Um objetivo sem um plano é apenas um desejo», de Antoine de Saint-Exupéry, e «a imaginação é mais importante do que o conhecimento», de Albert Einstein."
"
Um policial com muita acção embora suspeitasse em parte de como ia terminar.
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Post 7132 - 5 e 6 de Outubro de2019
Ontem fui à missa. Do meu lado esquerdo as minhas irmãs, ao meu lado esquerdo um senhor simpático com alguma idade. Perto do final quando chega a altura de se dar algo, fui buscar uma moedinha. Jovens escuteiros desciam pelas filas com cestinhas para recolher dádivas. Como estava mais perto do lado direito preparei-me para dar moedinha. Jovem escuteiro com cestinha só olhava para o final da fila. Não me viu. O senhor simpático ao meu lado tentou chamar-lhe a atenção em vão. Virei-me para a direita. Aqui era uma menina escuteira também com uma cestinha e que também não me viu. A minha única hipótese era tentar atirar a moeda, mas com a minha sorte ainda falhava as certinhas e acertava num escuteiro...
Hoje fui votar. Cheguei a escola primária e procuro a minha sessão. Não havia filas para nenhuma...excepto a minha e aqui a fila era mesmo grande. Era a sessão das "Marias". Deviam ter dividido as "Marias" pelas várias salas em vez de juntar-nos a todas...
sexta-feira, outubro 04, 2019
Post 7131 - Desafio de escrita dos pássaros #4 A Beatriz disse que não. E Agora?
A Beatriz disse que não. E agora?
Fez-se um grande
silêncio. Ninguém dizia nada.
Não podia ser
brincadeira. Não ali, não naquele sítio, naquela hora.
As parentes e amigas
espremidas em vestidos de toilette, elevadas com sapatos pontiagudos, com
maquilhagens e penteados caprichados, e os homens nos fatos novos abafados, nem
se entre-olhavam e apenas uma mosca solitária zumbia, ou zombava deles todos.
Naquele silêncio pesado
não passou despercebido o ranger da porta que se abria devagarinho e os passos
que queria abafados do Zé que regressava, após ter ido fumar um cigarrinho.
Estava primeiro
preocupado em não fazer barulho, mas depois apercebeu-se que algo de estranho
se passava.
Estavam todos calados e
parados até nas expressões meio perdidas e espantadas. Todos menos ela que
nessa altura se virou para a audiência e com uma voz límpida e assertiva clamou
para os presentes.: “Estou grávida e o pai do meu filho é ele” ia apontar para
alguém, mas o Zé assustou-se de tal forma que caiu redondo no chão.
Os presentes agradeceram
a distracção e rodearam-no. Alguém lhe desapertou o colarinho, ouviu-se: “ajudem-no”,
“chamem um médico” Aproveitou a Beatriz para se escapulir com um dos convidados
e o noivo desapareceu com outro. O Padre disse que assim não os casava quando
era mais do que evidente para todos, que aqueles dois já não o quereriam.
O Zé recuperado e os
demais, excepto a noiva e o convidado que ninguém sabia bem quem era, foram na
mesma ao copo-de-água e houve como era hábito, danças, charutos e discursos num
“casamento” que se tornou inesquecível”.
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