Foi
um erro.
Foi
um erro ter lido aquele texto. Fi-lo movido pela curiosidade que na altura me
definia e dominava.
Vlad,
que conhecera recentemente, disse-me que era um texto maldito e não o deveria
ler, mas não o escondeu. Depois de o retirar da gaveta onde se encontrava,
deixou-o na secretária. Saiu para fazer um telefonema que “não podia esperar.”
Porque
é que não desconfiei? Aquele convite para sua casa quando apenas nos tínhamos encontrado
duas vezes no Bar, aquela saída para um telefonema, tão oportuna…Devia ter
percebido. Ao invés caí na armadilha.
Mal
ele saíra, quando me precipitei para a sua secretária, com a ponta dos dedos
agarrei no papel amarelado e ergui-o.
Li-o.
De imediato senti um aperto no peito, tudo
pareceu escurecer. A maldição descia sobre mim.
Vlad
regressou e pareceu-me que disfarçava um sorriso. Ao contrário de mim parecia
mais livre e como que rejuvenescido. Aceitou que eu não estivesse a sentir-me
bem e quisesse sair.
Arrastei-me
até casa. Pensei que só precisava de dormir e que no dia seguinte me sentiria
melhor. Quão enganado estava!
Desde
então tudo começou a correr-me mal, a minha noiva fugiu com outro homem, perdi
o meu emprego e fui despejado do apartamento onde vivia há anos.
Consegui
abrigo na casa, quase uma ruína, que herdara de uma tia.
Percebia
o que se passava, mas só recentemente descobri como libertar-me da maldição:
teria de passá-la a outro, como Vlad fizera comigo.
Por
isso escrevo este texto, mas quase no final, a minha consciência obriga-me a
deixar este aviso:
Leitor
não continues a ler porque se o fizeres
libertar-me-ás,
mas
levarás contigo a maldição,
Lá
estava escrito:
“É preciso esquecer que antes se teve mais,
se foi mais, para se conseguir viver com menos, ser menos.”
obrigado
por teres continuado…



