quinta-feira, novembro 17, 2016

Post 5888

Começo a ficar preocupada: depois de ter usado o meu último talão de desconto do Continente no Domingo, ainda não chegaram novos...

Post 5887 Desafio


Quem será o seguidor que me está a ajudar no Concurso de Escrita, escrevendo o texto 2?


Post 5886 - 4/10 - Horas Perdidas ou Os Entes Queridos

Horas Perdidas
A 24ª Hora – Último Capítulo

Um, dois, três,
Um, dois, três,
Era como ouvia o relógio.
Um, dois, três,
Um, dois, três.
O som enchia o pequeno espaço. Estava deitada, na sua cama, no seu quarto, transpirada e fria.
Passara a noite em claro, com pensamentos pesados e escuros.
Dali a duas horas, pelas oito, chegaria a Enfermeira.
Como de costume, o barulho dos pássaros tinha precedido o surgir da luz. Quase tinham conseguido sobrepor-se ao relógio, mas no fim este vencera.
Um, dois, três,
Um, dois, três.
Custava-lhe respirar. Sabia a dor, do seu corpo apodrecido, apenas amortecida pela morfina.
Nos últimos dias, os seus últimos dias, tinha tentado escrever o que fora a sua vida no caderno moleskine que lhe deixara o Luís. Precisava de um epílogo que queria e não queria encontrar. Quando o fizesse, ia descansar, mas depois não havia mais nada. Despedira‑se de todos os que lhe importavam, deixara todos os assuntos resolvidos.
Já escrevera sobre a doença, o abandono e solidão que sentia, e a morte anunciada que não conseguia mais adiar
Sabia agora que todas as horas em que por cobardia se tinha afastado, revividas em cada um dos vinte e três capítulos que penosamente descrevera no moleskine, tinham sido as suas horas perdidas.
Procurou refúgio nas memórias mais antigas, quando tudo parecia possível, no abrigo dos abraços dos seus pais, quando era criança, ainda vivos e jovens, no encantamento do seu primeiro amor.
Deixou de ouvir o “um, dois, três”.
Sorriu e soube depois que morria.

Ou


Os Entes Queridos
Do destino dos personagens mais queridos tratámos no capítulo anterior, resta a velha menina, a eterna guardiã dos valores familiares. A mulher que nunca dobrava, nem modificava os seus julgamentos dos outros e jamais voltava o espelho sobre si própria. A velha menina iniciara um estranho processo de encolhimento lento; no espelho em casa, nos reflexos das montras, nas câmaras de vigilância, revia-se cada vez mais pequena. Por outro lado, os murmúrios do vento transformavam-se em vozes, ouvia os entes queridos a repetirem velhas máximas, mais tarde conseguia mesmo conversar com os desaparecidos. A casa estava a ficar com menos espaço para ela, os entes queridos ocupavam os seus lugares favoritos e divisão após divisão ficava cerrada para ela.
Aqueles que fora tão pronta a julgar e a condenar tornavam-se insubstanciais, sombras sem importância, que não lhe faziam falta. Caminhava nas ruas e as vozes começaram a acompanhá-la. Pouco falava com os lojistas, vizinhos, conhecidos de anos. O tempo perdia o seu poder, luz e sombra, os dias perdiam a individualidade. A limpeza da casa já não lhe importava, as refeições aconteciam quando se lembrava, o seu aspecto físico já não era importante agora que estava a tornar-se tão minúscula.
De vez em quando saia para trazer provisões, grandes sacos pesados que arrastava para dentro da cozinha. Até que chegou o dia em que carregada com aqueles tropeçou num tapete e caiu, a perna fez um som estaladiço insuportável, perdeu a consciência e quando abriu os olhos descobriu-se imóvel, fundida aos mosaicos do chão da cozinha, mas não teve medo porque as vozes dos entes queridos a confortavam, embalavam enquanto lentamente se dissolvia…  

segunda-feira, novembro 14, 2016

Post 5884 Extra - A super Lua

 Fotografada por N.

Fotografada por mim - e podemos ver nesta fotografia científica uma característica muito interessante da super-lua, ou seja, como quase se consegue dividir em duas:


Penúltima tentativa (não me está a parecer lá muito super, parece mais ou menos do mesmo tamanho que os candeeiros em baixo....)

Última tentativa (talvez com photoshop chegue lá...)


Post 5883 - Domingo, 13.11.16, Parque de S. Roque, Porto








Post 5882 Divulgação Email recebido da Bertrand


Hoje!

Post nº 5881 Hoje no Google


Em 14.11.1891 nasceu Frederick Grant Banting (morreu a 21.2.1941) médico canadense, médico militar durante a 1ª Guerra Mundial, recebeu o Nobel de Medicina em 1923 e foi um dos descobridores da insulina.

Post 5880 - Domingo, 13.11.16

O General e a Princesa (Bajirao Mastani) de Sanjay Leela Bhansali com Ranveer Singh, Priyanka Chopra e Deepika Padukone


Post 5879 Sábado, 12.11.16 - Acerto de Contas (The Accountant)



Acerto de Contas (The Accountant) de Gavin O' Connor, com Ben Affleck e Anna Kendrick

Cartaz do Filme

Post 5878 Sexta-feira, 10.11.16 - O Mestre dos Génios

O Mestre dos Génios (Genius) de Michael Grandage com Colin Firth e Jude Law (Max Perkins e Thomas Wolfe).
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". . . a stone, a leaf, an unfound door; of a stone, a leaf, a door. And of all the forgotten faces.

       Naked and alone we came into exile. In her dark womb we did not know our mother's face; from the prison of her flesh have we come into the unspeakable and incommunicable prison of this earth.

      Which of us has known his brother? Which of us has looked into his father's heart? Which of us has not remained forever prison-pent? Which of us is not forever a stranger and alone?

     O waste of loss, in the hot mazes, lost, among bright stars on this most weary unbright cinder, lost! Remembering speechlessly we seek the great forgotten language, the lost lane-end into heaven, a stone, a leaf, an unfound door. Where? When?
   
O lost, and by the wind grieved, ghost, come back again."

Thomas Wolfe
A story of the buried life
Look Homeward Angel

Post 5877 - Sexta-feira, 11.11.16, O Primeiro Encontro (Arrival)

Post 5876 - Quinta-feira, 10.11.16 - O Herói de Hacksaw Ridge

O Herói de Hacksaw Ridge (Hacksaw Ridge) de Mel Gibson, inspirado na história verídica de Desmond T. Doss, paramédico na Segunda Guerra Mundial, com Andrew Garfield e Teresa Palmer (gostei do filme)

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"Please Godlet me get one more," 

Post 5875 Livros 2016 - 33 e 34 - Then comes marriage e First comes Love de Emily Goodwin

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sexta-feira, novembro 11, 2016

Post 5874 Post Sigiloso e Desafio - 3/10

Novamente em concurso de escrita, depois do envio de dois textos só não estou em último porque não me chamo Zelda ou Zoraida e alguns não enviaram um ou os dois textos.
Sendo assim, tomei a grande decisão de recorrer ao auxílio de seguidores e  já consegui arregimentar um primeiro voluntário para o terceiro texto.
Irei agora postar o que eu escrevi e o que escreveu seguidor.
E agora vem o desafio, qual foi o texto que eu escrevi e qual foi o texto que escreveu seguidor?


Texto 1

Estava tudo arranjado, convites enviados, catering contratado com empresa especializada que fornecia a decoração e o entretenimento, um artista ventríloquo que fazia animais com balões e truques de ilusionismo. No grande dia, acordou cedo para receber funcionários da empresa com a comida e material para a festa. Decoraram a sala e deixaram tudo pronto. Quando foi cantar os parabéns ao filho para o despertar já a casa estava transformada, com fitas, balões e o bolo de aniversário.
Tinham já começado a chegar alguns pequenitos quando lhe ligaram da empresa: o artista tinha adoecido.
Precisava de arranjar alguém rapidamente e não estranhou quando viu um folheto no chão. Pensou que teriam sido os funcionários da empresa ou algum pai. No papel estava apenas escrito Palhaço e o número para o qual ligou. Tocou uma vez e atenderam, mas de lá ninguém dizia nada. Ela perguntou se falava de alguma empresa a quem podia contratar o serviço para uma festa infantil. Ouviu a sua voz ansiosa e preocupada por ser para aquele mesmo dia e quando esperava uma resposta, a pausa prolongou-se por longos segundos até que uma voz rouca perguntou: “onde?” Disse a morada e desligaram. Nem quinze minutos depois tocaram à porta e foi abrir. Assustou‑se. À sua frente um vulto enorme vestido de palhaço, mas um palhaço diferente. Nem rico, nem pobre, nem alegre, nem triste, rosto pintado de branco, nariz de bola e peruca vermelhos, mas olhos rasgados, verdes e estranhos.
Depois soube fazer os animais com balões e truques com cartas, pôs o boneco a falar sem mexer os lábios, e brincou com as crianças.
No final do dia os pais vieram buscar os filhos. Estava cansada mas aparentemente fora um sucesso, até que reparou: não via mais o palhaço, e faltava uma criança, o seu filho.

Texto 2
Filho único
Tinha os olhos com pupilas negras, paradas, enterrados na face grotescamente dilatada. Recordavam-lhe os de uma ratazana maliciosa, prestes a atacar, patas e dentes aguçados que se iriam cravar raivosamente nele. Avançou cuidadosamente mas estava escuro (a divisão tinha as janelas pintadas de negro e a iluminação vinha dos vários écrans ligados ao mesmo tempo). Fixou os olhos no rapaz com os seus mais de cem quilos esparramados no sofá, de súbito perdeu o equilíbrio e caiu aos seus pés Tropeçara num fino fio negro preso à altura dos tornozelos. Com uma rapidez surpreendente o rapaz deslizou para cima do seu peito e sentou-se com um brilho de satisfação na cara antes sem expressão. Tentou em vão empurra-lo e depois a respiração tornou-se cada vez mais difícil. Não conseguia fazer os movimentos musculares necessários e sentiu-se lentamente a sufocar. As cores da maquilhagem de palhaço esborratavam-se com a transpiração e o seu choro aflito. Esbracejava sem encontrar ponto de auxílio, morria estupidamente.  
De repente o peso foi removido, uma mulher gritava ao rapaz e este regressava de má vontade para o sofá negro. A mulher não o ajudou a levantar-se, perguntava-lhe como chegara até ali, fazia-o sentir-se culpado por ter seguido cegamente as instruções dadas pelo contratador. Não, não estava marcada uma festa para crianças; a única criança em casa era o filho de dez anos e este odiava palhaços. A porta estava aberta e não viera ninguém recebê-lo, não achava estranho?! E que não pensasse que lhe ia pagar alguma coisa só por estar ali com o filho…
Enquanto saia apressado ouviu-a ainda dizer ao pequeno que já não havia mais espaço na cave e que não ia fazer outra cova no jardim com aquele tempo, já era tempo de parar com aquelas brincadeiras…

Post 5873 - Terça-feira, 8.11.16

(15 anos) Aniversário com bolo de chocolate e chá 

Post 5872 - Natal nos Centros Comerciais, 8.11.16 - El Corte Inglês

 


segunda-feira, novembro 07, 2016

Post 5870


". . . a stone, a leaf, an unfound door; of a stone, a leaf, a door. And of all the forgotten faces.

       Naked and alone we came into exile. In her dark womb we did not know our mother's face; from the prison of her flesh have we come into the unspeakable and incommunicable prison of this earth.

      Which of us has known his brother? Which of us has looked into his father's heart? Which of us has not remained forever prison-pent? Which of us is not forever a stranger and alone?

     O waste of loss, in the hot mazes, lost, among bright stars on this most weary unbright cinder, lost! Remembering speechlessly we seek the great forgotten language, the lost lane-end into heaven, a stone, a leaf, an unfound door. Where? When?
   
O lost, and by the wind grieved, ghost, come back again."

Thomas Wolfe
A story of the buried life
Look Homeward Angel

quinta-feira, novembro 03, 2016

Post 5869 2/10 Foi assim que aconteceu

 Estávamos perto do Verão e aquela manhã anunciava-se como das ainda frias a que se seguem tardes quentes.
Apressou o passo para sacudir o torpor do sono e do corpo meio despido. Porque se lembrara de trazer um vestido? Tratou de comprar o bilhete e teve de correr para não perder o comboio que parara por instantes na estação.
Lá dentro o ar condicionado não aquecia os poucos passageiros. Encontrou o seu lugar e sentou-se, depois de enfiar a mala no espaço em cima.
Com o comboio em movimento conseguia às vezes por segundos ver o seu reflexo na janela: cabelo escuro esticado num carrapito (já não se usam, por isso tinha de inventar um), as alças do vestido a contornarem o peito e braços magros.
Não queria, mas o sono venceu-a e adormeceu.
A certa altura deixou de sentir frio. Um calor confortável e macio acolheu-a, juntamente com um cheiro bom a roupa lavada e algo mais. Na noite anterior deitara-se tarde. Ficara a estudar para uma frequência e por isso é que dormiu tão profundamente.
Até que um balanço do comboio que acelerava a fez pensar que caía e abriu os olhos. Estava encostada a alguém. Esse alguém era um rapaz um pouco mais velho que ela. Desencostou-num ápice, sentiu que enrubescia enquanto se desculpava. E não ficaria nada bem assim vermelha. Ele riu e ela reconheceu-o. Era um colega do mesmo curso mas de um ano à frente. Nunca tinham falado, mas ela já tinha reparado nele por o achar giro e com um ar interessante. Porque ele riu e foi simpático, conseguiu esquecer a vergonha que sentira e conversar com ele.
Na hora de viagem que faltava até Coimbra, falaram de tudo como se já conhecessem.
Quando chegaram, ele trouxe-lhe a mala e deram as mãos.