"Quem tropeça é sempre alguém que se distrai a olhar para as estrelas" Vladimir Nabokov (nome do blogue veio do livro para crianças de Virgínia de Castro e Almeida)
sexta-feira, novembro 18, 2016
quinta-feira, novembro 17, 2016
Post 5888
Começo a ficar preocupada: depois de ter usado o meu último talão de desconto do Continente no Domingo, ainda não chegaram novos...
Post 5887 Desafio
Quem será o seguidor que me está a ajudar no Concurso de Escrita, escrevendo o texto 2?
Post 5886 - 4/10 - Horas Perdidas ou Os Entes Queridos
Horas Perdidas
A 24ª Hora – Último
Capítulo
Um, dois, três,
Um, dois, três,
Era como ouvia o
relógio.
Um, dois, três,
Um, dois, três.
O som enchia o pequeno
espaço. Estava deitada, na sua cama, no seu quarto, transpirada e fria.
Passara a noite em
claro, com pensamentos pesados e escuros.
Dali a duas horas,
pelas oito, chegaria a Enfermeira.
Como de costume, o
barulho dos pássaros tinha precedido o surgir da luz. Quase tinham conseguido sobrepor-se
ao relógio, mas no fim este vencera.
Um, dois, três,
Um, dois, três.
Custava-lhe respirar. Sabia
a dor, do seu corpo apodrecido, apenas amortecida pela morfina.
Nos últimos dias, os
seus últimos dias, tinha tentado escrever o que fora a sua vida no caderno moleskine
que lhe deixara o Luís. Precisava de um epílogo que queria e não queria
encontrar. Quando o fizesse, ia descansar, mas depois não havia mais nada. Despedira‑se
de todos os que lhe importavam, deixara todos os assuntos resolvidos.
Já escrevera sobre a
doença, o abandono e solidão que sentia, e a morte anunciada que não conseguia
mais adiar
Sabia agora que todas
as horas em que por cobardia se tinha afastado, revividas em cada um dos vinte
e três capítulos que penosamente descrevera no moleskine, tinham sido as suas
horas perdidas.
Procurou refúgio nas
memórias mais antigas, quando tudo parecia possível, no abrigo dos abraços dos
seus pais, quando era criança, ainda vivos e jovens, no encantamento do seu primeiro
amor.
Deixou de ouvir o “um,
dois, três”.
Sorriu e soube depois
que morria.
Ou
Os Entes Queridos
Do destino dos personagens mais queridos tratámos no
capítulo anterior, resta a velha menina, a eterna guardiã dos valores
familiares. A mulher que nunca dobrava, nem modificava os seus julgamentos dos
outros e jamais voltava o espelho sobre si própria. A velha menina iniciara um
estranho processo de encolhimento lento; no espelho em casa, nos reflexos das
montras, nas câmaras de vigilância, revia-se cada vez mais pequena. Por outro
lado, os murmúrios do vento transformavam-se em vozes, ouvia os entes queridos
a repetirem velhas máximas, mais tarde conseguia mesmo conversar com os
desaparecidos. A casa estava a ficar com menos espaço para ela, os entes
queridos ocupavam os seus lugares favoritos e divisão após divisão ficava
cerrada para ela.
Aqueles que fora tão pronta a julgar e a condenar
tornavam-se insubstanciais, sombras sem importância, que não lhe faziam falta.
Caminhava nas ruas e as vozes começaram a acompanhá-la. Pouco falava com os
lojistas, vizinhos, conhecidos de anos. O tempo perdia o seu poder, luz e
sombra, os dias perdiam a individualidade. A limpeza da casa já não lhe
importava, as refeições aconteciam quando se lembrava, o seu aspecto físico já
não era importante agora que estava a tornar-se tão minúscula.
De vez em quando saia para trazer provisões, grandes
sacos pesados que arrastava para dentro da cozinha. Até que chegou o dia em que
carregada com aqueles tropeçou num tapete e caiu, a perna fez um som estaladiço
insuportável, perdeu a consciência e quando abriu os olhos descobriu-se imóvel,
fundida aos mosaicos do chão da cozinha, mas não teve medo porque as vozes dos
entes queridos a confortavam, embalavam enquanto lentamente se dissolvia…
terça-feira, novembro 15, 2016
segunda-feira, novembro 14, 2016
Post 5884 Extra - A super Lua
Fotografada por N.
Fotografada por mim - e podemos ver nesta fotografia científica uma característica muito interessante da super-lua, ou seja, como quase se consegue dividir em duas:
Penúltima tentativa (não me está a parecer lá muito super, parece mais ou menos do mesmo tamanho que os candeeiros em baixo....)
Última tentativa (talvez com photoshop chegue lá...)
Post 5878 Sexta-feira, 10.11.16 - O Mestre dos Génios
O Mestre dos Génios (Genius) de Michael Grandage com Colin Firth e Jude Law (Max Perkins e Thomas Wolfe).
". . . a stone, a leaf, an unfound door; of a stone, a leaf, a door. And of all the forgotten faces.
Naked and alone we came into exile. In her dark womb we did not know our mother's face; from the prison of her flesh have we come into the unspeakable and incommunicable prison of this earth.
Which of us has known his brother? Which of us has looked into his father's heart? Which of us has not remained forever prison-pent? Which of us is not forever a stranger and alone?
O waste of loss, in the hot mazes, lost, among bright stars on this most weary unbright cinder, lost! Remembering speechlessly we seek the great forgotten language, the lost lane-end into heaven, a stone, a leaf, an unfound door. Where? When?
O lost, and by the wind grieved, ghost, come back again."
Thomas Wolfe
A story of the buried life
Look Homeward Angel
". . . a stone, a leaf, an unfound door; of a stone, a leaf, a door. And of all the forgotten faces.
Naked and alone we came into exile. In her dark womb we did not know our mother's face; from the prison of her flesh have we come into the unspeakable and incommunicable prison of this earth.
Which of us has known his brother? Which of us has looked into his father's heart? Which of us has not remained forever prison-pent? Which of us is not forever a stranger and alone?
O waste of loss, in the hot mazes, lost, among bright stars on this most weary unbright cinder, lost! Remembering speechlessly we seek the great forgotten language, the lost lane-end into heaven, a stone, a leaf, an unfound door. Where? When?
O lost, and by the wind grieved, ghost, come back again."
Thomas Wolfe
A story of the buried life
Look Homeward Angel
Post 5877 - Sexta-feira, 11.11.16, O Primeiro Encontro (Arrival)
O Primeiro Encontro (Arrival) de Denis Villeneuve, com Amy Adams (gostei do filme)
Línguas românicas https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADnguas_rom%C3%A2nicas
sexta-feira, novembro 11, 2016
Post 5874 Post Sigiloso e Desafio - 3/10
Novamente em concurso de escrita, depois do envio de dois textos só não estou em último porque não me chamo Zelda ou Zoraida e alguns não enviaram um ou os dois textos.
Sendo assim, tomei a grande decisão de recorrer ao auxílio de seguidores e já consegui arregimentar um primeiro voluntário para o terceiro texto.
Irei agora postar o que eu escrevi e o que escreveu seguidor.
E agora vem o desafio, qual foi o texto que eu escrevi e qual foi o texto que escreveu seguidor?
Texto 1
Estava
tudo arranjado, convites enviados, catering contratado com empresa
especializada que fornecia a decoração e o entretenimento, um artista
ventríloquo que fazia animais com balões e truques de ilusionismo. No grande
dia, acordou cedo para receber funcionários da empresa com a comida e material
para a festa. Decoraram a sala e deixaram tudo pronto. Quando foi cantar os
parabéns ao filho para o despertar já a casa estava transformada, com fitas,
balões e o bolo de aniversário.
Tinham
já começado a chegar alguns pequenitos quando lhe ligaram da empresa: o artista
tinha adoecido.
Precisava
de arranjar alguém rapidamente e não estranhou quando viu um folheto no chão.
Pensou que teriam sido os funcionários da empresa ou algum pai. No papel estava
apenas escrito Palhaço e o número para o qual ligou. Tocou uma vez e atenderam,
mas de lá ninguém dizia nada. Ela perguntou se falava de alguma empresa a quem
podia contratar o serviço para uma festa infantil. Ouviu a sua voz ansiosa e
preocupada por ser para aquele mesmo dia e quando esperava uma resposta, a pausa
prolongou-se por longos segundos até que uma voz rouca perguntou: “onde?” Disse
a morada e desligaram. Nem quinze minutos depois tocaram à porta e foi abrir. Assustou‑se.
À sua frente um vulto enorme vestido de palhaço, mas um palhaço diferente. Nem
rico, nem pobre, nem alegre, nem triste, rosto pintado de branco, nariz de bola
e peruca vermelhos, mas olhos rasgados, verdes e estranhos.
Depois
soube fazer os animais com balões e truques com cartas, pôs o boneco a falar
sem mexer os lábios, e brincou com as crianças.
No
final do dia os pais vieram buscar os filhos. Estava cansada mas aparentemente
fora um sucesso, até que reparou: não via mais o palhaço, e faltava uma
criança, o seu filho.
Texto 2
Filho único
Tinha os olhos com pupilas negras, paradas, enterrados na
face grotescamente dilatada. Recordavam-lhe os de uma ratazana maliciosa,
prestes a atacar, patas e dentes aguçados que se iriam cravar raivosamente
nele. Avançou cuidadosamente mas estava escuro (a divisão tinha as janelas
pintadas de negro e a iluminação vinha dos vários écrans ligados ao mesmo
tempo). Fixou os olhos no rapaz com os seus mais de cem quilos esparramados no
sofá, de súbito perdeu o equilíbrio e caiu aos seus pés Tropeçara num fino fio
negro preso à altura dos tornozelos. Com uma rapidez surpreendente o rapaz
deslizou para cima do seu peito e sentou-se com um brilho de satisfação na cara
antes sem expressão. Tentou em vão empurra-lo e depois a respiração tornou-se cada
vez mais difícil. Não conseguia fazer os movimentos musculares necessários e
sentiu-se lentamente a sufocar. As cores da maquilhagem de palhaço
esborratavam-se com a transpiração e o seu choro aflito. Esbracejava sem
encontrar ponto de auxílio, morria estupidamente.
De repente o peso foi removido, uma mulher gritava ao
rapaz e este regressava de má vontade para o sofá negro. A mulher não o ajudou
a levantar-se, perguntava-lhe como chegara até ali, fazia-o sentir-se culpado
por ter seguido cegamente as instruções dadas pelo contratador. Não, não estava
marcada uma festa para crianças; a única criança em casa era o filho de dez
anos e este odiava palhaços. A porta estava aberta e não viera ninguém
recebê-lo, não achava estranho?! E que não pensasse que lhe ia pagar alguma
coisa só por estar ali com o filho…
Enquanto saia apressado ouviu-a ainda dizer ao pequeno
que já não havia mais espaço na cave e que não ia fazer outra cova no jardim
com aquele tempo, já era tempo de parar com aquelas brincadeiras…
segunda-feira, novembro 07, 2016
Post 5870
". . . a stone, a leaf, an unfound door; of a stone, a leaf, a door. And of all the forgotten faces.
Naked and alone we came into exile. In her dark womb we did not know our mother's face; from the prison of her flesh have we come into the unspeakable and incommunicable prison of this earth.
Which of us has known his brother? Which of us has looked into his father's heart? Which of us has not remained forever prison-pent? Which of us is not forever a stranger and alone?
O waste of loss, in the hot mazes, lost, among bright stars on this most weary unbright cinder, lost! Remembering speechlessly we seek the great forgotten language, the lost lane-end into heaven, a stone, a leaf, an unfound door. Where? When?
O lost, and by the wind grieved, ghost, come back again."
Thomas Wolfe
A story of the buried life
Look Homeward Angel
quinta-feira, novembro 03, 2016
Post 5869 2/10 Foi assim que aconteceu
Estávamos perto do
Verão e aquela manhã anunciava-se como das ainda frias a que se seguem tardes
quentes.
Apressou o passo para
sacudir o torpor do sono e do corpo meio despido. Porque se lembrara de trazer
um vestido? Tratou de comprar o bilhete e teve de correr para não perder o
comboio que parara por instantes na estação.
Lá dentro o ar
condicionado não aquecia os poucos passageiros. Encontrou o seu lugar e
sentou-se, depois de enfiar a mala no espaço em cima.
Com o comboio em
movimento conseguia às vezes por segundos ver o seu reflexo na janela: cabelo
escuro esticado num carrapito (já não se usam, por isso tinha de inventar um),
as alças do vestido a contornarem o peito e braços magros.
Não queria, mas o sono
venceu-a e adormeceu.
A certa altura deixou
de sentir frio. Um calor confortável e macio acolheu-a, juntamente com um
cheiro bom a roupa lavada e algo mais. Na noite anterior deitara-se tarde.
Ficara a estudar para uma frequência e por isso é que dormiu tão profundamente.
Até que um balanço do
comboio que acelerava a fez pensar que caía e abriu os olhos. Estava encostada
a alguém. Esse alguém era um rapaz um pouco mais velho que ela. Desencostou-num
ápice, sentiu que enrubescia enquanto se desculpava. E não ficaria nada bem
assim vermelha. Ele riu e ela reconheceu-o. Era um colega do mesmo curso mas de
um ano à frente. Nunca tinham falado, mas ela já tinha reparado nele por o
achar giro e com um ar interessante. Porque ele riu e foi simpático, conseguiu
esquecer a vergonha que sentira e conversar com ele.
Na hora de viagem que
faltava até Coimbra, falaram de tudo como se já conhecessem.
Quando chegaram, ele
trouxe-lhe a mala e deram as mãos.
quarta-feira, novembro 02, 2016
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