segunda-feira, setembro 21, 2015

Post 5107 O Poder do vício 2ª tentativa

Ele tinha o vício do trabalho. Ela tinha o vício de gastar dinheiro. Foi um casamento feito no céu. Ele trabalhava. Ela gastava o dinheiro dele, com ela, com a casa e com ele. Assim, ele tinha sempre fatos e camisas da moda de qualidade para envergar, e quando regressava a casa, ao final do dia, encontrava um espaço acolhedor, onde por vezes ela também estava, embora às vezes já a dormir.
Mas, um dia, com a crise e a recessão económica foi despedido, “Teixeira, com grande pena nossa, temos de o deixar ir”. Ignoravam sem dúvida que ele fazia o trabalho de três, queriam reservar o lugar para o filho do primo do amigo, o Raul. Mais do que zangado, ficou espantado. Não estava à espera. Naquele dia chegou mais cedo a casa. Laura não estava. Foi‑se deitar antes que ela chegasse e foi a primeira vez que tal sucedeu durante todos os anos que tinham estado casados. E para continuar com as novidades, foi também ela que se levantou primeiro. Não reparou, ou não quis reparar que ele ainda lá estava e saiu para as marcações no cabeleireiro e massagista. Ele percebeu. Voltou aos seus horários anteriores, saía cedo e tentava voltar tarde. Ainda procurou nova colocação. Enviou currículos, contactou antigos amigos e conhecidos, mas nada. Ter já passado dos quarenta não ajudava
Começou a passar o dia no Centro Comercial. No café, lia o jornal, com a net grátis procurava ofertas de emprego no seu Ipad. Passou a conhecer a empregada que o atendia, a Dores, e alguns dos clientes. Quando passou a frequentador habitual apercebeu-se que quando lhe perguntavam como estava, queriam realmente saber e não era apenas um cumprimento vazio.  Lá no café, conversavam sobre as desditas da Dores, que não tinha sorte no amor. Já nos trinta e cinco, sozinha, ela era a primeira a conseguir brincar com o desgosto da maternidade adiada, enquanto afectuosamente lidava com todos os clientes. Estes eram muitos e variados, jovens estudantes com discussões existencialistas, absorvidos na primeira paixão ou desgostosos com a primeira decepção amorosa, professores da escola ao lado, a queixarem-se dos alunos e dos programas, solicitadores do escritório perto, estes últimos no café apressado da manhã ou em conversas com clientes. Às vezes diferentes grupos de amigos, os de homens que discutiam sobre futebol, as senhoras e jovens em confidências sobre os seus difíceis amores.
Com o valor da indemnização pelo despedimento poder-se-ia manter algum tempo, mas foi pensando que teria de contar à mulher, sobretudo quando contemplava nos extractos da conta, os débitos das compras.
Como chegava um pouco mais cedo a casa, foi-se apercebendo de como raramente conversavam. Mesmo antes, as suas conversas reduziram-se a combinações sobre jantares de trabalho e os planos de férias dela – ele preferia ficar a trabalhar. Ela falava-lhe das suas aquisições e ele pouco ouvia. Agora, quando voltava para casa, parecia-lhe que ela o evitava, como querendo adiar qualquer explicação para a mudança de horário.
Até que um dia não pode esperar mais, contou tudo à mulher que ficou muito calada, a ver a sua vida a andar para trás. Naquela noite, ela não lhe disse nada. No dia seguinte, ela esperou pela noite para lhe dizer que queria o divórcio e saiu ela de casa, com as malas que tinha já arranjadas quando ele chegou. Soube pouco depois que tinha ido para casa do Raul, com quem a seguir casou, continuando alegremente a gastar o dinheiro do marido, apenas agora com um marido diferente.
Consciente de como estavam afastados, não se conseguindo lembrar se alguma vez teriam estado apaixonados, não lhe custou a separação. Compensava o silêncio em casa com os novos amigos no café. Ofereceu-se para ajudar quem precisasse com as contas e começou a gostar de ter tempo para ouvir os outros e ouvir-se a si próprio.
Depois, juntou-se com a Dores, passou a ajudá-la no café, e tiveram um miúdo.

Ganhou um novo vício, o vício de viver.

Post 5106 O Poder do Vício - 1ª tentativa

Ele tinha o vício do trabalho. Ela tinha o vício de gastar dinheiro. Foi um casamento feito no céu. Ele trabalhava. Ela gastava o dinheiro dele, com ela, com a casa e com ele. Assim, ele tinha sempre fatos e camisas de qualidade e na moda, para envergar, e quando regressava a casa, ao final do dia, encontrava um espaço acolhedor, onde por vezes ela também estava, embora às vezes já a dormir.
Mas, um dia, com a crise e a recessão económica foi despedido. “Teixeira, com grande pena nossa, temos de o deixar ir”. Ignoravam sem dúvida que ele fazia o trabalho de três, queriam reservar o lugar para o filho do primo do amigo, o Raul. Mais do que zangado, ficou espantado. Não estava à espera. Naquele dia chegou mais cedo a casa. Laura não estava. Foi‑se deitar antes que ela chegasse e foi a primeira vez que tal sucedeu durante todos os anos que tinham estado casados. E para continuar com as novidades, foi também ela que se levantou primeiro. Não reparou, ou não quis reparar que ele ainda lá estava e saiu para o Cabeleireiro. Ele percebeu. Voltou aos seus horários anteriores, saía cedo e procurava voltar tarde. Primeiro, procurou nova colocação. Enviou currículos, procurou antigos amigos e conhecidos, mas nada. Ter já passado dos quarenta não ajudou.
Passou a passar os seus dias no Centro Comercial. No café, lia o jornal, com a net grátis procurava ofertas de emprego com o seu Ipad. Passou a conhecer a empregada que o atendia, a Dores e alguns dos clientes. Com o valor da indemnização pelo despedimento poder-se-ia manter algum tempo, mas foi pensando que teria de dizer à mulher, sobretudo quando contemplava nos extractos da conta, os débitos das compras.
Como chegava um pouco mais cedo a casa, foi-se apercebendo de como raramente conversavam. Antes, conversariam sobre jantares de emprego, planos das férias dela – ele preferia ficar a trabalhar. Ela falava-lhe das suas aquisições e ele pouco ouvia. Agora, quando voltava para casa, parecia-lhe que ela o evitava, como querendo adiar qualquer explicação para a mudança de horário.
Até que um dia não pode esperar mais, contou à mulher que ficou muito calada, a ver a sua vida a andar para trás. Naquela noite, ela não lhe disse nada. No dia seguinte, esperou pela noite para lhe dizer que queria o divórcio e saiu ela de casa, com as malas que tinha já arranjadas quando ele chegou. Soube pouco depois que tinha ido para casa do Raul, com quem depois casou, continuando alegremente a gastar o dinheiro do marido, apenas agora com um marido diferente.

Ele descobriu novos vícios, o vício de ter tempo para ouvir os outros e ouvir-se a si próprio. Juntou-se com a Dores e passou a ajudá-la no café.

domingo, setembro 20, 2015

Post 5105 Porque neste blogue também se escreve sobre moda

A cor do ano de 2015 afinal é o Marsala, da família do Burgandy (cor do ano de 2013), mas mais clara, com menos purpura e mais marron
Visto aqui e aqui
Marsala, 2015 Color of the year, Pantone color of the year










E a cor do ano de 2016 será o rosa suave

Post 5104 Domingo, 20.9.2015 Voltou o Verão ou ainda é Verão

Passeio de Domingo para comprar pão, jornal e outros bens (como um palmier super calórico), sob um céu azul, com vestido e sandálias, a sentir o calor do sol a aquecer-me os braços e o cheiro a pinheiros numa das ruas.

Post 5102 Novo desafio I - 1ª tentativa Na Esplanada

Depois do almoço foi para a esplanada. Estava ainda calor, embora por vezes nuvens brancas tapassem o sol e sombreassem as mesas. Sentou-se virado para o mar. Soprava algum vento e achou que cheirava a maresia.
Mal se tinha sentado quando um pequeno cão saltou para o seu colo.
Era tão leve que mal o sentia, mas quando tentou que voltasse para o chão, rosnou-lhe. Ficou sem saber o que fazer. Mas quem seria o seu dono que tal enxovalho alheio permitia? Devia ser de uma mulher, porque tinha uma coleira cor-de-rosa.
Olhou à sua volta. Uma mulher gorda descia vagarosamente a rua na direcção do café. Devia ser dela. Só tinha de esperar que chegasse. Quando chamasse o cão, ele levantar-se-ia para a repreender com severidade: “Isto não se faz minha senhora”. Imaginou-se rodeado pela concordância dos demais frequentadores da esplanada, enquanto a mulher de olhos baixos e envergonhada, não saberia o que responder, até que ele magnânimo revelasse com um aceno que por aquela vez a desculpava. Entretanto, a mulher entrou para um carro azul que parara na rua para a acolher.
Voltou a olhar em redor. Deveria ser então da jovem bonita de bikini vermelho, que namorava o empregado, lambuzada de gelado. Quando ela se apercebesse do ocorrido, viria desculpar-se. Ele sorrir-lhe-ia, “não incomodou nada”, dir-lhe-ia, e talvez ela se sentasse na mesa ao seu lado e ficassem a conversar enquanto faziam festas ao cãozinho. Mas eis que a jovem vai embora, passando por eles, sem se deter.
Repara então que nenhum empregado veio trazer-lhe um café ou receber o seu pedido e que à sua volta ninguém o parece ver. E percebe porquê, à medida que se dissolve, no final da página, na trecentésima palavra.
O cão afinal sozinho no banco vai ter com o narrador.


Post 5101

"Sob o mesmo Céu" (Aloha) de Cameron Crowe, com Bradley Cooper, Emma Stone, Rachel McAdams, Bill Murray e Alec Baldwin.

Sob o Mesmo Céu

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Post 5100 Sexta-feira, 18.9.15

A Visita (The Visit) de M. Night Shyamalan, com Olivia DeJonge, Ed Oxenbould, Deanna Dunagan, Peter McRobbie e Kathyn Hahn.

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sábado, setembro 19, 2015

Post 5099 Livros

E da Feira do Livro, trouxe:
O Cozinheiro Alemão
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Wook.pt - O Regresso do Soldado



Great Jones Street

Wook.pt - Os Homenzinhos Livres












(para a próxima vez talvez seja melhor fotografar os livros - quanto tento ir buscar as imagens ao Google, parecem ter vontade própria, fogem para os lados ou saem mesmo das fronteiras do post).

Post 5098 Pela blogosfera, uma boa noticia!

O blogue TEMPO CONTADO ou http://tempocontado.blogspot.pt/ está de volta!

Post 5097 Sexta-feira, 18.9.15 Pela Feira do Livro no Porto

Fotografias tiradas por N. (porque eu estava muito ocupada e enregelada a tentar ver os livros enquanto escurecia). Pedi-lhe para fotografar um dos pavões que andam por ali e foram estas as fotografias que tirou: