quinta-feira, outubro 31, 2019

Post 7244 - Hoje no Google

Post 7243 - CNEC 4/10 Parados no Elevador



Pensei para mim, onde é que eu vi este senhor, sei que é Engenheiro. Gentilmente deixou-me entrar primeiro e ao menino, talvez seu filho.
Carreguei no 6º, ele no 7º e o menino começou a carregar nos botões todos!
Ele interpelou a criança:
- Atenção meu rapaz, assim ainda paramos em todos os andares!
O menino continuou e ele não se conteve:
- Srª Drª não seria melhor impedir o seu filho…
- Como meu filho? Pensei que fosse seu? Lembrei-me de onde o conhecia, há anos fora sua advogada no processo de divórcio e ele não tinha filhos.
- “Não é seu?” Virou-se para a criança: “Ó miúdo mas queres parar com isso?”
Nessa altura sentimos todos uma valente sacudidela, a luz apagou, voltou a ligar e ficámos parados
- Pronto, fizeste-a bonita e eu estou com pressa!
O menino encostou-se a um canto do elevador a olhar para o chão.
O Sr. Engenheiro aliviou o nó da gravata, tirou o casaco: “Não me estou a sentir nada bem…
A criança começou a fungar
Resolvi tocar no botão no alarme…Ouviu-se uma voz distante:
- O que é que se passa?
- Estamos parados no elevador – respondemos os dois ao mesmo tempo, eu e o Sr. Engenheiro
- “Experimentem carregar no botão do 1º Andar”. O Sr Engenheiro fê-lo de imediato, e nada.
A voz fez-ouvir: “E então?”
- “Nada, continuamos parados”, respondi eu. O Sr. Engenheiro empalidecia e não respondeu.
- Já vamos enviar ajuda.
O já vamos prolongou-se por meia hora. Entretanto tentei entreter o Sr. Engenheiro e o miúdo até para que o primeiro não assassinasse o segundo ou não caísse para o lado, e o miúdo parasse de fungar.
Falar sobre o tempo não ajudou.
De repente, nova sacudidela. A porta abriu-se e saímos todos apressados.

Post 7242 - Outubro 2019

25, 28 e 31 de Outubro, Porto
30, cidade local de trabalho














Alfredo Luz, Sem título
Cândido Costa Pinho, Casario com figura

Post 7241 - Pratos recentes

(sopa)
(omelete de bacon com batatas fritas) - um prato muito leve
 (Massa de atum)
 (já não me lembro bem, talvez soufflé de bacalhau)

(arroz de bacalhau)

quarta-feira, outubro 30, 2019

Quarta-feira, 30.10.2019


Post 7239 - Colectânea Lugares e Palavras de Natal

O meu texto (enviado no último dia, de novo procrastinei :( ) foi seleecionado para a Colectânea




Natal no Mundo ao contrário


Ainda não está muito frio, mas as árvores já estão despidas de folhas.
Há sítios em que neva, mas em outros locais há calor.
O Mundo ao contrário.
Tanto quanto o estado do tempo nos vários países, o passado e o presente.
O que fazer se no presente há ausências tão dolorosas e imensas que nos fazem desejar partir,
E mesmo quando parece que o depois é o nada, querer ainda assim partir para que deixe de doer.
Como se para curar a enxaqueca se cortasse a cabeça.
Não posso ter de volta comigo a quem quero e de quem sinto a falta, então deixo também de viver.
Sei de momentos felizes nos Natais passados. Posso também lembrar outros distintos. Mas no presente é nas recordações que encontro o calor de alguns abraços.
Sentir no vento, afagos,
Na chuva, toques dos dedos, não frios, mas frescos.
Posso não ver quem caminha ao meu lado.
Pressentir que é temporário, que está perto, quem parece insuportavelmente inalcançável.
Pé ante pé, talvez a adormecer, sentir que está ali presente
Um momento assim seria Natal.

domingo, outubro 27, 2019

Post 7238 - Filmes no cinema e na televisão



    Anjo Perdido (Angel of Mine) de Kim Farrant (com Naomi Rapace, Yvonne Strahovski, Luke Evans)

    Angel Of Mine


    Paradise Hills de Alice Waddington, com Eiza González, Emma ROberts, Danielle Macdonald, Milla Jovovich

    Cartaz do Filme


    Agora Estamos Sozinhos (I Think We're Alone Now) de Reed Morano, com Peter Dinklage, Elle Fanning, Charlotte Gainsburg

    Resultado de imagem para cinema agora estamos sozinhos

    "Num futuro não muito distante, algo deixou o planeta devastado. Durante muito tempo Del (Peter Dinklage) julga-se o último representante da Humanidade. Habituado à solidão, ele quase se sente feliz com a tranquilidade dos dias. Até que, inesperadamente, o seu caminho se cruza com Grace (Elle Fanning). A partir desse momento toda a existência de Del, até aí tão calma e silenciosa, se altera..."

    sexta-feira, outubro 25, 2019

    Post 7237 - Desafio dos Pássaros 7 - Máscara de compota


    A Constança precisava duma máscara capilar e veio ter comigo porque sabia que eu andava a vender qualquer coisa.
    Eu disse-lhe: “Constança, o meu patrão só quer que eu venda compota de abóbora com amêndoa.
    E ela respondeu-me: “Está bem”.
    Foi o inicio de uma bela amizade porque clientes assim não são fáceis de encontrar.
    Ela perguntou-me o que achava de ela usar a compota de abóbora com amêndoa como mascara capilar.
    Lembrei-me da coca-cola que era para ser um xarope, e disse-lhe para ir em frente.”
    E ela foi.
    Não resultou assim muito bem, o cabelo ficou um bocado pegajoso, mas pelo menos cheirava muito bem a abóbora e a amêndoa.
    Como agora somos amigas e já era hora, fomos almoçar juntas. Não sei bem porquê mas apeteceu-nos às duas sopa de abóbora e tarte de amêndoa.
    Contei-lhe do Desafio dos Pássaros e ela ficou muito interessada, as duas vamos agora aguardar para ler o que foi escrito pelos desafiados…




    Post 7236 - Desafio de Escrita 3/10 - O Mercedes amarelo



    Abri a persiana e procurei-o.
    Tinha reparado nele, a primeira vez, por acaso. Como a rua do meu lado estava cheia, fui estacionar o carro do outro lado e à frente. Pelo espelho retrovisor vi então aquele mercedes antigo, amarelo e bem conservado, com o emblema à frente orgulhosamente destacado.
    Interroguei-me sobre a quem pertenceria. Naquela rua de prédios novos, a maior parte dos vizinhos, se não todos, eram relativamente jovens, com pequenos carros utilitários e preocupados com a hipoteca das casas. Não via nenhum deles a comprar aquele carro, em vez dum Fiat ou dum Opel, que por ali abundavam. Talvez em segunda mão. Ou uma herança.
    Decidi nessa altura, quase subconscientemente, que ficaria atento, para descobrir a quem pertencia. No entanto, os dias iam passando e o carro continuava parado. À frente do prédio, via-o pela janela. Até que uma certa noite, apercebi-me que traçando o paralelo com a fachada do prédio à frente, estava um pouco mais de um metro à frente do sítio da noite anterior. Durante a noite alguém devia estar a sair com o Mercedes. Regressava depois para o estacionar no mesmo sítio ou próximo.
    Nessa noite decidi deitar-me mais tarde e bebi um café.
    Até à uma da manhã, nada. Apesar do café, comecei a sentir sono. Por uns segundos, ou assim me pareceu, fechei os olhos. Foi então que escutei o barulho do motor. Voei até à janela: uma mulher lindíssima estava ao volante…estremeci e percebi que adormecera, mas ouvia de verdade o motor. Levantei-me e fui até à janela.
     Era o Mercedes, e estava a chegar. O condutor saiu do carro. Era um homem careca e baixinho.
    Reconheci-o. Era o empreiteiro, pai do vizinho do quarto andar. Nada parecido com a deusa do meu sonho.
    Alguns mistérios não devem ser desvendados…


    Post 7235 - Outubro em cidade local de trabalho

    Chapéus há muitos









    sexta-feira, outubro 18, 2019

    Post 7234 - Desafio dos Pássaros 6 - O Amor, uma cabana e um frigorífico




    A nossa primeira viagem não foi bem o que estava à espera.
    O Paulo vendeu-me tudo como um sonho, os dois e uma choupana, no meio da natureza…que mais poderíamos desejar?
    Eu que andava meio desconfiada que ele queria desviar os nossos subsídios de férias para o televisor de ecrã panorâmico de não sei quantas polegadas, “assim vejo a bola em casa, fofa”, e “está em promoção, é uma oportunidade única”, até fiquei aliviada. Afinal sempre íamos ter férias. Burra. Mas que férias?!
    Seguimos para lá no jipe do avô dele, que não estava lá muito bem e não durou muito depois, o jipe, claro.
    Não havia dúvidas que ficava no meio da natureza. Tão no meio que nunca mais chegávamos, era só árvores e caminhos de terra e lama.
    No final da tarde avistámos a choupana, que não chegaria sequer ao patamar de uma cabana. Se não fosse tão tarde e não estivesse tão cansada teria dito para darmos meia-volta e desistirmos de ali ficar. Assim resolvi dar-lhe uma oportunidade. Entrámos e não tinha electricidade, mas tinha um frigorífico. Pensei que funcionasse com bateria, mas não, era mesmo para funcionar ligado a uma tomada que não existia. Assim servia de armário para conservas. Mas para ser positiva estava tanto frio ali que não precisávamos de frigorifico, bastaria colocar o que quiséssemos gelado lá fora, na janela ou encostado à porta. E o Paulo não conseguiu ligar a lareira. Disse que a madeira e os fósforos estavam húmidos. Deveríamos tê-los guardado no frigorífico.
    Comemos as sandes que tínhamos levado e fomos dormir. Durante a noite, a escuridão pesava e  não vi estrelas no céu. Assim que consegui adormecer acordei em sobressalto. Alguém andava aos empurrões à porta. Não fomos abrir para descobrirmos quem era e fizemos bem, porque de manhã algo deixara marcas de garras na porta, talvez um urso.
    Pelo menos com tanto frio dormimos bem agarradinhos.
    Nos anos seguintes passei eu a tratar das férias e lá para casa arranjei um frigorífico parecido. Tinha muita arrumação.

    Post 7233 - Desafio de Escrita 2/10 - Hora de ponta no Elevador


    Foi por pouco!
    Tive de correr mas cheguei ao pé do elevador quando a porta começava a fechar‑se. Premi o botão e voltou a abrir-se.
    À minha frente seis rostos fechados e enfadados. Pareceu-me até que uma senhora tinha estado a carregar no botão para fechar muito assertivamente e não queria larga-lo.
    - “Com licença, com licença.” Consegui enfiar-me no meio deles.
    Estavam já marcados os andares 5, 6 e 7. Quando marquei o 4, cresceu o mal-estar à minha volta. Alguém disse, “andamos a parar em todos os apeadeiros”. Aquelas pessoas não estavam nada felizes. A minha sorte em apanhar o elevador fora um grande contratempo para eles.
    O pior foi quando, depois de se fechar a porta, e o elevador começar vagarosamente a mover-se, nos apercebemos que descia…
    Alguém o chamara, aparentemente do Andar 2, onde voltou a parar.
    A porta abriu-se muito lentamente. Uma senhora olhou para nós. Tentei suavizar o ambiente dirigindo-lhe um pequeno sorriso, enquanto tentava recuar para abrir espaço para ela. A senhora que não pareceu ver-me, nem aos demais, enfiou um braço com sacos de compras pela porta dentro e gritou para alguém que não víamos:
    - Está aqui o elevador!
    A mesma voz atrás de mim que comentara a paragem em todos os apeadeiros fez‑se ouvir “não cabe mais ninguém!” no preciso momento em que surgiu um senhor e duas jovens, talvez o marido e as filhas, uma delas extraordinariamente bonita…o que terá contribuído para que finalmente alguns recuassem e pudessem entrar todos. Afinal ainda cabia mais alguém, e logo quatro.
    Como sardinhas em lata mas protegidos assim de qualquer oscilação inesperada constatámos que finalmente subíamos.
    Depois, não foi fácil chegar à porta para sair no meu andar, mas lá consegui e assim cheguei a horas à minha consulta.