"Quem tropeça é sempre alguém que se distrai a olhar para as estrelas" Vladimir Nabokov (nome do blogue veio do livro para crianças de Virgínia de Castro e Almeida)
quinta-feira, março 21, 2019
Post 7030 - Desafios de Escrita - Encontros de Vida
Encontros
de Vida
Raul
Xavier, trinta e cinco anos nunca conheceu a mãe.
Não
perca hoje, no Encontros de Vida.
A
cena abre com aplausos, passando para o entrevistador e o seu convidado.
-
Conte-nos, como foi possível?
-
O meu pai, imitando o Pedro Maia, trouxe-me bebé para o meu avô e…matou‑se!
-
E o seu avô?
-
Enterrou-o… e como era um homem prático tratou que me fizessem um teste de DNA.
Confirmou-se a paternidade, o Ministério Público intentou acção de averiguação
oficiosa da maternidade, mas não descobriram nada…
-
Até hoje, Raúl, até hoje, posso tratá-lo por Raúl, certo - não espera pelo
assentimento e continua – mas já lá chegamos. Conseguimos encontra-la!
A
sua mãe passou por muito. Tinha já sete filhos e um marido violento quando
conheceu o seu pai. O marido tinha emigrado, mas ia regressar. Teve o filho em
segredo, terminou com o seu pai, voltou para o marido e teve mais cinco filhos.
A sua mãe não queria vir, Raúl mas temos aqui uma sua irmã, Maria.
Entra
uma senhora baixinha e a audiência aplaude.
Mudo
de canal para vermos o resultado do futebol, assistimos à derrota da nossa
equipe e volto a mudar para o primeiro canal.
A
audiência rodeia agora além do Raúl, do entrevistador, e da Maria, mais oito irmãos
que foram surgindo.
É
então que o entrevistador anuncia:
-
Prepare-se Raúl porque sabe quem vem aí
de seguida?
-
Mais um irmão?
-
Não, Raúl, a sua mãe!
Entra
uma senhora também baixinha mas de cabelo grisalho. A audiência aplaude
enquanto os dois se abraçam e todos os irmãos sorriem.
-
Raúl tenta disfarçar como está comovido, a mãe sorri e chora.
-
E agora Raúl o que lhe quer dizer?
Raúl
vira-se para ela e diz: “Mãe”.
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Post 7029 - Livros 2019 (39) Nanocontos de Francisco Gomes
Nanocontos de Francisco Gomes
Sobre o autor no site da wook
Nasceu em 1975 em Lisboa. Contador de histórias ao vivo e por escrito, é actor, comunicador, marketeer e fundador da página Nano-Contos no Facebook.
No site da Fnac
«A boneca russa mais pequena ofendeu-se com as outras e foi logo acusada de não ter poder de encaixe. Foi-se embora. Desde então, a vida delas ficou mais vazia.»
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Post 7026 - Sexta-feira, 8.3.18
Na Fronteira (Grans) de All Abbasi, com Eva Melander, Earo Milonoff, Jörgen Thorsson, Ann Petrén
No site da wook
No site do Público
No site da wook
No site do Público
"Tina é uma funcionária aduaneira que tem um olfacto apurado e é conhecida por cheirar a culpa das pessoas que lhe passam pela frente. Até ao dia em que um misterioso homem chamado Vore lhe troca as voltas, criando nela dúvidas sobre todo o seu trabalho e a sua própria identidade.
Segunda longa-metragem do iraniano-sueco Ali Abbasi, baseada num conto de John Ajvide Lindqvist, foi vencedor do prémio Un Certain Regard na edição de 2018 do Festival de Cannes e nomeado para o Óscar de Melhor Caracterização, mesmo que não tenha chegado à categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Com Eva Melander e Eero Milonoff"
Post 7024 - Desafio de Escrita 5/10 - Crenças, Superstições e Sorte
Numa
saída à noite com amigos começaram a discutir sobre crenças e superstições.
Ele
muito céptico só acreditava no que via com os seus olhos e não punha as mãos no
fogo por ninguém.
A
certa altura o Carlos perguntou-lhe se tinha conhecido o Jaime?
-
Não, não tinha, sabia apenas que ele se mudara para a capital há alguns anos.
-
Pois é, o Jaime era como tu. Não acreditava em nada e nunca jogava. Vinha com
percentagens, como era mais provável apanhar com um raio duas vezes que ganhar
a lotaria.
-
E estava certo!
-
Estaria? Houve uma noite em que ele teve um sonho em que lhe aparecia uma bela
desconhecida e repetia-lhe seis números: “1/8/11/17/30 e 9” sempre por esta
ordem.
Ele
acordou com os números da cabeça, mas durante o dia esqueceu-se.
Na
noite seguinte voltou a ter um sonho, mas agora era uma tia que lhe aparecia e
gritava-lhe os mesmos números: “1/8/11/17/30/9”. Não era uma tia de que ele
gostasse e acordou em sobressalto. Contou depois à mulher. Mas ainda assim, não
fez nada. Não esqueceu o sonho, nem os números, mas não foi jogar.
Na
noite seguinte, de quinta para sexta, contou-me que até estava com receio de
voltar a ter o mesmo pesadelo com a tia.
Adormeceu
e apareceu-lhe um avô que já tinha morrido. Ele adorava aquele avô e até estava
a gostar de sonhar com ele, mesmo estranhando estar a ter tantos sonhos o que
nele não era comum. A certa altura, no sonho, o avô perguntava-lhe: “então já
foste jogar no totoloto, os números que vão sair são: “1/8/11/17/30 e 9”.
Ele
acordou e dessa vez não disse à mulher.
Teimoso
como uma mula, não foi jogar.
-
E?
-
Não saiu nem um dos seis números…
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Post 7022 - Livros 2019 (37) Na Sombra do Sonho
Na Sombra do Sonho de J. R. Ward V (r)

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Post 7021 - Livros 2019 (36) Na Sombra da Noite de J. R. Ward
Na Sombra da Noite de J. R. Ward 1 (r)

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sexta-feira, março 08, 2019
Post 7020 - Paella, post em construção
Frigideira com azeite, atiramos para lá pedaços de frango, temperamos com sal e pimenta, deixamos fritar durante algum tempo, juntamos camarões (que temperamos também com sal e pimenta e ainda alho) pedacinhos de bacon e ervilhas, mais algum tempo, e para o meio da frigideira, 3 tomates cereja (que era os que tinha) sem pele nem sementes, tomate triturado, pimentão doce, durante algum tempo, envolvemos tudo, juntamos água
e tiras de pimento vermelho (não tinha verde)
e por fim o arroz
e tiras de pimento vermelho (não tinha verde)
e por fim o arroz
Post 7018 - Desafio de Escrita 4/10 - A separação
Foi depois de sair de
casa que apresentou queixa.
Na acusação entretanto
deduzida imputava-se ao arguido:
- Não aceitava a
separação, clamava que nunca lhe daria o divórcio, e que se ela não era dele
não seria de mais ninguém!
- Ligava-lhe várias
vezes por dia, ia até ao prédio onde ela passara a morar e tocava à campainha
de noite.
- Na rua, pela janela,
ela viu-o a ameaçá-la com gestos, com o indicador tocou na própria garganta e
fez um movimento horizontal como se a cortasse com uma navalha;
O arguido escutava sem
parecer ouvir. Em tudo, parecia comum, um homem magro e baixinho com quem
poderíamos cruzar-nos na rua.
Não quis prestar
declarações.
Entrou a ofendida.
Advertida da faculdade de poder recusar-se a prestar depoimento, foi o que fez,
“porque ele finalmente aceitou que se divorciassem” . A testemunha seguinte, o
filho do casal, também não quis falar.
Não havia mais
testemunhas ou outros meios de prova. Nas Alegações, o Ministério Publico e o
Defensor pediram justiça.
Nesse momento
levantou-se um senhor de idade. Estivera sentado ao fundo a assistir e parecia
bem zangado. É o pai da ofendida, alguém segredou. Quereria insultar o ainda
genro e só se lembrou de apontar para ele, clamando: “ele é um homem sexual!”.
O Juiz mandou-o sair e
deu a última palavra ao arguido que se levantou muito sério para declarar primeiro
que não o era e depois que estava arrependido.
- Mas está arrependido
de quê, inquiriu o Magistrado perplexo porque o arguido não confessara e não
havia prova.
- “Daquilo que o Sr. Juiz
der como provado” esclareceu o arguido.
Uma semana depois foi
lida a sentença e no jornal local foi noticiado como mais uma vez a justiça
falhara, absolvendo do crime de violência doméstica perigoso agressor.
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Post 7017 - Livros 2019 (35) Na Sombra do Desejo de J. R. Ward
Na Sombra do Desejo de J. R. Ward
Irmandade da Adaga Negra Vol IV (Butch O’Neal e Marissa)

Irmandade da Adaga Negra Vol IV (Butch O’Neal e Marissa)
Vencedor do prémio RITA para o melhor romance fantástico.
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terça-feira, março 05, 2019
sábado, março 02, 2019
Post 7014 - Livros 2019 (33) - Tempo fora do tempo
Tempo fora do tempo de Kenyon Sherrilyn

No site da wook:
"O tempo fora do tempo está a chegar… Kateri Avani tem sido atormentada durante toda a vida por sonhos que não compreende. Imagens de locais onde nunca esteve e de um homem que nunca viu, que tanto luta ao seu lado como a apunhala até à morte.
A sua busca por respostas leva-a a Las Vegas, onde espera finalmente silenciar os demónios na sua mente. O que ela não esperava era ficar frente a frente com o guerreiro que a assombrou e que pertence a um mundo que a cientista em si se recusa a acreditar que é real.
Ren Waya voltou dos mortos para desafiar a profecia a que deu início há milhares de anos. O mal contra o qual sempre lutou está de regresso e persegue a única pessoa que Ren não pode combater. A única pessoa que, contra a sua vontade, pode evitar que o mundo acabe.
Ren já se sacrificou uma vez. Estará ele disposto a fazê-lo novamente?"
No site da wook:
"O tempo fora do tempo está a chegar… Kateri Avani tem sido atormentada durante toda a vida por sonhos que não compreende. Imagens de locais onde nunca esteve e de um homem que nunca viu, que tanto luta ao seu lado como a apunhala até à morte.
A sua busca por respostas leva-a a Las Vegas, onde espera finalmente silenciar os demónios na sua mente. O que ela não esperava era ficar frente a frente com o guerreiro que a assombrou e que pertence a um mundo que a cientista em si se recusa a acreditar que é real.
Ren Waya voltou dos mortos para desafiar a profecia a que deu início há milhares de anos. O mal contra o qual sempre lutou está de regresso e persegue a única pessoa que Ren não pode combater. A única pessoa que, contra a sua vontade, pode evitar que o mundo acabe.
Ren já se sacrificou uma vez. Estará ele disposto a fazê-lo novamente?"
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Livros 2019,
Sherrilyn Kenyon
sexta-feira, março 01, 2019
Post 7013 - Livros 2019 (32) Histórias com Juízo
Histórias de Juízo de Mario Castrim
No site da wook:
«As personagens deste livro declaram para todos os efeitos que Mário Castrim ao escrever Histórias com Juízo estava em mais que perfeito juízo. Claro que, de vez em quando, enfim... Aquela cadeira que toma o xarope... Aquela mesa sem pernas... Aquela panela que joga à bola... Pronto. Cada um de nós tem direito a ser como é. Mais agradecemos ao autor deste livro a oportunidade que nos deu de provarmos que também temos alma, inteligência, voz. Trata-se de uma reivindicação pela qual o nosso sindicato luta há milhares de anos e que, até hoje, só foi reconhecida pelas crianças e pelos poetas. Todos os objectos estão vivos. Têm personalidade. São gente. Com muito ou com pouco juízo? Todas as histórias têm juízo. Todas. Principalmente aquelas que parecem não ter juízo nenhum.»
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Livros 2019,
Mario Castrim
Post 7012 - Desafio de Escrita 3/10
Apenas uma história:
a sua
No seu
trigésimo aniversário decidiu morrer.
Tomada a
decisão, arrepiava-a poder também falhar a meio.
Foi por isso
que resolveu atirar-se da ponte mais próxima.
Estacionou o
carro perto e iniciou a caminhada até ao meio da ponte.
Ainda estava
escuro e um estranho silêncio antecipava a madrugada.
Sentia como
nunca o ar frio no rosto, como se lhe lavasse a cara e confirmasse que estava
certa.
Foi então
que o viu. Mesmo no local que ela tinha escolhido, um homem de costas para ela,
debruçava-se sobre a protecção, ali onde o rio era mais fundo.
Ele ouviu os
seus passos e despertou do seu torpor. Virou-se para ela. Era um homem de meia-idade,
com cicatrizes de um lado do rosto que ao invés de o desfigurarem, realçavam o
azul intenso dos seus olhos e a atraíram.
Subitamente,
sem saber porquê, quis salvá-lo.
Lembrou-se
das muitas vezes que tinha conseguido reinventar-se, apesar de todos os
revezes, nunca antes até àquela hora, tinha pensado em desistir.
Começou a
falar com ele. Disse-lhe que tinha frio e passou logo depois para todos os argumentos
que conseguia recordar para que ele não se atirasse, Ele era muito mais
forte que ela. Se o resolvesse fazer, não conseguiria impedi-lo.
Percorreu
todos os lugares comuns na procura da ideia salvadora, que não conseguia
encontrar. Ele só olhava para ela, sem lhe responder, sem que nada no seu rosto
ou olhar lhe dissessem que estava sequer a escutá-la.
Até que ele
lhe disse: “está mesmo frio. Vamos mas é tomar o pequeno-almoço”.
E foram. Os
dois.
Algum tempo
mais tarde, quando já começava a conhecê-lo, a entregar-se, a receber e a
aceitar, soube que ele não tinha ido ali para se matar, mas que apenas gostava
de olhar para o rio.
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Post 7011 - Desafio de Escrita 2/10
Num momento:
antes é um mundo perdido
Se não se
mexesse, se pensassem que estava a dormir, seria como se nada tivesse
acontecido. Como das outras vezes. A mãe viria acordá-lo da manhã e depois de
lavar‑se e tomar o pequeno-almoço que ela teria pronto, sairia para a escola
sem quase falar com ela.
Nos dias
seguintes, e à medida que o tempo passasse, seria como se nada tivesse
acontecido. Dali a mais algum tempo poderia mesmo pôr-se a pensar se não o
teria sonhado, um pesadelo que lhe parecera real, como acontece com os maus
sonhos enquanto estamos a dormir, mas que o não era.
As vozes
altas pareciam-lhe mais longe depois de tapar a cabeça com a manta até que
acabou por adormecer sem dar conta.
Mas naquela
manhã a mãe não o veio acordar.
Acordou
sozinho numa quietude estranha. A luz entrava pelas persianas mal fechadas. Não
sentia o cheiro de café e o silêncio pesava.
Levantou-se,
receoso mesmo do som da sua própria voz. Só por isso não chamou pela mãe.
Atravessou a
porta do quarto entreaberta, habituando-se à pouca luz na cozinha, pouco a
pouco apercebendo-se que ali não estava sozinho.
O pai estava
sentado num banco com a cabeça entre os braços apoiados na mesa. Fez algum
ruído ao esbarrar noutro banco e o pai virou-se para ele. Parecia que olhando
para ele não o via. Mas devia estar a vê-lo porque depois falou alto: "o
que é que eu fiz". A seguir voltou a esconder o rosto nos braços mas o seu
corpo foi sacudido por estremecimentos. Percebeu que o pai estava a chorar.
Não podia mais
fazer de conta que nada tinha sucedido. Soube nesse momento que nunca mais ia
ver a sua mãe. Foi quando começou a gritar por ela.
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